Bianca saiu atrás de Valentina quase tropeçando no próprio salto.
Lucas, ao ver Rafael sozinho no centro da pista, caminhou até ele com o copo vazio na mão e uma expressão de “eu vi tudo e não gostei de nada”.
— O que aconteceu que a minha cunhada te deixou plantado no meio da pista? — Lucas perguntou, sem rodeios.
Rafael não respondeu de imediato.
O maxilar dele estava travado.
Os olhos escuros, tensos, analisando mentalmente cada instante da conversa que teve com Valentina.
Quando finalmente falou, foi baixo… e perigoso:
— Não sei.
Mas tem a ver com Isabella.
Lucas soltou um bufado irônico.
— Claro que tem, né. Aquela mulher é a encarnação da palavra problema.
Antes que Rafael pudesse dizer qualquer coisa, Moreira surgiu ao lado deles — discreto, respeitoso, mas mais tenso do que o normal.
— Senhor… — ele inclinou a cabeça. — Eu estava monitorando as câmeras de segurança do corredor lateral.
Rafael virou o rosto para ele.
Sombrio.
Frio.
Com a mesma atenção mortal de um animal prestes a atacar.
— Fale.
Moreira engoliu seco.
— Houve… um desentendimento… entre a senhora Montenegro e a senhorita Moretti.
No banheiro feminino.
Há poucos minutos.
Lucas arregalou um pouco os olhos.
Mas Rafael não.
Rafael já esperava ouvir algo assim.
— Mostre. — ele ordenou.
Moreira desbloqueou o celular e virou a tela para ele.
A imagem mostrava exatamente o que ele descrevera:
✔ Valentina entrando no banheiro.
✔ Isabella indo atrás, segundos depois.
✔ O corredor vazio por um minuto…
✔ Até a porta abrir com violência — Valentina sendo empurrada para fora.
✔ Ela caindo direto nos braços de Enzo.
✔ Isabella avançando para cima de Enzo, prestes a bater.
✔ Enzo segurando o braço dela com firmeza.
✔ Isabella saindo irritada, quase tropeçando de pura raiva.
✔ Enzo ajudando Valentina a se recompor.
A mão de Rafael apertou o celular.
Apertou mais.
Mais um pouco, e a tela teria quebrado.
Lucas observou a reação dele com um meio sorriso irônico.
— E aí? Alguma dúvida de que a Moretti é uma psicopata funcional?
Mas Rafael não ouviu.
O sangue dele fervia numa temperatura que ninguém ali tinha visto antes.
A respiração dele ficou pesada.
O olhar ganhou uma sombra escura.
Ele devolveu o celular para Moreira com um movimento lento… como se estivesse lutando contra o instinto de esmagar o aparelho com a mão.
A voz que saiu dele parecia feita de gelo rachando:
— Descubra exatamente o que aconteceu no banheiro.
Moreira assentiu imediatamente.
Mas Rafael continuou:
— E garanta que Isabella não saia do país.
Não sem minha aprovação direta.
Moreira piscou, entendendo o peso daquela frase.
— Sim, senhor.
E saiu rápido.
Silêncio.
Um silêncio que anunciava tempestade.
Lucas entregou um copo de uísque para o amigo — porque Deus sabia que ele estava precisando de algo forte para não explodir o salão inteiro.
— Toma. Antes que você arranque a cabeça de alguém no meio desse baile.
Rafael pegou o copo sem olhar.
Engoliu metade em um único gole.
O uísque de 25 anos queimou a garganta.
Mas não queimou mais do que a raiva.
Lucas, com aquela insolência charmosa dele, comentou:
— Isabella é uma pedra no sapato.
Rafael finalmente virou o rosto para ele.
O olhar…
meu Deus…

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