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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 98

Valentina acordou antes do céu clarear por completo.

Não foi o relógio.

Foi o corpo.

Havia um peso estranho no peito, como se o ar tivesse ficado denso demais durante o sono. Ela abriu os olhos devagar, piscando contra a penumbra do quarto que não era o seu.

Demorou alguns segundos para entender onde estava.

O silêncio era diferente. Mais profundo. Mais caro.

E então o cheiro veio.

Masculino. Familiar. Presente demais.

Rafael.

O braço dele ainda repousava sobre sua cintura, frouxo agora, pesado pelo sono profundo. A respiração era irregular, carregada, marcada pelo excesso da noite anterior. Ele dormia como alguém que tinha caído — não como alguém que descansou.

Valentina ficou imóvel.

O coração acelerou num ritmo desconfortável, não por medo, mas por consciência. Aquela posição… aquele contato… aquilo não fazia parte de nenhum acordo.

A lembrança veio em flashes desconexos:

o clube,

a voz dele mais baixa do que nunca,

o carro em silêncio,

o quarto,

o pedido quase infantil — fica.

Ela fechou os olhos por um segundo.

Nada tinha acontecido.

Mas também nada tinha sido simples.

Com um cuidado quase doloroso, começou a se mover. Primeiro, afastou milímetros do corpo dele. Depois, com a ponta dos dedos, retirou o braço pesado da própria cintura e o apoiou de volta na cama, como se estivesse lidando com algo frágil demais para cair.

Rafael resmungou algo incompreensível e virou o rosto, afundando-o no travesseiro.

Valentina congelou.

Esperou.

O silêncio voltou a se instalar.

Só então se levantou. Pegou os sapatos na mão para não fazer barulho. Olhou para ele uma última vez — deitado de lado, o maxilar relaxado, o rosto sem defesas. Um Rafael que quase ninguém via.

— Isso não pode acontecer de novo… — murmurou, para si mesma.

Saiu do quarto sem acender a luz.

O corredor parecia maior àquela hora. Cada passo ecoava dentro dela mais do que no chão. Ao virar , não percebeu a figura parada próximo à porta lateral.

Mas Clara percebeu.

Ela estava ali havia alguns minutos. Os olhos atentos demais. O corpo rígido demais para uma simples funcionária.

Clara viu Valentina sair do quarto de Rafael.

Descalça.

Cabelos soltos.

O rosto ainda marcado pelo.

Valentina não a viu.

Passou direto, alheia ao olhar que a acompanhava com intensidade silenciosa até desaparecer no corredor que levava aos quartos.

Clara não se moveu.

Não fez barulho.

Não reagiu.

Apenas registrou.

Quando o corredor ficou vazio, ela respirou fundo. Mas algo dentro dela já tinha se deslocado.

Valentina entrou em seu quarto e fechou a porta com cuidado. Encostou-se nela por um segundo a mais do que pretendia.

Levou a mão ao peito.

Vergonha.

Confusão.

Tomou um banho rápido, como se a água pudesse organizar o que a mente ainda não entendia. Vestiu-se com roupas simples, neutras, como se quisesse desaparecer dentro delas.

Quando o dia começou a clarear de vez, ela já estava pronta para descer.

Rafael acordou com a cabeça latejando.

A boca seca. O corpo pesado. Um cansaço que não combinava apenas com álcool. Ele abriu os olhos com dificuldade, piscando contra a luz fraca que entrava pelas cortinas.

Algo estava errado.

Virou-se de lado.

O espaço ao lado da cama estava vazio.

Frio demais para ter sido abandonado há pouco.

Rafael franziu a testa e se sentou devagar. Passou a mão pelo rosto, tentando puxar a memória da noite anterior.

Fragmentos.

Lucas.

Uísque.

Apertou os olhos com força.

Pegou o celular na mesa de cabeceira. Nenhuma mensagem estranha. Nenhuma ligação perdida. Nada fora do comum.

E, ainda assim, algo incomodava.

Levantou-se. Pegou a toalha. Foi direto para o banho, deixando a água fria cair sem piedade, como sempre fazia quando precisava se recompor.

Quando saiu, o quarto já estava diferente.

Tudo organizado. O terno separado. A gravata alinhada. As abotoaduras no lugar exato.

Clara estava ali.

— Bom dia, senhor. — disse, sem erguer demais o olhar.

Rafael passou por ela sem responder. Vestiu-se com a eficiência de quem faz aquilo todos os dias. Para ele, era rotina. Clara fazia parte do funcionamento da casa, nada além disso.

Ajustou o relógio no pulso, pegou o paletó e caminhou em direção à porta.

Sem olhar para trás.

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