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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 211

"César"

O parto de Julia foi inesperado, abrupto. Claro que eu não entendia nada sobre gravidez, mas tinha acreditado quando ela disse que a previsão ainda era para dali a algumas semanas.

Quando o segurei nos braços, lembrei-me das palavras de Júlia, aquele filho seria nosso, talvez. Não era homem de remoer possibilidades do passado. A verdade é que, quando me imaginava com filhos no futuro, só havia uma pessoa ao meu lado — e, para que isso acontecesse, eu precisava voltar para casa vivo.

John ainda estava providenciando alguns detalhes para organizar a fuga, acertando documentos, contatos, rotas alternativas. Não havia mais condições de voltar para casa; já não era seguro. O plano agora era sair direto do hospital para uma cidade mais distante, desaparecer por um tempo até que a poeira baixasse. Mas com um bebê recém-nascido nos braços, tudo se tornava infinitamente mais complicado. A vulnerabilidade deixava de ser apenas nossa, agora tinha nome, tinha rosto, respirava pequeno e frágil dentro de um berço.

O hospital não era grande, mas tinha uma estrutura razoável, Julia ficou sozinha no quarto, precisando de ajuda nos primeiros instantes. depois da euforia do parto quando a vi sentada na cama, com o bebê aninhado nos braços, senti algo estranho apertar meu peito. Eu nunca tinha tido muito contato com crianças; segurar aquele menino, tão pequeno e dependente, me fez perceber o tamanho da responsabilidade que estava assumindo. Em breve eu seria tio — e talvez algo mais do que isso, se fosse necessário. Julia parecia encantada, mesmo exausta, os cabelos grudados na testa, o olhar brilhando de um jeito que eu nunca tinha visto antes.

No dia seguinte, voltei ao restaurante e decidi não abrir o lugar, não fazia mais sentido. Subi para separar as coisas de Julia e do bebê. Encontrei uma mala antiga no fundo do armário, cheirando a mofo e coloquei dentro algumas roupas dela, as poucas peças de bebê que encontrei e documentos espalhados. Mas era ingenuidade acreditar que nossos movimentos passariam despercebidos. Quando desci as escadas e empurrei a porta, dois homens que eu nunca tinha visto estavam encostados na calçada, observando cada passo meu com uma calma irritante.

— Então você é verdade mesmo — um deles disse, sorrindo de uma maneira malisiosa. — Aquele inútil mal esfriou e ela já arrumou outro no lugar.

Senti o sangue ferver, mas mantive o rosto impassível.

— O que vocês querem? — perguntei, sabendo que a arma estava dentro da bolsa que eu carregava. Bastava um movimento errado e eu estava pronto para me defender.

O homem deu um passo à frente, o cheiro de cigarro barato misturado ao hálito ácido.

— O de sempre. O dinheiro. Fiquei sabendo que a criança nasceu. — Ele inclinou a cabeça, como se analisasse minha reação. — Posso ser uma alma boa e deixar passar um dia sem cobrar… ou quem sabe até quitar a dívida. Por um preço, claro. Se a sua mulher ainda estiver interessada, podemos fazer um acordo. Eu levo o bebê… e ela fica livre.

Por um segundo, o mundo ficou mudo. Senti o estômago se revirar, os dedos apertando a alça da bolsa até doer. A imagem de Julia no hospital, segurando o filho, atravessou minha mente. Controlei a respiração, lutando contra o impulso de puxar a arma ali mesmo. Em vez disso, tirei a carteira do bolso com cuidado, tentando não demonstrar o tremor nos dedos. Peguei o dinheiro e entreguei.

— Fiquem longe da Júlia e da criança — falei baixo, mas com firmeza suficiente para não deixar dúvida.

Ele contou as notas devagar, os olhos fixos nos meus.

— Imagino que vocês já estavam de caso, talvez o filho seja seu não é? Tá até pagando as dividas dela.

Não disse nada, tentando evitat mais provocações querendo apenas que fosse embora.

— Por hoje é isso. Mas tenho certeza de que ela vai querer saber se a proposta ainda está de pé —O cara disse soltando a bituca de cigarro no chão.

Fiquei parado na calçada por alguns segundos depois que eles foram embora, o coração batendo pesado. Na casa de Julia não havia praticamente nada que indicasse a existência daquele bebê — apenas algumas roupas escondidas no fundo do guarda-roupa. Qualquer um que entrasse ali duvidaria que uma mulher grávida tinha morado naquele lugar. Aquilo me incomodava mais do que eu queria admitir.

Voltei para o hospital com a cabeça fervendo. Não queria acreditar que Julia fosse capaz de considerar algo como aquilo… mas eu a conhecia. Sabia do que ela já tinha sido capaz por dinheiro. Tudo dependia do valor certo. Quando entrei no quarto, ela estava amamentando o filho e levantou os olhos para mim com um sorriso cansado, porém genuíno. Eu não consegui sorrir de volta.

Capítulo 06. 1

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