Entrar Via

Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 82

Rafael caminhava à frente, os passos firmes, mas o corpo inteiro em alerta. O cheiro de antisséptico grudava na garganta. Cada porta fechada era uma ameaça. Cada número na parede, um atraso insuportável.

— É aqui. — disse a enfermeira, parando diante da porta.

Rafael assentiu uma única vez.

Empurrou a porta.

O quarto estava mergulhado numa quietude quase irreal.

Valentina estava deitada na cama, o corpo pequeno demais sob os lençóis claros. O rosto pálido contrastava com os hematomas que ainda não tinham tido tempo de amarelar. Um curativo branco cobria parte da testa. Fios saíam do corpo dela, conectados a monitores que piscavam em ritmos controlados — bip… bip… bip…

Rafael sentiu o impacto no peito antes mesmo de respirar.

E então viu.

Enzo estava sentado ao lado da cama.

Uma das mãos apoiada no joelho.

A outra… segurando a mão de Valentina.

Os dedos dela estavam entrelaçados aos dele com força suficiente para denunciar algo que Rafael não tinha visto antes.

O quarto esfriou.

Rafael deu um passo à frente.

O som do sapato no piso encerado pareceu alto demais naquele silêncio clínico.

Enzo ergueu o olhar devagar.

Não se levantou.

Não se explicou.

Não soltou a mão dela.

Apenas sustentou o olhar de Rafael.

— O que você está fazendo aqui? — Rafael perguntou.

A voz saiu baixa.

Perigosa.

Enzo respirou fundo antes de responder.

— Acompanhando. — disse. Simples. — Ela não ficou sozinha desde que chegou.

Rafael avançou mais um passo.

Agora estava perto o suficiente para ver detalhes que o vídeo não mostrara.

O leve tremor nos dedos dela.

A marca arroxeada no pescoço.

O curativo improvisado no braço.

E a mão dela…

presa à de Enzo como se fosse a única coisa sólida naquele mundo.

— Solta. — Rafael disse.

Não foi um pedido.

Enzo baixou o olhar para as mãos entrelaçadas.

Tentou puxar a dele com cuidado.

Valentina se mexeu imediatamente.

O aperto se intensificou.

Os dedos dela cravaram-se nos dele com força inesperada para alguém tão machucado.

— Não… — murmurou ela, ainda inconsciente. — Não me deixa sozinha…

A frase atravessou Rafael como um tiro silencioso.

Enzo congelou.

Olhou para Rafael por um segundo curto — rápido demais para ser descuido, longo demais para ser inocente.

Depois, voltou-se para ela.

— Calma, prima. — disse, a voz baixa, controlada, quase suave. — Eu estou aqui. Não vou a lugar nenhum.

Ele voltou a segurar a mão dela com firmeza.

O quarto pareceu encolher.

— O que você estava fazendo naquela parte da cidade?

— Eu estava perto da universidade. Tinha uma reunião num restaurante ali ao lado.

Rafael avançou de uma vez.

Agarrou Enzo pela gola da camisa e o puxou para cima da cadeira com brutalidade contida.

— Você quer que eu acredite nisso? — sussurrou, os olhos escuros demais. — Que você estava passando por acaso… e virou herói?

Enzo não reagiu com violência.

Não tentou se soltar de imediato.

Apenas inclinou a cabeça levemente, analisando o primo como quem avalia uma jogada previsível.

— Quer que eu minta? — respondeu.

O aperto de Rafael aumentou.

— Coincidência conveniente.

— Coincidência cruel. — Enzo corrigiu, sem elevar o tom. — Eu ia passar direto. Ia mandar mensagem depois. Um “oi, prima te vi hoje ".Nada além disso.

Fez uma pausa.

— Aí o carro preto entrou atirando.

Rafael sentiu o estômago revirar.

— Eu fui atrás. — Enzo continuou. — Liguei pra você. Várias vezes. Você não atendeu.

Silêncio.

— Quando cheguei no galpão… — Enzo concluiu — …ela já estava assim.

Rafael o empurrou contra a parede com força suficiente para fazer o impacto ecoar baixo.

— Você quer que eu acredite que salvou minha esposa porque eu não atendi o telefone?

Enzo sorriu.

Um sorriso curto. Preciso.

— Não. — respondeu. — Quero que você aceite que, se eu não tivesse passado por ali… ela estaria morta agora.

Rafael levantou o punho.

Parou a um centímetro do rosto dele.

O monitor cardíaco apitou mais rápido por um segundo.

Enzo não piscou.

— Faz isso. — disse. — Aqui. Agora. Na frente dela.

Rafael respirava pesado.

O quarto parecia pequeno demais para conter o que crescia ali.

Foi então que Valentina se mexeu novamente.

O rosto se contorceu num reflexo de dor.

— Não… — murmurou, confusa, os olhos ainda fechados. — Por favor… não…

Enzo saiu do aperto de Rafael sem dificuldade real.

Voltou-se imediatamente para a cama.

Segurou a mão dela de novo.

— Shh… — disse, inclinando-se levemente. — Tá tudo bem. Acabou. Eu tô aqui.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário