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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 230

"César"

Quando Júlia pediu para sairmos, espairecer um pouco, eu fiquei relutante. Mas me fez perceber o quanto era absurdo mantê-la quase presa em casa, já que quase não saía, a não ser para circular pelo condomínio.

Além disso o lugar era famoso. Agora, como dono de uma casa noturna, eu prestava atenção em estabelecimentos do mesmo tipo. Não era exatamente uma balada, mas um espaço para comer, beber e ouvir música ao vivo, samba, pagode, dependendo do dia. Era interessante observar. Talvez eu abrisse algo parecido no futuro

Júlia estava linda. E parecia feliz, depois de tanto tempo confinada e acuada, havia um brilho diferente nela.

Escolhemos uma mesa mais afastada, e pedimos petiscos e bebidas. Ela pediu suco; não podia beber. Eu observava o ambiente com atenção, público, cardápio, preços, fluxo de atendimento.

— O que você está fazendo? — ela perguntou, me vendo analisar o cardápio com concentração excessiva.

— Vendo o que eles servem, meu novo vício é analisar cardápios.

Ela sorriu de lado.

— Já está pensando em trabalho, não consegue descansar um pouquinho?

— É inevitável. Depois posso perguntar se o gerente ou o dono está por aqui. Seria interessante trocar uma ideia, conversar com mais pessoas do ramo.

Ela me observou por alguns segundos.

— Ainda estou me acostumando com esse novo César, é meio difícil aceitar que a versão que conheci, programado para ser executivo… virou dono de boate. Você nem bebia direito e nem gostava de balada.

— As pessoas mudam — respondi, evasivo.

O caminho que me levou até a Lush tinha nome. E eu não falaria sobre isso com ela.

A verdade é que, no pouco tempo como dono, eu tinha aprendido mais sobre mim mesmo do que em anos tentando seguir o plano do meu pai. Era um mundo desafiador e novo. Mas era agora meu mundo.

— É… elas mudam — Júlia murmurou, abaixando o olhar.

Percebi que minha resposta tinha soado fria demais.

— Não quis ser rude. Só… foi um caminho longo até aqui. O que importa é que me encontrei nele.

Ela assentiu.

— Fico feliz por você. Sempre imaginei que viraria CEO e de certa forma, virou.

Olhei ao redor. O lugar estava cheio, animado, o público era variado.

— Gostei daqui — ela continuou. — Se você fizer algo parecido, eu apoio. Pode até fazer um dia para famílias, para crianças. As mães vão adorar.

— É uma boa ideia, quem sabe mais para frente.

A comida chegou. Conversamos, rimos, tinha que confessar que era o momento mais leve que tivemos em muito tempo.

A música foi ficando mais animada. Um grupo se formou perto do palco, dançando, cantando junto, observei a cena de longe.

Meu coração disparou antes que meu cérebro entendesse.

Soltei o garfo, sentindo a mão tremer.

— Está tudo bem? — a voz de Júlia pareceu distante.

Ali, no meio da multidão, Camila dançava. Shorts curto. Blusa decotada. O cabelo solto. A luz refletindo na pele. Ela não dançava para ninguém, dançava para a música, sentindo o rítimo, sorrindo, feliz.

Livre, linda, quase Irreal.

Meu olhar percorreu o corpo dela involuntariamente. Como se tivesse vontade própria. A atração que sempre existiu entre nós, nunca consumada por completo, parecia pulsar no ar.

Então um homem se aproximou, falou algo no ouvido dela. Camila riu e não era um riso educado. Era íntimo. Eles se conheciam, trocaram um olhar demorado, sorrisos.

E o ciúme correu pelo meu sangue. Uma cena que antes só existia na minha imaginação estava acontecendo ao vivo.

Capítulo 25 1

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