"Júlia"
Acordei nos lençóis de seda de Romeo, ainda usando o colar de diamantes. Ele saiu do banheiro, já se vestindo, com a aura de quem domina o mundo.
— Tenho uma reunião importante — ele disse, ajustando o relógio. — Mas antes, quero discutir uma coisa. Imagino que tenha falado com o César sobre a gravidez, dito que o filho é dele. Antes que você venha morar aqui de vez, tenho um último trabalho para você.
Sentei-me na cama, puxando o lençol contra o peito. Romeo não dava nada de graça e já imaginava que em algum momento ele me pediria alguma coisa.
— Viktor me trouxe informações interessantes. A Lush é um ponto de interesse. O antigo dono era... "aberto" a certos negócios, mas o César é honesto demais para ser dono de uma boate. Quero que você dê um jeito de fazê-lo assinar uma venda. Eu quero a Lush e você é a única que pode me ajudar.
— Acho difícil. César jamais venderia a Lush — respondi, tentando sondar o terreno.
— Eu tenho certeza de que você consegue, não é mesmo? — Ele sentou-se ao meu lado, acariciando meu rosto com uma suavidade, carinhoso, eu não sabia nada sobre Romeo, não tinha ideia do quanto aquilo era fingimento ou não.
— Posso pensar em alguma coisa... — murmurei. Pela minha experiência Romeo não aceitava "não" como resposta.
— Essa é a minha mulher. — Ele me beijou, e meu corpo, traidor, reagiu instantaneamente à memória da noite passada. Puxei sua gravata, trazendo-o de volta para a cama. Se eu agora pertencia a Romeo, seria a melhor mulher que ele já teve.
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Quando enfim voltei para a casa da minha mãe, a máscara de "moça arrependida" já estava perfeitamente ajustada. O plano de Romeo era complexo; eu precisava descobrir se no apartamento de César havia algum documento vulnerável, com sorte uma cópia dos documentos da Lush
Mandei uma mensagem inocente para César. Eu sabia que ele já estava a par do meu escândalo com a Camila, mas eu precisava testar o nível do estrago. Ele respondeu pedindo que eu passasse na casa dele para conversarmos sobre o bebê.
Vesti meu melhor figurino maternal: roupas claras, rosto limpo, o olhar de quem só quer o bem dos filhos. Minha mãe, porém, não se deixava enganar.
— Achei que você queria uma vida decente, trabalhar, criar seu filho... mas você continua a mesma manipuladora — ela disparou enquanto eu pegava Adam no colo.
— Mãe, não tenho tempo para isso.
— Você devia ser um exemplo para esse menino, mas está dando o golpe da barriga no César! — A raiva no tom de voz da minha mãe indicava que dessa vez ela não me perdoaria, se é que tinha perdoado mesmo.
— Eu penso no Adam todos os dias! — respondi, a voz subindo de tom. — Quero que ele e esse que está na minha barriga tenham o mundo, não uma vida medíocre trabalhando por um salário miserável.
— Você fala como se trabalhar fosse um crime.
— É um crime se conformar com essa vida aqui! — Apontei para as paredes gastas da sala. Dei um beijo em Adam e saí antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa.
De qualquer forma em breve não estaria mais morando ali.
Cheguei no apartamento de César com um sorriso no rosto, que abriu a porta com uma expressão cansada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...