Valentina ficou parada no meio do salão como se o chão tivesse sumido por um instante.
Rafael se afastara sem olhar para trás.
Ela respirou fundo, tentando reorganizar os pensamentos, mas o salão Montenegro parecia ter virado um oceanário de tubarões famintos.
Sussurros.
Olhares.
Fofocas embaladas em perfume caro.
Valentina ergueu o queixo, impecável, mesmo quebrada por dentro.
E então—
Uma voz atrás dela:
— Senhora Montenegro… me daria a honra de uma dança?
Valentina girou.
E quase chorou.
Bianca.
Linda, atrevida, com um vestido verde esmeralda que fazia metade do salão recalcular rota.
Os olhos brilhavam.
O sorriso dizia:
“Amiga, eu vi tudo e estou aqui.”
Valentina soltou o ar que nem sabia que estava prendendo.
— Bianca…
A amiga abriu os braços.
— Vem cá, meu amor. Senão eu te arranco dessa máscara no tapa.
Elas se abraçaram forte — aquele abraço que não pede permissão, que sustenta, que ancora.
Bianca afastou um pouco o rosto, avaliando Valentina de cima a baixo.
— Amiga… você está tão linda que chega dói em mim. — ela sussurrou. — Se isso fosse um romance, o Rafael estaria implorando teu perdão ajoelhado.
Valentina riu, mas tinha amargura no som.
— Não é romance. É contrato.
— E daí? — Bianca segurou as mãos dela. — Contrato bem feito também derruba muita gente.
Valentina suspirou.
— Eles querem uma mulher perfeita, Bianca.
— Então eu vou ser. Pelo menos até isso acabar.
— Quando o contrato terminar, eu terei contatos no mundo inteiro… vou reconstruir minha carreira. Minha vida.
Bianca arregalou os olhos.
— Olha ela falando igual CEO! Quem é você e o que fez com a minha Vavá que chorava no banheiro ouvindo Adele?
Valentina deu um tapa leve no braço dela.
— Idiota!
Bianca gargalhou.
E puxou Valentina para o centro da pista.
— Vamos dançar. Antes que sua sogra tente te envenenar com o olhar e a outra demônia te arraste pelo cabelo.
Valentina quase tropeçou de tanto rir.
— Bianca, por Deus…
— O que foi? — Bianca piscou, segura. — Esse salão precisa de classe, e claramente só EU e VOCÊ estamos oferecendo isso hoje.
Elas começaram a rodar — uma dança improvisada, leve, divertida, completamente fora do protocolo ridículo daquele baile.
E foi aí que o salão inteiro virou um mar de olhos.
Porque ninguém jamais imaginou:
A Senhora Montenegro dançando com outra mulher.
Rindo.
Brilhando.
Flutuando.
Um comentarista social murmurou:
— Isso é… inédito.
Uma socialite sussurrou:
— Meu Deus… ela é ainda mais magnética sozinha.
Um empresário comentou:
— Essa mulher tem luz própria. Montenegro acertou sem querer.
Bianca, claro, percebeu os olhares.
— A elite inteira está surtando, Vavá. — ela disse, mordendo um sorriso. — E sinceramente? Eu estou amando.
Valentina girou, rindo.
Por um momento… esqueceu Rafael.
Esqueceu o beijo.
Esqueceu a dor.

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