Entrar Via

Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 88

— NÃO!

O som rasgou o ar antes mesmo de virar palavra.

O corpo de Valentina arqueou na cama, os músculos contraídos, a respiração descompassada como se estivesse fugindo de algo que ainda estava ali. O grito saiu inteiro, sem freio, sem consciência — um não que não era pedido, era defesa.

— Não… não… não…

A cabeça se movia de um lado para o outro, negando algo invisível. Os dedos se fecharam no lençol com força demais. O monitor respondeu, acelerado, como se acompanhasse o pânico que não cabia mais dentro dela.

Bip.

Bip.

Bip—bip—bip.

— Valentina! — a voz chegou perto, urgente. — Ei… sou eu. Bianca. Você tá aqui comigo.

Mas Valentina não estava ali.

Ela estava lá.

A lâmpada balançava.

Rangendo.

Rangendo.

O som entrava na cabeça como agulha.

O cheiro vinha primeiro — cigarro, ferrugem, poeira velha. O ar pesado. O gosto metálico na boca. O corpo no chão.

— Acordada ainda?

A voz surgia sempre do mesmo lugar: acima. Dominante. Divertida.

— Cinco horas, madame…

O tempo não existia mais. Só dor acumulada. Só espera. Só o corpo aprendendo a apanhar em silêncio.

— Para de chorar. Ele não vem.

O tapa não vinha com aviso.

Vinha seco.

Rápido.

O mundo virava para o lado.

— Olha pra mim quando eu falo com você.

Valentina tentou se encolher na cama.

No hospital, o corpo repetia o gesto.

— Por favor… — ela chorou, agora em voz alta. — Por favor… não…

Bianca segurou a mão dela, tentando ancorar.

Valentina puxou de volta como se o toque queimasse.

— Eles vão voltar… — murmurou, os olhos fechados com força. — Eles sempre voltam…

O ar não entrava direito. O peito subia e descia rápido demais.

E então—

Tiros.

Secos.

Perto.

O som atravessou o sonho como faca.

— Matem todos. Não deixa ninguém pra contar história.

O corpo de Valentina estremeceu inteiro.

— NÃO!

O grito voltou. Mais alto. Mais quebrado.

Bianca levantou num salto, o coração na garganta.

— Val, olha pra mim! — pediu, quase implorando. — Você tá no hospital. Acabou. Eles não estão aqui.

Mas o medo não escuta explicação.

Valentina chorava como quem ainda apanha.

— Não me deixa… — a voz saiu infantil, irreconhecível. — Não me deixa sozinha…

Bianca virou-se para a porta, desesperada.

— Preciso da médica! — chamou, já saindo. — Agora!

O quarto ficou grande demais.

E vazio.

Foi nesse instante que Rafael entrou.

Ele parou na soleira por um segundo — o suficiente para ver.

Não a mulher firme. Não a advogada afiada. Não a esposa que negociava tudo com distância.

Mas aquela.

Frágil. Desfeita. Perdida dentro do próprio corpo.

O som do choro dela atravessou algo que ele não tinha nome.

Rafael não pensou.

Não calculou.

Não pediu permissão ao contrato, ao orgulho, a nada.

Atravessou o quarto em dois passos e a puxou contra o peito, com cuidado bruto, como se segurasse algo que podia quebrar de vez.

— Shh… — murmurou, a voz baixa, firme. — Eu tô aqui.

Valentina se debateu um instante.

Depois cedeu.

O corpo reconheceu o peso. O calor. O ritmo da respiração.

A mão dela se fechou na camisa dele como se fosse a última coisa real no mundo.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário