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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 89

Valentina acordou antes do sol. Não porque dormira bem — mas porque o corpo não aceitava mais descansar. Havia um cansaço diferente agora. Não o físico. Era como se a mente estivesse em alerta permanente, esperando o próximo impacto.

Ela piscou devagar.

O teto branco não a assustou daquela vez. Reconheceu o quarto. Reconheceu o cheiro. Reconheceu o bip distante do monitor. Isso ajudou… um pouco.

Bianca estava ali.

Sentada na cadeira ao lado da cama, os braços cruzados, a cabeça levemente inclinada para trás. Dormia mal, daquele jeito que não é descanso, só vigília com os olhos fechados.

Valentina observou a amiga por alguns segundos.

Sentiu algo apertar no peito.

— Bi… — chamou, baixo.

Bianca despertou na mesma hora, como se nunca tivesse dormido de verdade.

— Oi. — respondeu imediatamente, levantando-se. — Como você tá?

Valentina demorou a responder.

Não sabia exatamente.

— Cansada. — disse, por fim.

Bianca assentiu, compreendendo mais do que perguntava.

— O médico vem hoje cedo. — disse. — Ele quer te liberar, se você aguentar.

Valentina franziu a testa.

— Liberar pra onde?

Bianca hesitou por um segundo.

— Pra casa.

A palavra caiu pesada.

Casa.

Não soava como abrigo. Soava como algo distante. Quase teórico.

Valentina engoliu em seco.

— Ele… — começou, mas parou.

Bianca percebeu.

— O Rafael pediu que tudo fosse organizado. — respondeu com cuidado. — Não veio ontem à noite.

Valentina desviou o olhar para a janela.

— Tudo bem. — disse. — Não precisa explicar.

Bianca não insistiu.

Alguns minutos depois, a médica entrou acompanhada de uma enfermeira. Falou de exames, de medicação oral, de repouso relativo. Falou de acompanhamento psicológico, de retorno em dias específicos.

Valentina ouviu tudo como quem recebe instruções em outro idioma — entendia as palavras, mas não o peso delas.

— O corpo está reagindo bem. — concluiu a médica. — Mas a recuperação emocional leva tempo. Não force nada.

Valentina assentiu.

Bianca assinou os papéis.

Pouco depois, uma enfermeira trouxe a cadeira de rodas.

— É só para o deslocamento, senhora. — explicou.

Valentina olhou para o objeto por um segundo a mais do que o necessário.

Depois sentou.

O corredor parecia mais longo do que quando chegara. Pessoas passavam. Conversas normais. Risadas baixas. Alguém reclamando do café.

O mundo seguia.

Ela não.

Na saída, Moreira aguardava.

Impecável como sempre. Terno escuro. Postura rígida. Olhar profissional.

— Senhora Montenegro. — cumprimentou, com um leve aceno de cabeça. — O carro está pronto.

— Obrigada, Moreira.

Bianca ajeitou a bolsa no ombro e caminhou ao lado da cadeira.

— O senhor Montenegro pediu para levá-las diretamente. — continuou Moreira.

— Ok.

O carro deslizou pela cidade com suavidade excessiva. Vidros escuros. Silêncio interno. Lá fora, São Paulo acontecia.

Valentina observava tudo como quem assiste a um filme sem som.

Pessoas atravessando a rua. Uma mulher rindo ao telefone. Um casal discutindo dentro de um carro parado no semáforo.

Vida comum.

— Parece que nada aconteceu. — murmurou, quase sem perceber que falou em voz alta.

Bianca virou o rosto para ela.

— Mas aconteceu. — respondeu. — E está tudo bem, querida. Erga a cabeça e não se esqueça, você é incrível.

Valentina sorriu, ainda existe coisas boas na vida.

A mansão Montenegro surgiu como um bloco sólido no fim da rua privada. Portões altos. Segurança discreta. Jardins impecáveis demais para aquele momento.

O carro parou.

Moreira desceu primeiro, abriu a porta.

— Estamos em casa, senhora.

Valentina respirou fundo antes de sair.

O ar ali parecia diferente. Mais frio. Mais controlado.

Bianca segurou sua mão.

— Um passo de cada vez. — disse.

Valentina assentiu.

Perfeito. Então vamos sem pressa, sem espetáculo, sem redenção fácil.

A casa Montenegro estava silenciosa demais.Valentina sentiu isso no instante em que atravessou o saguão principal.

O mármore claro refletia a luz do fim da tarde. Tudo impecável. Tudo no lugar.

Bianca caminhava ao lado dela, atenta, o corpo levemente inclinado como quem se prepara para intervir a qualquer momento.

Ele atravessou o saguão e parou no mesmo nível das duas.

O olhar passou por Valentina. Não se demorou.

Depois voltou-se para a mãe.

— Sempre mantivemos certas coisas longe do público. — continuou, a voz calma demais para ser casual. — Inclusive suas jogatinas de quinta-feira.

O silêncio foi imediato.

Bianca prendeu a respiração.

Vitória não piscou.

Mas algo endureceu no maxilar.

— Cuidado com o tom. — advertiu ela.

Rafael sustentou o olhar.

— Cuidado com o alvo. — respondeu. — Porque não foi ela quem trouxe problemas para esta família. Eles sempre existiram.

Vitória estreitou os olhos.

— Está defendendo?

Rafael deu um meio sorriso sem humor.

— Estou colocando limites.

Ele se virou levemente para Valentina.

— Você pode subir. — disse, simples. — Bianca pode ficar com você se quiser as enfermeiras logo vão chegar.

Valentina hesitou um segundo.

Depois assentiu.

Não agradeceu. Não discutiu.

Subiu as escadas com Bianca ao lado, sentindo as pernas pesadas, mas algo diferente no peito.

Não segurança. Mas respaldo.

Atrás delas, Vitória permaneceu imóvel.

— Você está se esquecendo de quem manda nesta casa. — disse, fria.

Rafael virou-se apenas o suficiente para responder.

— Não. — disse. — Só estou lembrando quem limpa a sujeira dessa família, deixe-a em paz, ela passou dias difíceis e se seu prazer é torturar, saiba que depende dela nosso sucesso.

Vitória não respondeu.

Mas o jogo estava claro agora.

No alto da escada, Valentina parou por um instante.

Não olhou para trás.

Mas ouviu.

E entendeu.

A casa Montenegro continuava sendo um campo minado.

Só que, pela primeira vez, alguém tinha escolhido onde ela podia pisar.

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