"Augusto"
Se o que ela dizia fosse verdade, Karina estava certa. Meu pai daria um jeito de impedir que aquela história viesse à tona.
Se, no passado, minha mãe tivesse morrido, talvez nunca soubéssemos quem era Diana. Mas uma coisa era entender os motivos; outra, muito diferente, era concordar com eles.
Karina tinha feito uma confissão. Ainda assim, eu sabia que não era ela na moto. Logo, outra pessoa estava envolvida. E agora estávamos ali, nós três… e o suposto filho dele.
— Temos que ir para a delegacia — falei com convicção.
Isabella me olhou assustada. Karina, ao contrário, parecia mais conformada.
— Não podemos fazer isso, podemos achar um jeito de ajudar — Isabella pegou no meu braço.
— Isabella, ela cometeu um crime. E, pelo desespero em fugir, posso apostar que não foi algo tão bem planejado assim. Eles já devem saber de alguma coisa. Ninguém vai deixar esse caso esfriar sem uma resolução rápida, sendo meu pai quem era.
— Mas… olha…
— Isabella, quem vai acabar como culpado sou eu. Karina, o que você fez, seja lá como fez, não foi a melhor saída. Eu sei muito bem do que meu pai era capaz, mas havia outras maneiras, poderia ter pedido ajuda para um de nós.
— Você sabe bem que não é assim — Karina me encarou, firme.
Isabella estava abalada. Queria ajudar, mas aquilo ultrapassava qualquer tentativa de proteção. A única pessoa capaz de acobertar algo daquele tamanho era meu pai — e ele estava morto. Tinha conexões, advogados, influência suficiente para nunca ser responsabilizado.
Tudo isso morreu com ele, junto com uma morte misteriosa, escândalos antigos e mais esse, que estava claro demais para ser escondido por muito tempo.
— Se eu for para a cadeia, você vai junto — Karina disse após um momento de silêncio. Uma última tentativa de sair dali com dinheiro.
— Eu não tenho nada a esconder.
— Tenho o suficiente para provar que tem, sim. Que você sabia desde o início, que arquitetou o plano…
— Karina, não vou cair nisso. Se você tem provas, vamos ver na Justiça que provas são essas. Eu posso te ajudar, mas prefiro fazer isso de bom grado, mas não posso fazer nada sob ameaça, está me entendendo?
Ela olhou em volta, com o olhar de quem não tem mais saída, tinha usado todas as armas. Se aquele fosse mesmo meu irmão, jamais o deixaria desamparado. A situação estava completamente fora de controle.
Poderíamos ficar ali debatendo para sempre, ou eu chamaria a polícia. Mas não foi necessário. Meu advogado ligou, avisando que eu estava sendo chamado novamente à delegacia para mais uma conversa.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido