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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 9

O relógio da sala de jantar marcava 20h em ponto quando a porta se abriu.

Valentina entrou.

O som dos saltos ecoou no mármore, e, por um instante, o salão inteiro pareceu parar.

As conversas cessaram. O tilintar dos talheres morreu.

O olhar de todos Vittoria, Helena, Enzo, até o velho Augusto voltou-se para ela.

Ela usava um vestido bege de corte reto, discreto demais para a pompa Montenegro, mas elegante o bastante para incomodar quem esperava vê-la tropeçar. O cabelo estava liso, preso em um coque preciso; o rosto, sereno e pálido, moldado pela nova máscara que Clara ajudara a construir.

Rafael, à cabeceira, segurava uma taça de vinho tinto.

Os dedos dele se fecharam com força no cristal quando a viu.

Nenhuma palavra, mas o gesto bastava algo nele vacilou por dentro, ainda que o rosto permanecesse imóvel.

Vittoria foi a primeira a quebrar o silêncio.

— Ora, ora... — murmurou, inclinando a taça e avaliando a nora de cima a baixo. — Parece que a advogada... ficou interessante.

O sorriso dela era cortante, feito de vidro.

Helena inclinou-se na cadeira, o olhar felino.

— Realmente. — completou, num tom carregado de veneno doce. — Quem diria que um contrato faria tão bem a uma mulher?

Enzo soltou uma risadinha debochada.

— Confesso, primo, esperava mais. — comentou, sem cerimônia. — A italiana era mais... atraente. Essa tem cara de quem nunca pecou. Combina com você.

Rafael ergueu o olhar, lento, perigoso, mas não disse nada.

Valentina sentiu o sangue subir às bochechas, mas respirou fundo, dominando o tremor que ameaçava a voz.

— Boa noite. — disse, simples. — Desculpem o atraso.

A resposta foi o silêncio.

Ela caminhou até seu lugar, sentou-se e abaixou a cabeça.

Os talheres voltaram a se mover, o som metálico enchendo o espaço que ninguém ousava preencher com conversa.

O jantar seguiu em um desconforto meticulosamente polido.

O garçom servia vinho e pratos como se pisasse sobre gelo fino.

Vittoria e Helena trocavam olhares, Enzo sorria sozinho, e Rafael comia em silêncio, o olhar preso na taça como se cada gole fosse um escudo.

Valentina manteve os olhos baixos. O garfo nas mãos, o prato intocado.

A comida parecia pedra na garganta.

Ela ouvia fragmentos de conversas negócios, política, futilidades e se sentia invisível, deslocada, um erro bem-vestido.

De vez em quando, arriscava levantar os olhos e o encontrava.

Rafael.

O olhar dele estava lá, fixo, estudando, mas indecifrável.

Nem reprovação, nem ternura só um cálculo silencioso, o tipo que faz uma pessoa se sentir despida por dentro.

Quando o relógio marcou 21h, Rafael colocou os talheres sobre o prato.

O som seco ecoou como um tiro.

Ninguém se mexeu.

Ele limpou os lábios com o guardanapo e se levantou.

— Com licença. — disse, a voz baixa, mas firme.

O gesto bastou para que todos largassem os talheres.

Era o código Montenegro: se o patriarca falava, os demais se calavam.

Ele deixou o salão sem olhar para trás.

Valentina permaneceu sentada por um instante, o coração acelerado, o corpo inteiro tenso.

Depois pousou o guardanapo sobre o prato e se levantou também.

— Boa noite. — murmurou, antes de sair.

Subiu as escadas em silêncio.

Cada degrau parecia mais alto que o anterior.

Quando chegou ao quarto, trancou a porta e encostou-se nela, respirando com dificuldade.

O espelho a esperava, refletindo a mulher perfeita que Rafael queria mostrar ao mundo.

Capítulo 9 — O Banquete dos Sussurro. 1

Capítulo 9 — O Banquete dos Sussurro. 2

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