"César"
Eu a observei pela tela do monitor. Júlia se movia pelo meu escritório com uma confiança furtiva, vasculhando pastas e documentos, procurando alguma coisa. A cada segundo, sentia a fúria tomar conta. Como pude ser tão cego? Como pude me deixar enganar por Júlia duas vezes?
Mas agora, pela primeira vez, eu estava um passo à frente.
O que ela não sabia era que cada movimento seu estava sendo registrado. Eu não tinha dormido; passei a noite em claro, raciocinando quais seriam os próximos passos. A prova eu já tinha — mais uma, na verdade.
Decidi não confrontá-la. Ainda não, esse momento chegaria. Queria dar corda, ver até onde a ambição dela a levaria antes de o laço apertar. Meus advogados já estavam em contato com a polícia; meu objetivo era claro: Viktor e Júlia na cadeia. Não tinha dúvidas de que, em breve, outros crimes apareceriam, se Viktor estava envolvido, então isso nunca foi só um golpe. Era algo maior
Entretanto, a situação de Júlia era um nó amargo no meu estômago, por causa de Adam. O menino não merecia a mãe que tinha. Ainda assim, eu sabia que, apesar de tudo, o cuidado dela com ele era verdadeiro — talvez sua única virtude real. Mas eu também tinha uma certeza absoluta: a nova gravidez era uma mentira. Um golpe baixo para me prender.
Minha cabeça começou a doer, um latejar incômodo na têmpora.
A exaustão estava começando a cobrar seu preço. Trancado na Lush, tentava focar ao máximo e mergulhar no trabalho, mas a imagem de Júlia vasculhando meu apartamento, da foto dela com Caio e Viktor, era um lembrete constante da minha própria ignorância.
Camila tinha avisado que faria uma última apresentação e não voltaria mais. Aceitei sem discutir; não tinha o direito de pedir que ela ficasse depois de tudo. Mas também não estava preparado para olhar o monitor e ver o bar sem a presença dela ali. Era errado.
Uma batida na porta me despertou do transe. Era Fabrício, com o rosto vincado pela preocupação.
— Isaac apareceu por aqui — ele disse, sem rodeios. — Não entrou. Ficou na calçada observando, trocou algumas palavras com um segurança e saiu. Um colega de outra boate ouviu ele comentando que a Lush fecha em menos de seis meses e que ele teria o que é dele de volta. Não dei muita bola, achei que era só recalque, mas, como ele apareceu por aqui, achei melhor avisar.
— Você acha que ele tentaria alguma coisa? — perguntei, massageando as têmporas. Só faltava mais essa.
— Não sei, mas ele aparecer já é meio estranho. Pode não ser nada, mas é bom ficar de olho. E você precisa dormir um pouco. Está começando a assustar os funcionários.
— Ainda tenho muito trabalho — falei, apontando para o computador.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...