Valentina voltou ao salão como se tivesse caminhado sozinha dentro de um furacão.
Ela segurava firme a própria postura, mas o coração ainda estava correndo atrás do que tinha acontecido no banheiro.
Bianca a viu de longe.
E, no instante em que reconheceu o estado da amiga, veio em disparada — atravessando o salão como uma flecha teleguiada por pura indignação.
— O que aconteceu? — ela perguntou, puxando Valentina pelo braço e afastando as duas um pouco da multidão. — Você tá pálida, mulher! Quem foi? Foi a bruxa? Foi aquela demônia da Moretti? ME FALA QUE EU VOU ARRANCAR OS CABELOS DELA AQUI MESMO!
Valentina segurou o rosto dela com as duas mãos.
— Calma, Bi. — disse, com um fio de voz. — Não vamos criar confusão. Já basta tudo que está acontecendo.
Bianca estava VERMELHA de ódio.
— Eu sabia! Aquela sonsa fez alguma coisa! Eu juro por tudo que é sagrado que eu vou—
— Bianca… — Valentina respirou fundo. — Falta pouco pra tudo isso acabar. Eu não vou jogar gasolina na fogueira agora. Ela está desesperada. É só isso.
Bianca apertou os olhos, sufocando um palavrão que provavelmente queimaria as tapeçarias do salão.
— Desesperada ou não, ela encostar em você… Valentina, eu te juro…
— Eu sei. — Valentina sussurrou. — Mas deixa pra lá.
Antes que Bianca pudesse insistir, a voz do cerimonialista ecoou pelo salão com pompa:
— Senhoras e senhores, peço que tomem seus lugares. O tradicional Leilão Montenegro será iniciado em instantes.
O burburinho mudou.
As pessoas começaram a se mover.
Os garçons recolheram taças.
Um palco menor foi iluminado.
E foi nessa reorganização que Rafael surgiu.
Ele caminhava com Lucas ao lado — ambos elegantes, tensos, criando seu próprio campo gravitacional.
O olhar de Rafael varreu o salão… e parou em Valentina.
Aquele olhar que ela ainda não sabia decifrar.
Não era raiva.
Nem frieza total.
Era… algo entre confusão e controle.
Lucas acenou com a cabeça para Bianca, sempre educado.
— Vamos. — Rafael disse, firme, tocando suavemente o braço de Valentina. — O leilão vai começar.
Ela assentiu, silenciosa.
Os quatro — Rafael, Valentina, Lucas e Bianca — caminharam até suas cadeiras reservadas logo na primeira fila.
Era um lugar estratégico.
Exposto.
Carregado de simbolismo.
Valentina sentou-se entre Rafael e Bianca.
O palco foi iluminado.
O mestre de cerimônias abriu um sorriso treinado:
— Iniciaremos com uma peça muito especial … um colar raro, confeccionado nos anos 80, assinado por uma das ourives mais renomadas da época.
O assistente entrou carregando a peça sobre um veludo azul.
Valentina virou a cabeça.
Quando viu o colar, o ar desapareceu do corpo dela.
Um ofego baixo escapou — involuntário, doloroso.
Rafael imediatamente olhou para ela.
— O que foi? — perguntou, inclinando o corpo na direção dela.
As mãos dela tremeram sobre o colo.
Os olhos ficaram marejados sem permissão.
— Essa joia… — Valentina murmurou, com a voz quebrando. — …essa joia era da minha mãe.
Rafael endureceu.
Lucas ergueu o rosto, surpreso.
Bianca segurou a mão de Valentina por baixo da mesa.
O coração dela apertou num nó que não dava trégua.
— Eu… — Valentina respirou fundo, mas não conseguiu esconder a dor. — Eu pensei que tivesse sido confiscada.
Rafael fechou a mão dela dentro da própria mão.
Um gesto firme. Quente.
Quase protetor demais.
— Eu não sabia que essa peça estaria aqui. — ele disse, num tom mais baixo que o normal. — Foi enviada por um doador anônimo.
Valentina piscou, tentando manter a compostura.
Mas a visão daquela joia brilhando sob a luz — a joia que ela via no colo da mãe quando criança — era como uma faca girando no peito.
E então, como se a noite precisasse de mais veneno…
Isabella levantou a placa.
— Cem mil dólares!
O salão inteiro virou para ela.
Isabella não olhou o colar.
Ela olhava para Valentina.
Com um sorriso lento, provocador, sabendo exatamente onde doía.
Valentina congelou.
O estômago dela girou.
Bianca sussurrou:
— Eu vou matar essa vaca.
Mas Valentina nem conseguia responder.
Porque pela primeira vez naquela noite…
ela queria chorar de verdade.
O salão ficou elétrico.
A tensão vibrava no ar, densa, quase palpável.
O colar da mãe de Valentina brilhava no centro do palco, perfeito demais, cruel demais — como se o destino tivesse decidido testar todos ali ao mesmo tempo.
O mestre de cerimônias abriu os braços:
— Temos a primeira oferta! Cem mil dólares!
Lance feito pela senhorita Moretti.
Alguns convidados se entreolharam, surpresos pela audácia.
Bianca cerrou os dentes.
Valentina permaneceu imóvel, o peito subindo e descendo devagar demais, como se estivesse segurando o pranto com ambas as mãos.
Rafael olhava apenas para ela.
Nada mais parecia existir.

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