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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 59

Bianca saiu atrás de Valentina quase tropeçando no próprio salto.

Lucas, ao ver Rafael sozinho no centro da pista, caminhou até ele com o copo vazio na mão e uma expressão de “eu vi tudo e não gostei de nada”.

— O que aconteceu que a minha cunhada te deixou plantado no meio da pista? — Lucas perguntou, sem rodeios.

Rafael não respondeu de imediato.

O maxilar dele estava travado.

Os olhos escuros, tensos, analisando mentalmente cada instante da conversa que teve com Valentina.

Quando finalmente falou, foi baixo… e perigoso:

— Não sei.

Mas tem a ver com Isabella.

Lucas soltou um bufado irônico.

— Claro que tem, né. Aquela mulher é a encarnação da palavra problema.

Antes que Rafael pudesse dizer qualquer coisa, Moreira surgiu ao lado deles — discreto, respeitoso, mas mais tenso do que o normal.

— Senhor… — ele inclinou a cabeça. — Eu estava monitorando as câmeras de segurança do corredor lateral.

Rafael virou o rosto para ele.

Sombrio.

Frio.

Com a mesma atenção mortal de um animal prestes a atacar.

— Fale.

Moreira engoliu seco.

— Houve… um desentendimento… entre a senhora Montenegro e a senhorita Moretti.

No banheiro feminino.

Há poucos minutos.

Lucas arregalou um pouco os olhos.

Mas Rafael não.

Rafael já esperava ouvir algo assim.

— Mostre. — ele ordenou.

Moreira desbloqueou o celular e virou a tela para ele.

A imagem mostrava exatamente o que ele descrevera:

✔ Valentina entrando no banheiro.

✔ Isabella indo atrás, segundos depois.

✔ O corredor vazio por um minuto…

✔ Até a porta abrir com violência — Valentina sendo empurrada para fora.

✔ Ela caindo direto nos braços de Enzo.

✔ Isabella avançando para cima de Enzo, prestes a bater.

✔ Enzo segurando o braço dela com firmeza.

✔ Isabella saindo irritada, quase tropeçando de pura raiva.

✔ Enzo ajudando Valentina a se recompor.

A mão de Rafael apertou o celular.

Apertou mais.

Mais um pouco, e a tela teria quebrado.

Lucas observou a reação dele com um meio sorriso irônico.

— E aí? Alguma dúvida de que a Moretti é uma psicopata funcional?

Mas Rafael não ouviu.

O sangue dele fervia numa temperatura que ninguém ali tinha visto antes.

A respiração dele ficou pesada.

O olhar ganhou uma sombra escura.

Ele devolveu o celular para Moreira com um movimento lento… como se estivesse lutando contra o instinto de esmagar o aparelho com a mão.

A voz que saiu dele parecia feita de gelo rachando:

— Descubra exatamente o que aconteceu no banheiro.

Moreira assentiu imediatamente.

Mas Rafael continuou:

— E garanta que Isabella não saia do país.

Não sem minha aprovação direta.

Moreira piscou, entendendo o peso daquela frase.

— Sim, senhor.

E saiu rápido.

Silêncio.

Um silêncio que anunciava tempestade.

Lucas entregou um copo de uísque para o amigo — porque Deus sabia que ele estava precisando de algo forte para não explodir o salão inteiro.

— Toma. Antes que você arranque a cabeça de alguém no meio desse baile.

Rafael pegou o copo sem olhar.

Engoliu metade em um único gole.

O uísque de 25 anos queimou a garganta.

Mas não queimou mais do que a raiva.

Lucas, com aquela insolência charmosa dele, comentou:

— Isabella é uma pedra no sapato.

Rafael finalmente virou o rosto para ele.

O olhar…

meu Deus…

Valentina riu sem humor.

— Bianca…

— Tô falando sério! — Bianca gesticulou indignada. — Ela encostou em você! Empurrou você! Aquela maldita! Quem ela pensa que é? Hein? Quem?

Valentina permitiu que a amiga descontasse um pouco daquela fúria por ela.

Mas depois colocou a mão no braço de Bianca.

— Bi… eu tô cansada.

Bianca olhou para ela — com aquela expressão de alguém que daria a própria vida se pudesse arrancar a dor do peito da pessoa que ama.

— Eu sei. — ela disse. — Mas você não tá sozinha, Vavá. Eu tô aqui. Lucas tá aqui. Até o Rafael… de um jeito torto, confuso, imperfeito… ele tá ali, girando ao seu redor de um jeito estranho.

Valentina desviou o olhar para o chão.

— Ele vai dar o colar pra Isabella, né? — ela murmurou. — Igual deu aquele anel.

Bianca abriu a boca para responder, mas se calou.

Porque ela não sabia.

E mentir para Valentina seria uma crueldade.

Ao invés disso, ela segurou a mão da amiga.

— O que quer que aconteça… você vai sobreviver. Porque você sempre sobrevive. E porque nada, absolutamente nada nessa história, tira o valor do colar pra você. Ele é seu. Mesmo que esteja nas mãos erradas hoje.

Valentina assentiu devagar, inspirando fundo, tentando reorganizar a própria alma.

E foi nesse momento que o cerimonialista apareceu na porta do jardim, com a voz projetada:

— Senhoras e senhores, informamos que o jantar será servido dentro de instantes. Pedimos que todos retornem ao salão principal.

Bianca olhou para Valentina.

— Pronta?

Valentina passou a mão no rosto, secou qualquer traço de lágrima, endireitou a postura e a máscara como quem veste armadura.

— Pronta. — ela disse.

Bianca sorriu.

— Então vamos.

E se a Isabella cruzar nosso caminho… juro por Deus, eu empurro ela na mesa de sobremesas.

Valentina riu pela primeira vez desde o leilão.

As duas voltaram juntas para o salão…

Uma tentando esconder que estava quebrada.

A outra disposta a quebrar o mundo por ela.

E quando Valentina pisou no mármore novamente…

Rafael já estava observando.

Do outro lado do salão.

Imóvel.

Lendo cada movimento dela.

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