"César"
Quando Júlia pediu para sairmos, espairecer um pouco, eu fiquei relutante. Mas me fez perceber o quanto era absurdo mantê-la quase presa em casa, já que quase não saía, a não ser para circular pelo condomínio.
Além disso o lugar era famoso. Agora, como dono de uma casa noturna, eu prestava atenção em estabelecimentos do mesmo tipo. Não era exatamente uma balada, mas um espaço para comer, beber e ouvir música ao vivo, samba, pagode, dependendo do dia. Era interessante observar. Talvez eu abrisse algo parecido no futuro
Júlia estava linda. E parecia feliz, depois de tanto tempo confinada e acuada, havia um brilho diferente nela.
Escolhemos uma mesa mais afastada, e pedimos petiscos e bebidas. Ela pediu suco; não podia beber. Eu observava o ambiente com atenção, público, cardápio, preços, fluxo de atendimento.
— O que você está fazendo? — ela perguntou, me vendo analisar o cardápio com concentração excessiva.
— Vendo o que eles servem, meu novo vício é analisar cardápios.
Ela sorriu de lado.
— Já está pensando em trabalho, não consegue descansar um pouquinho?
— É inevitável. Depois posso perguntar se o gerente ou o dono está por aqui. Seria interessante trocar uma ideia, conversar com mais pessoas do ramo.
Ela me observou por alguns segundos.
— Ainda estou me acostumando com esse novo César, é meio difícil aceitar que a versão que conheci, programado para ser executivo… virou dono de boate. Você nem bebia direito e nem gostava de balada.
— As pessoas mudam — respondi, evasivo.
O caminho que me levou até a Lush tinha nome. E eu não falaria sobre isso com ela.
A verdade é que, no pouco tempo como dono, eu tinha aprendido mais sobre mim mesmo do que em anos tentando seguir o plano do meu pai. Era um mundo desafiador e novo. Mas era agora meu mundo.
— É… elas mudam — Júlia murmurou, abaixando o olhar.
Percebi que minha resposta tinha soado fria demais.
— Não quis ser rude. Só… foi um caminho longo até aqui. O que importa é que me encontrei nele.
Ela assentiu.
— Fico feliz por você. Sempre imaginei que viraria CEO e de certa forma, virou.
Olhei ao redor. O lugar estava cheio, animado, o público era variado.
— Gostei daqui — ela continuou. — Se você fizer algo parecido, eu apoio. Pode até fazer um dia para famílias, para crianças. As mães vão adorar.
— É uma boa ideia, quem sabe mais para frente.
A comida chegou. Conversamos, rimos, tinha que confessar que era o momento mais leve que tivemos em muito tempo.
A música foi ficando mais animada. Um grupo se formou perto do palco, dançando, cantando junto, observei a cena de longe.
Meu coração disparou antes que meu cérebro entendesse.
Soltei o garfo, sentindo a mão tremer.
— Está tudo bem? — a voz de Júlia pareceu distante.
Ali, no meio da multidão, Camila dançava. Shorts curto. Blusa decotada. O cabelo solto. A luz refletindo na pele. Ela não dançava para ninguém, dançava para a música, sentindo o rítimo, sorrindo, feliz.
Livre, linda, quase Irreal.
Meu olhar percorreu o corpo dela involuntariamente. Como se tivesse vontade própria. A atração que sempre existiu entre nós, nunca consumada por completo, parecia pulsar no ar.
Então um homem se aproximou, falou algo no ouvido dela. Camila riu e não era um riso educado. Era íntimo. Eles se conheciam, trocaram um olhar demorado, sorrisos.
E o ciúme correu pelo meu sangue. Uma cena que antes só existia na minha imaginação estava acontecendo ao vivo.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...