"Julia"
Enquanto fritava os hambúrgueres na chapa, eu sentia que o menino nasceria logo. E isso me deixava ainda mais ansiosa e com medo.
Olhei para fora. César servia alguns clientes, tinha deixado a barba crescer. Estava mais sério, mais calado. Havia algo mais duro nele agora, mas ainda era o mesmo homem lindo e gentil por quem eu tinha me apaixonado… e estragado tudo.
Tantos anos depois, minha mãe tinha razão.
Minha vida tinha desmoronado. Não consegui tirar os olhos de César, desejando que ele me olhasse de volta — não com a amargura que às vezes eu via em seu olhar. Como pude ter coragem de traí-lo, de apunhalar esse homem que atravessou o mundo para me ajudar?
Agora eu era essa mulher, vivendo as consequências. Aqui se faz, aqui se paga, era o que a minha mãe tinha dito e agora eu pagava.
Segurei as lágrimas. Aquele deveria ser nosso filho, estaríamos casados e felizes.
Nos últimos dias, nossa rotina me dava uma esperança silenciosa. Não apenas porque ele estava me ajudando… mas porque, talvez, estivesse me perdoando de verdade.
Sentia que podia, aos poucos, reconquistar nossa intimidade.
Mas César era imprevisível. Às vezes estava mais aberto. Outras, quase sempre, fechado em si mesmo. Distante. Perdido em pensamentos que eu não alcançava, ainda tinha receio de fazer perguntas pessoais demais, saber o que tinha acontecido na vida dele.
Tentei imaginar se havia outra mulher.
Ele não tinha dito nada. Mas a ideia me corroía. Sentia ciúmes.
Nos últimos anos meu casamento com Caio nem era mais um casamento. Por anos, as coisas foram quase normais — ou eu me convenci disso. Achei que poderia esquecer César. Que o tempo resolveria.
Mas, quando saímos do país, Caio mudou. Vieram as traições. As brigas. A frieza e por fim um limbo de autodestruição. Minha vida foi uma sequência de escolhas erradas. Traí o homem que amava. Casei com o homem errado. Prolonguei um casamento falido por orgulho… e por dinheiro.
O maldito dinheiro.
— Mais um pedido — César disse, entregando o papel no balcão.
Sorri para ele. E ele sorriu de volta.
Ele estava ali. Tinha vindo até mim e estava me ajudando.
Aquilo precisava significar alguma coisa. Eu aceitava qualquer coisa. Qualquer gesto. Qualquer migalha.
Era uma nova chance. Para nós dois. Eu sabia que César podia me amar de novo, amar essa criança. Colocar uma pedra no passado, fiz o pedido do cliente com um sorriso no rosto, sempre observando César, buscando seu olhar.
À noite, me arrumei melhor — dentro do possível — e preparei um jantar especial. César finalmente se abriu um pouco. Falou dos irmãos, do casamento de Augusto. O que me surpreendeu, rimos um pouco juntos lembrando do passado, antes de tudo ser destruido.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...