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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 60

O salão do jantar estava perfeito demais.

Guardanapos dobrados com precisão militar.

Taças que refletiam luz como lâminas.

Velas altas iluminando rostos falsamente educados.

E, mesmo assim…

A mesa dos Montenegro parecia um campo minado.

Valentina caminhou até seu lugar sentindo o olhar de Rafael queimando em algum ponto atrás dela.

Bianca foi para outra mesa.

Lucas se acomodou ao lado de Rafael, como sempre observando tudo.

E então…

Os membros da família Montenegro começaram a se sentar.

Vittória apareceu como quem já tinha engolido meio litro de fel.

O rosto rígido.

O sorriso duro.

A aura dizendo: “Se eu pudesse, eu trocava as velas por tochas e incendiava essa garota aqui mesmo.”

Helena — a tia favorita do caos — chegou com o vestido brilhando e a risada escandalosa, pronta para saborear cada gota de drama.

E Enzo…

Ah, Enzo.

Ele se sentou com aquela calma predadora, a taça na mão, os olhos pousados em Valentina como se estivesse analisando cada microexpressão dela — e cada ameaça ao redor.

O jantar começou.

Silêncio.

Apenas o som das talheres e das respirações tensas.

Então veio a entrada: lagostas inteiras, exuberantes, fumegantes.

Vittória ajeitou o guardanapo no colo com aquela elegância venenosa que ela achava que impressionava alguém.

Ela inclinou a cabeça para Valentina, sorrindo como quem prepara um golpe com seda e perfume.

— Você sabe o que é lagosta, minha querida Valentina? — perguntou com a voz doce e a intenção podre. — Imagino que em Harvard isso não era muito comum… não é o tipo de comida que os alunos estão acostumados.

Helena quase deixou escapar um “meu Deus, ela vai apanhar” de tanto segurar a risada.

Enzo parou o vinho no ar.

Rafael virou o rosto devagar, como se estivesse avaliando se valia a pena derrubar a própria mãe em pleno jantar.

Mas Valentina…

Ah, Valentina.

Ela se virou delicadamente para Vittória, cruzou os talheres, encostou o cotovelo na mesa — num gesto elegante, firme — e sorriu.

Um sorriso tão educado que doía.

— Harvard, não. — ela respondeu. — Mas na casa da minha família era normal comer lagosta.

Vittória piscou.

O sorriso congelou.

A mesa inteira ficou em silêncio por um segundo.

Valentina inclinou um pouco a cabeça, fingindo inocência:

— Acho que a universidade não chegou ao ponto de oferecer lagostas aos alunos, né, minha sogra?

— E olha que a mensalidade é bem cara…

Augusto Montenegro gargalhou.

GARGALHOU.

Um som profundo, inesperado, que fez metade do salão virar a cabeça.

— Essa foi boa. — ele elogiou, limpando o canto da boca. — Muito espirituosa, Valentina.

Helena quase caiu para trás de tanto rir.

— Deveria ter dormido sem essa minha cunhada — ela disse alto demais.

Vittória ficou lívida.

Enzo bebeu o vinho devagar, escondendo um sorriso satisfeito.

O jantar continuou depois da farpa elegante de Valentina, mas a mesa estava silenciosa — um daqueles silêncios tensos, educados, onde todo mundo sorri sem jamais mostrar os dentes.

Os garçons trouxeram o próximo prato.

Um rondelli de camarão com molho leve de vinho branco.

Elegante.

Simples.

Caríssimo.

E totalmente impossível para Valentina.

Ela não tocou nos talheres.

Não olhou para o prato.

— Não posso comer, minha sogra. — respondeu calmamente. — Mas não se preocupe… refinamento não depende de um prato. Depende de postura.

O talher de Vittória parou no ar.

Só por um segundo.

Mas parou.

Rafael não sorriu. Não reagiu. Apenas continuou comendo.

Mas a mão dele, sob a mesa, moveu-se meio centímetro mais perto da dela.

Instintivo.

Involuntário.

Absolutamente perigoso.

Os pratos continuaram sendo servidos para todos.

Para Valentina, um risoto simples — discreto, bonito, perfeito.

Ela agradeceu ao garçom num tom educado.

E Rafael, ainda olhando o próprio prato, murmurou:

— Avise-me da próxima vez.

Valentina piscou.

— Do quê?

— De alergias. — ele respondeu, sussurrando sem tirar os olhos da comida. — Não quero que algo aconteça a você em um ambiente como este.

Ela demorou dois segundos para responder.

— Achei que você não quisesse que acontecesse nada comigo em nenhum ambiente.

Rafael ergueu os olhos devagar.

Firme.

Direto.

Perigoso.

— Você acha errado?

Uma fisgada subiu pelo peito dela.

— Acho… confuso. — admitiu, quase num sopro.

— Eu também. — ele respondeu, e por um instante… parecia humano. Parecia verdadeiro. Parecia quebrado do mesmo jeito que ela estava.

O jantar seguiu.

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