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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 72

Valentina estava no quarto, sentada diante do notebook, quando percebeu que a paz ali dentro era sempre provisória.

A tela exibia documentos abertos — anotações, números, rascunhos de cláusulas, ideias soltas que ela tentava organizar como quem organiza a própria vida: com lógica, com método, com algum controle possível.

Mas aquele tipo de silêncio… nunca durava.

A mansão Montenegro tinha muitos corredores, muitas portas, muitos modos de invadir sem precisar arrombar nada.

E Valentina aprendeu isso cedo.

O clique da maçaneta veio sem aviso.

A porta se abriu como se fosse natural. Como se aquele quarto não fosse dela — apenas uma extensão do território de alguém.

Valentina ergueu o olhar devagar.

Clara entrou primeiro.

Impecável, como sempre. Um ar de eficiência treinada. O rosto controlado demais para parecer inocente.

Atrás dela, uma funcionária empurrava uma arara de roupas coberta por capas de tecido preto, com um cuidado quase cerimonial. Outra vinha com caixas grandes: uma com o nome de uma marca estampado em dourado discreto; a outra, menor, lacrada e pesada do jeito que só uma caixa de joias sabe ser.

Valentina não se mexeu.

Apenas fechou o notebook com calma e pousou as mãos sobre ele.

— Senhora. — Clara disse, como se estivesse começando um relatório. — O senhor Montenegro mandou entregar isso.

A funcionária parou a arara perto da parede, como se estivesse posicionando uma peça de museu.

Valentina olhou.

E por um segundo, algo frio passou por dentro dela.

Não era emoção romântica. Não era gratidão.

Era… entendimento.

Porque aquilo não era presente.

Era estratégia.

Rafael não mandava roupas. Mandava mensagem.

E a mensagem era simples:

você vai sair como Montenegro.

Valentina deslizou os dedos pela capa de uma das peças. O tecido por baixo denunciava qualidade antes mesmo de aparecer. Corte preciso. Peso certo. O tipo de roupa que não pede atenção — mas toma.

Ela levantou os olhos para Clara.

— Isso é para hoje?

Clara assentiu.

— Sim, senhora. Para a mostra cultural.

Valentina respirou fundo, curta e silenciosamente.

Ela tinha achado que bastava ir com qualquer vestido elegante. Algo discreto, correto, funcional.

Mas Montenegro não saía como “correto”.

Montenegro saía como declaração.

— Eu não pedi isso. — Valentina comentou, mais para si do que para Clara.

Clara inclinou a cabeça.

— O senhor Montenegro… não costuma perguntar quando decide.

Valentina sustentou o olhar dela por um instante.

Curto.

Cirúrgico.

E aí levantou-se.

— Certo. — disse, simples.

Foi até a arara e puxou a primeira capa, revelando um vestido verde escuro, sofisticado, marcante o suficiente para ser lembrado.

Bonito.

Mas não era aquilo.

Valentina passou para a próxima.

Um off-white com bordado sutil e cintura marcada — cara de mulher impecável em evento de tarde.

Também não.

A terceira capa trouxe um vestido preto.

Preto de verdade. Não o preto “básico”.

O tecido caía como se tivesse sido desenhado para caminhar com ela. A peça não era sensual — era dominante. Elegante sem exagero. Clássica como uma promessa antiga.

Valentina segurou o cabide e, no reflexo do espelho, se viu por um instante com aquela ideia vestida no corpo.

E decidiu.

— É esse. — falou, sem hesitar.

Clara piscou uma vez.

Talvez esperando que Valentina escolhesse algo mais… vistoso. Mais “esposa nova tentando provar valor”.

Mas Valentina escolheu o oposto.

Escolheu o que não gritava.

Porque quem grita… perde.

Ela se virou, voltando para Clara com o vestido ainda nas mãos.

— Prepare esse. — disse, no mesmo tom em que uma advogada define o caminho de um caso. — E os acessórios que combinem com ele.

Clara manteve o rosto neutro.

— Sim, senhora.

Valentina apontou para as caixas.

— O que tem aí?

Clara deu um passo à frente e abriu primeiro a caixa de sapatos, revelando um par de salto fino, impecável, com acabamento fosco e detalhe metálico discreto.

Depois, abriu a caixa menor.

Joias.

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