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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 5

Rafael a observou com uma calma cortante.

— Então eu te destruo, Valentina. Com a mesma elegância com que te dei o sobrenome.

O vinho no copo dela tremeu, como se o próprio cristal tivesse sentido o impacto.

A comida chegou, mas ninguém tocou.

O silêncio entre eles não era vazio era vivo, elétrico.

O garçom afastou-se rápido, como quem pressente o início de uma tempestade.

Rafael tomou um gole de vinho e recostou-se na cadeira.

— Não quero guerras, Valentina, não tenho tempo para brincar com você, tenho um império para gerir e você se lembre, seja a mulher perfeita diante das câmeras qualquer movimento em falso seu, você vai mais fundo do que um dia pensou em ir.

— Então, não tenho escolhas?

Ele sorriu, frio.

— Não.

Do lado de fora, a garoa engrossava. A cidade parecia desaparecer sob o vidro.

Valentina observou o reflexo dele na janela imponente, seguro, e, ainda assim, humano o bastante pra revelar uma sombra de solidão.

Por um instante, quis entender quem era o homem por trás do monstro.

Mas o pensamento morreu rápido.

Duas horas depois do almoço de casamento, Valentina estava parada diante dos portões de ferro da mansão Montenegro.

O carro preto, discreto e caro, parou com precisão milimétrica diante da entrada. O motorista não disse uma palavra. O silêncio do trajeto ainda ecoava dentro dela aquele tipo de silêncio que fala mais do que mil insultos.

A assistente de Rafael, Clara, abriu a porta com a eficiência de quem cumpre uma tarefa desagradável.

— O senhor Montenegro pediu que eu a deixasse em casa. A voz dela não carregava emoção alguma. — A partir de agora, esta é a sua residência.

Residência.

A palavra soou amarga, quase uma ironia.

Valentina olhou o portão à frente, o brasão da família gravado no ferro e polido até brilhar. Um emblema de poder, história e arrogância. E ela, a nova “senhora Montenegro”, parada do lado de fora, com a mala de couro nas mãos e o coração latejando.

Sua antiga casa, no Jardim Europa, estava interditada.

Um lacre oficial, com letras vermelhas, cobria o portão: EMBARGO JUDICIAL.

Aquela tinta vermelha parecia sangue.

Nem a morte dos pais, nem o casamento forçado, nem a frieza de Rafael haviam doído tanto quanto ver o nome Diniz apagado por burocracia.

Engoliu o nó na garganta e deu o primeiro passo.

Os portões se abriram com um estalo seco, o som de um veredito sendo cumprido.

A mansão era um monumento ao excesso. Colunas de mármore branco sustentavam varandas imensas. Esculturas importadas decoravam os jardins simétricos demais para parecerem vivos. O ar tinha cheiro de jasmim caro e desdém.

Clara caminhou à frente, sem olhar para trás.

— Dona Vittoria a espera na sala principal.

O coração de Valentina acelerou. Já sabia o que a aguardava. Só não sabia o quanto iria doer.

O interior da casa era impecável e gelado. Tapetes persas, cortinas de veludo, vasos que pareciam jamais ter sido tocados. Nada ali tinha cheiro de lar; tudo cheirava a poder.

Quando entrou no salão principal, viu Vittoria Montenegro de pé diante da lareira.

A mãe de Rafael era a personificação da nobreza que se acredita eterna: um vestido de seda creme, o cabelo preso em um coque que não admitia falhas, joias discretas, mas que denunciavam fortuna antiga. O olhar... o olhar era de quem nasceu no topo e nunca precisou descer para respirar.

Vittoria demorou-se antes de falar, observando-a como quem avalia uma obra barata em meio a peças raras.

— Então é você. Disse, enfim, com uma calma que gelou o ar. — Ainda não sei por que Rafael te escolheu, com tantas opções melhores que você.

O silêncio se estendeu por segundos que pareceram minutos.

Ela inclinou levemente a cabeça, estudando-a como se procurasse uma falha visível.

— Mais bonitas... acrescentou, saboreando cada palavra — e mais ricas.

Valentina manteve o corpo ereto, o queixo erguido, mas sentiu o rosto arder.

Tentou sorrir, o tipo de sorriso que disfarça feridas.

Virou-se lentamente, pegando uma taça de vinho tinto deixada sobre a mesa.

O cristal refletiu a luz dourada do salão, e por um instante Valentina viu ali o reflexo da própria fragilidade.

Vittoria bebeu um gole, saboreando como quem encerra uma discussão.

— Eu sempre imaginei Rafael se casando com Isabella Moretti. Continuou. — Você deve conhecer o nome. Família italiana, dona de bancos, refinada... e com um sobrenome digno do nosso.

Deu outro gole, sem pressa.

— Mas, em vez disso, ele me aparece com uma advogada enlutada, falida e sem um centavo. Cômico ou trágico?

Valentina respirou fundo.

Cada palavra da mulher parecia cuidadosamente afiada.

O olhar dela era uma faca envolta em seda.

— Aqui dentro, as aparências importam mais do que sentimentos. Cumprir o papel é o mínimo, se fazer meu filho passar vergonha, lembre-se que não tem nem nome, nem dinheiro algum para contar.

Valentina quis responder. Quis gritar que não era uma boneca de exposição, que já havia enfrentado o luto, a falência e a solidão, mas ainda estava de pé.

Mas algo no tom de Vittoria, naquela autoridade fria de quem comanda impérios e destrói reputações com um telefonema, a fez calar.

— Como queira,senhora Montenegro— respondeu, por fim, num fio de voz que ainda carregava orgulho. — Farei o que for necessário para honrar o nome Montenegro.

Capítulo 5 — A Casa dos Montenegro 1

Capítulo 5 — A Casa dos Montenegro 2

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