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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 97

Rafael saiu do escritório depois das vinte e duas horas.

Não houve despedidas longas, nem explicações. Apenas fechou a pasta, ignorou os relatórios que ainda piscavam na tela do computador e pegou o casaco com um gesto seco. Moreira percebeu — sempre percebia —, mas não perguntou nada.

— Não precisa do carro, senhor? — arriscou.

— Não. — respondeu Rafael. — Vou encontrar o Lucas.

Era tudo.

O clube estava cheio o suficiente para parecer vivo, mas silencioso o bastante para não incomodar homens que queriam beber sem serem notados. Luz baixa, madeira escura, garçons que sabiam quando falar e, principalmente, quando não falar.

Lucas já estava lá.

Sentado no mesmo lugar de sempre, copo na mão, rindo de alguma coisa no celular. Levantou o olhar quando sentiu a presença antes mesmo de vê-la.

— Olha só… — disse, abrindo um sorriso torto. — Quem desceu do Olimpo.

Rafael puxou a cadeira e sentou sem responder. Tirou o casaco, jogou no encosto e fez um gesto curto para o garçom.

— Uísque. — disse. — Duplo.

Lucas arqueou a sobrancelha.

— Dia ruim?

— Dia longo. — corrigiu.

O copo chegou. Rafael bebeu de uma vez só, como se o líquido fosse água. Lucas observou em silêncio por dois segundos — o tempo exato de um amigo perceber que algo não estava dentro do padrão.

— Você costuma saborear quando está no controle. — comentou. — Hoje parece… decidido.

Rafael não respondeu. Apenas fez outro gesto para o garçom.

O segundo copo veio. Depois o terceiro.

O tempo começou a perder definição entre um gole e outro. A conversa passou por negócios, ironias sobre o mercado, comentários soltos sobre gente inútil demais para ocupar cargos importantes. Lucas ria. Rafael murmurava.

Até que, no meio de um silêncio estranho, Rafael franziu o cenho.

— Montblanc. — disse, de repente, como se a palavra tivesse gosto ruim na boca.

Lucas piscou.

— O quê?

Rafael virou o copo devagar, observando o gelo girar.

— Montblanc. — repetiu, com um meio sorriso torto. — Doce idiota. Caro. Pequeno. Ridículo.

Lucas riu.

— Desde quando você odeia doce?

— Não odeio. — Rafael respondeu. — Só… não entendo.

Bebeu mais um gole.

— Eu daria a fábrica inteira pra ela se ela me pedisse. — disse, sem pensar. — A fábrica inteira de doces. Só pra não ver aquele sorriso quando outro aparece com isso.

Lucas engasgou com a própria bebida.

— Você o quê?!

Rafael apontou o copo para ele, o olhar pesado, levemente turvo.

— Montblanc. — murmurou de novo. — Castanha. Sei lá. Aquilo suja o canto da boca e ela nem percebe.

Lucas começou a rir alto.

— Meu Deus… — disse, passando a mão no rosto. — Você tá bêbado.

— Claro que não. — Rafael respondeu. — Eu sei me controlar.

Bebeu de novo.

O riso de Lucas diminuiu quando Rafael apoiou o cotovelo na mesa e levou a mão à testa.

— Enzo só gosta de si mesmo. — disse, com desprezo mal disfarçado. — Trouxa. Acha que é herói porque salvou ela.

Lucas abriu a boca para responder, mas Rafael continuou.

— Eu movi o mundo por causa dela. — disse, mais baixo agora. — Inteligência, dinheiro, gente que nem existe em papel. Quebrei acordos. Ameacei pessoas que não deveriam ser ameaçadas.

Levantou o olhar, pesado.

— E ela nem me disse obrigado.

Lucas ficou em silêncio.

Rafael riu. Um riso curto. Amargo.

— Ridículo, né? — murmurou. — Um homem do meu nível esperando gratidão.

Lucas respirou fundo.

— Você não fez isso pra ouvir obrigado.

Rafael fechou os olhos por um instante.

— Fiz pra ela estar viva. — disse. — Mas parece que isso não conta se você não aparece com um doce na mão.

O copo bateu na mesa com mais força do que deveria.

Lucas levantou a mão.

— Ok. — disse. — Chega por hoje.

— Não. — Rafael respondeu, já fazendo sinal para outro uísque. — Hoje eu bebo.

Lucas o observou com atenção agora. Não era brincadeira. Não era farra. Era um homem que não sabia onde colocar algo que tinha escapado do controle.

— Se você continuar assim, eu vou ter que ligar pra alguém. — disse.

Rafael riu, inclinado para trás na cadeira.

— Pra quem? — provocou. — Minha mãe? Moreira?

Lucas não respondeu de imediato.

— Pra Valentina.

O nome caiu no ar como uma chave girando errada numa fechadura.

Rafael ficou imóvel por um segundo longo demais.

Depois bebeu tudo de uma vez.

— Ela não viria. — murmurou.

Lucas fechou os olhos.

— Você tá impossível.

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