Quando me olhei no espelho, não me reconheci. A maquiadora tinha feito um excelente trabalho, minha pele parecia mais saudável, menos pálida e doente. O penteado era um coque elegante, cuidadosamente montado para parecer quase despenteado.
O vestido era maravilhoso. Moldava-se ao meu corpo de forma perfeita, além de ser muito confortável. A sandália era um espetáculo. Eu estava um espetáculo. Pela primeira vez em muito tempo, olhava no espelho e me achava maravilhosa e não apenas uma sombra ambulante com pena de si mesma.
O jantar de aniversário da avó de Augusto havia chegado e, apesar de me sentir linda, comecei a ficar realmente nervosa. Augusto tinha tudo planejado, mas a história parecia frágil, boba. Quem acreditaria? Eu não sabia como me portar diante daquelas pessoas que, pelas fotos que havia pesquisado na internet, pareciam assustadoras e intimidadoras.
Estava quase desistindo quando Augusto chegou para me buscar. Ao me ver, não disfarçou nem um pouco o olhar que percorreu meu corpo. Senti meu rosto queimar. Fazia muito tempo que alguém me olhava daquela forma, com desejo. Tanto tempo que eu já tinha esquecido como era ser desejada.
Sem saber o que fazer, cumprimentei-o e entrei no carro. Augusto dirigiu em silêncio por um tempo e antes de chegar na casa, parou o carro.
— Vamos acertar algumas coisas. Primeiro, Isa, minha querida, você precisa sorrir um pouco. Aliás, não só um pouco, muito. Tem que parecer feliz, e, no momento, você não parece feliz. Entende?
Eu tinha desaprendido a sorrir. Entendi o ponto dele, precisava parecer uma namorada apaixonada. Mas ali, dentro do carro, percebi que não sabia mais como usar nem os músculos do rosto.
— Isa, meu amor, eu sei que você consegue — Augusto insistiu.
— Meu amor?
— Você é minha namorada, lembra? Tenho que te chamar de “meu amor”, “querida”, “gostosa”...
Corei e fechei os olhos, me concentrando em forçar um sorriso genuíno. O pior era imaginar ter que sustentar aquilo pelo resto da noite. Ainda assim, sorri, mas senti que era uma expressão falsa.
— Lindo. Se ficar um pouco menos tenso, será perfeito.
— Isso não vai dar certo. Não tem como eu sustentar isso a noite toda.
— Podemos colocar a culpa no nervosismo.
— Não, não. Isso é loucura, não vai dar certo.
— Ei, ei, sem pânico. Tenho certeza de que vamos ser ótimos.
— Como você pode ser tão autoconfiante?
— Vou te dar uma aula, meu amor. Treina esse sorriso. Pensa em filhotes de cachorro, chocolate, qualquer coisa. Depois que chegarmos lá, uma taça de champanhe vai te ajudar a se soltar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido