"Isabella"
Senti o alívio percorrer meu corpo quando Augusto foi liberado. Enquanto eu ainda era interrogada, só conseguia pensar nas tais provas que Karina dizia ter — especialmente na foto que ela havia enviado, da qual eu tinha certeza de que era falsa. Ainda assim, talvez a polícia não enxergasse daquela forma. Às vezes, uma prova frágil basta quando existe a chance de prender alguém grande.
Augusto me abraçou assim que me viu, ainda na delegacia. Só queria ir para casa, descansar e fingir que tudo aquilo não tinha acontecido. Mas era impossível. Ver o filho de Karina ir embora sem a mãe, sabendo que ela ficaria detida, partiu meu coração, era dificil de esquecer.
Assim que entramos no carro, falei sentindo algo entalado na garganta, na verdade era culpa.
— Me desculpa por isso… acho que não estava pensando direito.
— Você acha que eu sou o culpado? — ele perguntou, sem me olhar. — Não havia motivo para eu me encontrar com alguém que dizia ter provas contra mim se acreditasse que sou inocente.
Encarei Augusto, procurando a resposta certa. Claro que eu achava que ele era inocente. E, de fato, não havia motivo algum para ele se encontrar com uma pessoa aleatória e me colocar em perigo.
— Eu sei que você não tem nada a ver com isso, confio em você — respondi. — Mas, como eu disse, não pensei direito. Achei que alguém poderia se aproveitar desse momento para te incriminar. Pensando agora, foi uma ideia estúpida.
— Ainda bem que você reconhece — ele disse, cansado. — Mas não parece que acredita totalmente em mim. Isabella, na sua condição, você não pode fazer isso. E se fosse um louco? E se Karina tivesse outra intenção?
Augusto estava exausto, era nítido. Mas havia mágoa ali também — a minha atitude tinha colocado em dúvida algo que, para ele, nunca deveria ter sido questionado. Não me defendi. Apenas concordei com a cabeça.
Fomos para casa em silêncio, cada um preso aos próprios pensamentos.
César, que havia sido avisado por mensagem, já nos esperava na casa de Augusto. Andava de um lado para o outro, impaciente, querendo respostas.
— Karina? — perguntou assim que entramos, incrédulo. — Você está dizendo que a minha secretária era amante do meu pai… e que teve um filho dele?
— Será feito um exame de DNA para confirmar — disse Augusto, cansado, praticamente se jogando no sofá —, mas, depois de tudo o que ouvi, acho que não há motivo para duvidar.
— Eu acredito nela — falei. — Karina não teria feito o que fez se aquele não fosse filho do Marco Aurélio. E, sinceramente, não a condeno por isso.
Contei o resto da história para César, que ainda estava chocado com a informação sobre o filho, mas aquela nem era a parte mais impactante.
— Isso é uma loucura — disse ele, passando a mão pelos cabelos, nervoso. — E, de certa forma, um pouco culpa minha. Fui eu quem pediu para ela se aproximar do andar da presidência. Não acredito que ele teria coragem de fazer isso… — respirou fundo. — Na verdade, acredito sim. Meu Deus… ela confessou mesmo? É incacreditável, de todas as pessoas nunca imaginaria a Karina fazendo algo assim, ela podia ter me procurado.


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