"Augusto"
Isabella estava um espetáculo. Se não fosse pela expressão séria e pela aparente incapacidade de sorrir de forma espontânea, eu diria que era uma nova mulher. Mas ela ainda carregava aquela expressão tensa e triste no rosto.
Quando chegamos, ela olhou em volta, admirada. Eu me preparei para levá-la à cova dos leões. Entramos juntos, e coloquei a mão em suas costas, bem no ponto em que o decote terminava. Senti sua pele quente contra a minha mão. Não podia negar, se Isabella quisesse, poderíamos tornar esse acordo bem mais prazeroso.
Minha família estava reunida na sala, meu pai, minha mãe, meus irmãos em volta da vovó e alguns parentes circulando por ali.
Claro que todos os olhares se voltaram para nós assim que passamos pela porta. Isabella ficou tensa e forçou um sorriso, dando um “oi” trêmulo.
Minha mãe foi a primeira a se manifestar.
— Eu sou a Úrsula, mãe desse menino aqui. Vem, fica à vontade, quer uma bebida? É a primeira vez que o Guto traz uma namorada em casa, então é uma grande novidade. Nunca imaginei que esse dia fosse chegar — disse, já puxando Isabella para a poltrona ao lado.
— Prazer, eu sou a Isabella e feliz aniversário, muito obrigada por me receber.
— Seja bem-vinda, faz tempo que não temos uma novidade interessante por aqui - Minha avó falou com um sorriso divertido, tinha certeza que ela estava adorando a situação.
— Então você é a famosa Isabella? A mulher que conquistou o coração do meu irmãozinho? — disse Diana, minha irmã, em tom ácido, com um olhar maldoso. Ela gostava de intimidar, e Isabella só precisava aguentar firme.
— Então conta, qual é o segredo? Como conquistou o nosso querido Guto? O que você tem que todas as milhares de outras mulheres que ele levou para cama não tinham?
— Diana… — alertei, num tom firme.
— O quê? É uma pergunta legítima. Todo mundo aqui quer saber como esse “amor” nasceu, afinal todas as mulheres da cidade tentaram e não conseguiram.
Antes que eu mandasse minha irmã calar a boca, Isabella respondeu:
— Na sala de química. Um dia, na escola, a professora pediu um trabalho em dupla e me sorteou com o Augusto. Mas ele era preguiçoso, e eu… um pouco nerd, queria nota máxima. Discutimos. Então aconteceu um beijo. Foi o meu primeiro beijo. Ali eu soube que gostava do Augusto, mas éramos novos demais, a escola estava terminando e cada um seguiria seu caminho. Preferi fingir que nada tinha acontecido… até nos reencontrarmos agora e eu descobrir que aquele beijo não foi especial só para mim.
Todos ficaram em silêncio, encarando a minha namorada, Diana parecia desconfiada, mas sem ter como rebater. Isabella tinha pegado o espírito da coisa. Até aquele momento, ninguém sabia daquele beijo. Na escola, nunca contei, mas me lembrava bem, Isabella entregue nos meus braços, um beijo lento, profundo. Tão intenso… teria sido mesmo o primeiro dela?
— Romântico. Parece um roteiro ruim de filme de sessão da tarde. — Diana ironizou.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido