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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 10

Quando me olhei no espelho, não me reconheci. A maquiadora tinha feito um excelente trabalho, minha pele parecia mais saudável, menos pálida e doente. O penteado era um coque elegante, cuidadosamente montado para parecer quase despenteado.

O vestido era maravilhoso. Moldava-se ao meu corpo de forma perfeita, além de ser muito confortável. A sandália era um espetáculo. Eu estava um espetáculo. Pela primeira vez em muito tempo, olhava no espelho e me achava maravilhosa e não apenas uma sombra ambulante com pena de si mesma.

O jantar de aniversário da avó de Augusto havia chegado e, apesar de me sentir linda, comecei a ficar realmente nervosa. Augusto tinha tudo planejado, mas a história parecia frágil, boba. Quem acreditaria? Eu não sabia como me portar diante daquelas pessoas que, pelas fotos que havia pesquisado na internet, pareciam assustadoras e intimidadoras.

Estava quase desistindo quando Augusto chegou para me buscar. Ao me ver, não disfarçou nem um pouco o olhar que percorreu meu corpo. Senti meu rosto queimar. Fazia muito tempo que alguém me olhava daquela forma, com desejo. Tanto tempo que eu já tinha esquecido como era ser desejada.

Sem saber o que fazer, cumprimentei-o e entrei no carro. Augusto dirigiu em silêncio por um tempo e antes de chegar na casa, parou o carro.

— Vamos acertar algumas coisas. Primeiro, Isa, minha querida, você precisa sorrir um pouco. Aliás, não só um pouco, muito. Tem que parecer feliz, e, no momento, você não parece feliz. Entende?

Eu tinha desaprendido a sorrir. Entendi o ponto dele, precisava parecer uma namorada apaixonada. Mas ali, dentro do carro, percebi que não sabia mais como usar nem os músculos do rosto.

— Isa, meu amor, eu sei que você consegue — Augusto insistiu.

— Meu amor?

— Você é minha namorada, lembra? Tenho que te chamar de “meu amor”, “querida”, “gostosa”...

Corei e fechei os olhos, me concentrando em forçar um sorriso genuíno. O pior era imaginar ter que sustentar aquilo pelo resto da noite. Ainda assim, sorri, mas senti que era uma expressão falsa.

— Lindo. Se ficar um pouco menos tenso, será perfeito.

— Isso não vai dar certo. Não tem como eu sustentar isso a noite toda.

— Podemos colocar a culpa no nervosismo.

— Não, não. Isso é loucura, não vai dar certo.

— Ei, ei, sem pânico. Tenho certeza de que vamos ser ótimos.

— Como você pode ser tão autoconfiante?

— Vou te dar uma aula, meu amor. Treina esse sorriso. Pensa em filhotes de cachorro, chocolate, qualquer coisa. Depois que chegarmos lá, uma taça de champanhe vai te ajudar a se soltar.

— Minha casa é meu refúgio. Não levo qualquer pessoa para lá. Tenho outro apartamento, onde algumas mulheres acreditam que eu moro.

— Eu achava que você não valia nada, mas na verdade você é um verdadeiro cretino.

— Assim você magoa meu coração, meu amor. Elas não eram especiais o suficiente para conhecer meu canto. Além do mais, nunca enganei ninguém, nunca prometi compromisso nem fidelidade. Algumas simplesmente acreditaram que eram a pessoa certa para me colocar nos trilhos. — A ironia transbordava em sua voz.

Pensei em argumentar, mas não era da minha conta. Já tinha um papel difícil pela frente e decidi me concentrar nele.

— Mais alguma coisa, o que eu tenho que esperar da sua família?

— Minha mãe é uma mulher elegante, ela não vai falar nada na frente da minha avó, muito menos meu pai, o problema talvez seja Diana, minha irmã não mede as palavras, se prepara que ela vai partir para o ataque, ela pode ser maldosa e vai querer te testar.

Engoli o nervosismo, achei que só precisava ficar ao lado de Augusto e fazer o papel de namorada e futuramente de esposa, mas pelo jeito não seria tão simples assim.

Augusto digiriu o restante do caminho em silêncio. O lugar era uma mansão, maior do que eu esperava. Minha casa era grande, mas comparada àquela, parecia uma casinha de boneca. Projetada em estilo romano, com direito a colunas imponentes, me fez perceber que os nomes da família não eram à toa, vinham de imperadores. E agora eu estava prestes a conhecê-los de perto.

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