"Diana"
— Eu sei que é a casa. Por que não posso tirar a venda? — falei rindo, ainda achando graça no fato de Ícaro ter me levado até o carro, colocado uma venda nos meus olhos e prometido uma surpresa.
— Não estraga a surpresa, coração.
Ri novamente, ajustando a venda, não achava que ele já conseguiria uma casa tão rápido.
O trajeto demorou. Demorou mais do que eu esperava, o que significava que ele tinha escolhido outro bairro, me senti ansiosa para saber onde ficava a surpresa. Ícaro colocou uma música suave e pediu para eu relaxar. Desde que ele tinha comentado sobre o projeto de comprar outra casa, vinha fazendo mistério. Agora eu tinha certeza de que era isso que ele iria me mostrar. Só não fazia ideia se pretendia comprar algo pronto, construir do zero ou reformar. Sempre que eu perguntava, ele sorria e dizia que, no tempo certo, eu saberia.
O carro finalmente parou. Ícaro desceu primeiro e, logo em seguida, abriu a minha porta, ajudando-me a sair e a caminhar alguns passos. Ouvi o rangido do portão se abrindo.
— Pronto. Agora pode tirar a venda.
Ele desamarrou o tecido com cuidado. Pisquei algumas vezes até meus olhos se acostumarem à luz.
— Essa é a nossa casa — disse ele, me abraçando por trás.
O que vi superou qualquer expectativa. A casa ainda estava em reforma, mas já era linda. Dois andares, estilo colonial com toques modernos. A fachada tinha o revestimento de pedra, e uma grande área envidraçada sugeria uma sala ampla e iluminada. Era um lugar com personalidade, com o cuidado de alguém que fazia tudo bem feito. Tinha a cara dele.
— Ícaro… é linda.
— A reforma ainda vai demorar um pouco. Esse quintal vai ser todo gramado. Tem uma piscina lá atrás, uma sala grande, cozinha e espaço para montar um escritório e cinco quartos no andar de cima.
— Cinco quartos? Quantos filhos nós vamos ter?
— Quantos você quiser. Mas eu sempre quis um time de futebol — respondeu, acariciando minha barriga.
— Calma lá, vamos com calma, mas é muito linda — repeti, ainda sem acreditar, admirando tudo.
— Era um projeto que eu estava fazendo para um cliente, mas ele desistiu e foi embora da cidade. Surgiu a oportunidade de comprar e eu achei perfeita para nós. A Valentina vai enlouquecer com a piscina.
Não consegui segurar a emoção. Era muito carinho, muito amor. Ícaro me puxou pela mão, mostrando o que pretendia fazer, perguntando o que eu gostaria de mudar, de acrescentar.
— A cozinha é por sua conta. Eu ainda não sei fritar um ovo — brinquei, ele sabia que era verdade, na cozinha eu continuava sendo um desastre.
Subimos para o andar de cima. O espaço era amplo, ventilado, cheio de luz natural.
— Vou colocar uma varanda no nosso quarto. Você pode decorar como quiser. Sofá, poltronas, rede…
— E se eu disser que quero uma mesa de escritório?
— Isso seria totalmente a sua cara.
Ficamos ali por um tempo, imaginando nossa vida naquele lugar. Eu nunca tinha participado de uma reforma. Sempre morei com meus pais, tudo já estava pronto. Agora era diferente. Era a nossa casa. E descobri ao lado de Icaro que queria um cantinho com a nossa identidade, aos poucos uma Diana que eu não sabia que existia tomava forma, descobria a si mesma.
— Quero ajudar com o dinheiro, você não pode bancar tudo isso sozinho.
— Diana…
— Amor, não seja assim — disse, beijando-o. — Quero que sejamos parceiros. Transparentes em relação a tudo e não quero que você carregue tudo sozinho só porque acha que deve.
Ele suspirou e sorriu, me beijando.
— Você tem razão. Vamos fazer isso juntos.
Aquele sorriso me fez derreter por dentro. Tive certeza de que estava ficando romântica demais.
Saímos pelo portão e observei a rua: calma, arborizada, com várias casas bonitas. Parecia um lugar perfeito para viver.
O som de uma moto cortou meus pensamentos, repentina o som ficando cada vez mais alto, quando ela parou ao nosso lado e tudo pareceu entrar em câmera lenta, demorei para entender o que estava acontecendo.
— Passa o celular — um dos homens disse, descendo da moto com a arma apontada para nós.
Ícaro se colocou imediatamente à minha frente. Agarrei a blusa dele, apavorada, com uma sensação horrível no peito.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido