"Júlia"
César tinha sumido. Eu esperava uma atitude diferente, mas no fim, todos os homens eram previsíveis.
A humilhação de ser chamada de "Camila" ainda queimava. No fundo, eu esperava que, sob o efeito da droga, ele finalmente se declarasse para mim. Em vez disso, recebi os beijos dele, o desejo dele, mas acompanhados do nome dela. César tirou a minha roupa pensando nela, só de lembrar sentia vergonha e raiva.
César capotara antes de concluirmos o ato. Se tivéssemos transado de verdade, haveria uma chance real de engravidar e tornar a mentira uma verdade. Agora, eu teria que sustentar o teatro apenas com palavras. Teria que esperar mais um mês para encenar os primeiros "sintomas" e suportar a distância que ele impôs. Bufei frustrada enquando me maquiava em frente o espelho.
— Onde você vai assim, toda arrumada? — minha mãe perguntou, me medindo de cima a baixo.
— Ver um ponto comercial no centro. Saber valores do aluguel e quando preciso para abrir um pequeno negócio.
— Com que dinheiro? — Ela adorava jogar na minha cara que eu não tinha nada. Se eu pudesse, estaria a quilômetros daquela casa, mas precisava manter as aparências.
— O César disse que me ajuda nesse inicio.
— Você não tem vergonha na cara? Vai continuar extorquindo o coitado até quando, fazendo essa pose de boa moça?
— Não estou extorquindo ninguém. Ele está me ajudando de boa vontade — respondi, ríspida.
Ela riu. Minha mãe não escondia o quanto me desprezava, mas já estava apegada ao Adam. Ter alguém para cuidar dele enquanto eu resolvia meus "problemas" era a única vantagem de viver sob o teto dela. Terminei de me arrumar, beijei meu filho e saí.
A verdade era que eu tinha um encontro marcado com Viktor. Ele exigira falar comigo e eu não podia simplesmente ignorá-lo. Já havia pago a primeira parcela da dívida no dia em que droguei o César; aproveitei o apagão dele para usar seu celular, desbloqueando-o com a biometria facial para acessar suas contas. César era milionário; nem notaria a transação camuflada entre tantas outras. Também desviei uma quantia para uma conta secreta minha.
Passar por toda aquela humilhação de graça não fazia o meu estilo.
Viktor marcou em um shopping perto da casa da minha mãe, um lembrete silencioso de que ele sabia exatamente onde eu me escondia.
— O que você quer? — perguntei assim que o vi.
— Querida, você não está em posição de fazer perguntas. Vamos comer e você vai colocar um belo sorriso no rosto — o tom dele me deixou em alerta máximo.
Caminhamos até um restaurante e escolhemos uma mesa discreta no fundo. Viktor antes de falar pediu vinho e a comida, não me dando margem para escolher nada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...