Valentina nem virou totalmente quando lançou:
— O que você quer, Isabella? Não tenho tempo pra joguinhos de banheiro.
Isabella riu.
Aquela risada curta, debochada, que não tem graça — só ameaça.
E então trancou a porta.
CLIC.
Ecoou na alma.
Valentina cruzou os braços.
— O que vai fazer? — disse, fria. — Vai me matar num banheiro de gala? No baile onde meu marido está me esperando?
Isabella caminhou devagar, como se desfilasse veneno.
— Não, querida. — sussurrou. — Não aqui.
Só queria saber como foi o passeio de barco aquele dia. Gostou da experiência?
A ameaça caiu entre elas, silenciosa como uma lâmina.
Valentina ergueu o queixo.
— Foi bem proveitoso. Deu pra ver como as cobras se movem quando acham que ninguém está olhando.
Isabella virou as costas, foi até a pia, abriu a torneira como se estivesse num spa de luxo.
— Que isso, querida… — ela disse, lavando as mãos com calma irritante. — Só mostrei o jeito italiano de resolver certos problemas.
Valentina soltou uma risada seca.
— Jeito italiano… ou jeito desesperado?
Isabella tremeu um sorriso, mas era um sorriso de alguém prestes a morder.
— Você está se achando, não é?
Rafael brindou a você, agradeceu você… mostrou amor na frente de todo mundo.
Mas convenhamos, Valentina: isso aqui é contrato.
E você vai cair. Em breve.
Valentina deu um passo pra frente.
— Se eu vou cair… por que você está aqui surtando?
Isabella parou de lavar as mãos.
Respirou fundo.
E virou-se, os olhos cheios de ódio cru.
— Porque eu não gosto de você. E se eu tiver que te eliminar da minha vida, eu vou fazer.
Não pense que Rafael vai estar sempre ali pra te proteger.
Basta ele desviar o olhar… — um sorriso venenoso — …e eu acabo com você.
Ela levantou a mão, exibindo um anel de brilhantes exagerado, enorme, claramente caríssimo — ou claramente falso.
— Tá vendo? Ganhei dele.
Nem punida fui pelo… “passeio”.
Pelo contrário: fui premiada.
Valentina sentiu a pontada.
Uma fisgada de tristeza.
De raiva.
De incredulidade.
Mas ela não daria o gosto.
Ela sorriu.
Calma.
Cruel.
— Parabéns, Isabella.
Mas por enquanto… — ela ergueu o queixo — se controle, senhorita Moretti. Rafael está casado comigo.
Não pega bem pra você fazer papel de amante.
Valentina se vira pra sair.
Pega a maçaneta.
Gira.
Mas antes que a porta abra completamente—
Isabella se descontrola.
UM EMPURRÃO.
Valentina é jogada pra fora do banheiro, o salto arrasta no chão, ela perde o equilíbrio—
E cai.
Direto—
nos braços de ENZO.
O perfume dele.
O olhar dele.
A mão firme segurando sua cintura.
E o sorriso perigoso, curioso… como se já estivesse esperando por aquele momento.
— Ora, ora… — ele murmura, segurando-a com força. — Parece que tropeçou na hora certa, senhora Montenegro.
A porta atrás de Valentina abriu novamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário