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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 57

Valentina voltou ao salão como se tivesse caminhado sozinha dentro de um furacão.

Ela segurava firme a própria postura, mas o coração ainda estava correndo atrás do que tinha acontecido no banheiro.

Bianca a viu de longe.

E, no instante em que reconheceu o estado da amiga, veio em disparada — atravessando o salão como uma flecha teleguiada por pura indignação.

— O que aconteceu? — ela perguntou, puxando Valentina pelo braço e afastando as duas um pouco da multidão. — Você tá pálida, mulher! Quem foi? Foi a bruxa? Foi aquela demônia da Moretti? ME FALA QUE EU VOU ARRANCAR OS CABELOS DELA AQUI MESMO!

Valentina segurou o rosto dela com as duas mãos.

— Calma, Bi. — disse, com um fio de voz. — Não vamos criar confusão. Já basta tudo que está acontecendo.

Bianca estava VERMELHA de ódio.

— Eu sabia! Aquela sonsa fez alguma coisa! Eu juro por tudo que é sagrado que eu vou—

— Bianca… — Valentina respirou fundo. — Falta pouco pra tudo isso acabar. Eu não vou jogar gasolina na fogueira agora. Ela está desesperada. É só isso.

Bianca apertou os olhos, sufocando um palavrão que provavelmente queimaria as tapeçarias do salão.

— Desesperada ou não, ela encostar em você… Valentina, eu te juro…

— Eu sei. — Valentina sussurrou. — Mas deixa pra lá.

Antes que Bianca pudesse insistir, a voz do cerimonialista ecoou pelo salão com pompa:

— Senhoras e senhores, peço que tomem seus lugares. O tradicional Leilão Montenegro será iniciado em instantes.

O burburinho mudou.

As pessoas começaram a se mover.

Os garçons recolheram taças.

Um palco menor foi iluminado.

E foi nessa reorganização que Rafael surgiu.

Ele caminhava com Lucas ao lado — ambos elegantes, tensos, criando seu próprio campo gravitacional.

O olhar de Rafael varreu o salão… e parou em Valentina.

Aquele olhar que ela ainda não sabia decifrar.

Não era raiva.

Nem frieza total.

Era… algo entre confusão e controle.

Lucas acenou com a cabeça para Bianca, sempre educado.

— Vamos. — Rafael disse, firme, tocando suavemente o braço de Valentina. — O leilão vai começar.

Ela assentiu, silenciosa.

Os quatro — Rafael, Valentina, Lucas e Bianca — caminharam até suas cadeiras reservadas logo na primeira fila.

Era um lugar estratégico.

Exposto.

Carregado de simbolismo.

Valentina sentou-se entre Rafael e Bianca.

O palco foi iluminado.

O mestre de cerimônias abriu um sorriso treinado:

— Iniciaremos com uma peça muito especial … um colar raro, confeccionado nos anos 80, assinado por uma das ourives mais renomadas da época.

O assistente entrou carregando a peça sobre um veludo azul.

Valentina virou a cabeça.

Quando viu o colar, o ar desapareceu do corpo dela.

Um ofego baixo escapou — involuntário, doloroso.

Rafael imediatamente olhou para ela.

— O que foi? — perguntou, inclinando o corpo na direção dela.

As mãos dela tremeram sobre o colo.

Os olhos ficaram marejados sem permissão.

— Essa joia… — Valentina murmurou, com a voz quebrando. — …essa joia era da minha mãe.

Rafael endureceu.

Lucas ergueu o rosto, surpreso.

Bianca segurou a mão de Valentina por baixo da mesa.

O coração dela apertou num nó que não dava trégua.

— Eu… — Valentina respirou fundo, mas não conseguiu esconder a dor. — Eu pensei que tivesse sido confiscada.

Rafael fechou a mão dela dentro da própria mão.

Um gesto firme. Quente.

Quase protetor demais.

— Eu não sabia que essa peça estaria aqui. — ele disse, num tom mais baixo que o normal. — Foi enviada por um doador anônimo.

Valentina piscou, tentando manter a compostura.

Mas a visão daquela joia brilhando sob a luz — a joia que ela via no colo da mãe quando criança — era como uma faca girando no peito.

E então, como se a noite precisasse de mais veneno…

Isabella levantou a placa.

— Cem mil dólares!

O salão inteiro virou para ela.

Isabella não olhou o colar.

Ela olhava para Valentina.

Com um sorriso lento, provocador, sabendo exatamente onde doía.

Valentina congelou.

O estômago dela girou.

Bianca sussurrou:

— Eu vou matar essa vaca.

Mas Valentina nem conseguia responder.

Porque pela primeira vez naquela noite…

ela queria chorar de verdade.

O salão ficou elétrico.

A tensão vibrava no ar, densa, quase palpável.

O colar da mãe de Valentina brilhava no centro do palco, perfeito demais, cruel demais — como se o destino tivesse decidido testar todos ali ao mesmo tempo.

O mestre de cerimônias abriu os braços:

— Temos a primeira oferta! Cem mil dólares!

Lance feito pela senhorita Moretti.

Alguns convidados se entreolharam, surpresos pela audácia.

Bianca cerrou os dentes.

Valentina permaneceu imóvel, o peito subindo e descendo devagar demais, como se estivesse segurando o pranto com ambas as mãos.

Rafael olhava apenas para ela.

Nada mais parecia existir.

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