"César"
O fogo avançava rápido demais.
Os seguranças corriam para orientar as pessoas em direção às saídas de emergência, mas o pânico gerou um caos ainda maior, em vez das rotas de fuga, todos tentavam voltar pelo caminho conhecido da entrada, acotovelando-se desesperadamente.
Eu não podia me entregar ao desespero, tinha que agir de forma fria. Ajudei o máximo de pessoas que pude ao meu redor, guiando-as para as saídas e impedindo que caíssem para não serem pisoteadas, enquanto avançava em direção ao fogo.
Mas fumaça subia veloz — escura, pesada, tomando o teto como uma mancha viva.
— Merda… — rosnei. — Por aqui! Saiam todos!
Corri para onde os extintores estavam estrategicamente posicionados. Tentei avaliar se ainda era possível conter o foco, mas a situação era caótica; as labaredas altas já tomavam conta de tudo. Peguei um extintor e, logo em seguida, outro segurança surgiu ao meu lado com outro cilindro. Ficamos lado a lado, tentando abafar as chamas apenas o suficiente para ganhar tempo para a evacuação.
— Vocês precisam sair! — gritou Fabrício, que ajudava um grupo a atravessar o salão.
— Vamos tentar segurar aqui! — respondi aos berros.
Ao meu redor, o som era uma mistura de gritos, tosses e o barulho de corpos se empurrando. Meu extintor se esgotou. Corri para buscar outro, mas as chamas já eram invencíveis. A fumaça ardia na garganta e nos olhos; era hora de recuar.
— Vamos embora agora! — gritei para quem estava mais próximo do fogo. Eu já não enxergava quase nada e rezei para que todos daquele setor tivessem conseguido sair.
Corri para perto da saída, onde o gargalo de pessoas ainda impedia o fluxo. Precisei intervir, direcionando-os para uma saída de incêndio lateral. Olhei para o palco. Tarde demais. A fumaça engolia o espaço, apagando formas e escondendo rostos.
— Abram passagem! — gritei, abrindo caminho à força.
Ninguém escutava. Atravessei a multidão no impacto, ignorando xingamentos e empurrões. Um homem tentou me segurar pelo braço, mas o soltei com brutalidade.
— Tem outra saida! Para outra saida! — Tentei gritar mais alto para que conseguissem ouvir.
O calor era insuportável. Quando cheguei perto da pista, uma mulher caiu na minha frente, prestes a ser esmagada. Segurei-a pelos braços, coloquei-a de pé e a empurrei na direção oposta.
— Saída! Vai!
Mas meus olhos não paravam de procurar. Tinha que ter certeza de que ela não estava ali, que tinha saido.
— Onde você está, Camila?! — gritei em meio ao barulho.
A fumaça invadiu meus pulmões como vidro moído. Tossi, cobrindo o rosto com o antebraço para tentar filtrar o ar. Meus olhos ardiam, a visão falhava, mas continuei. À frente, uma explosão abafada fez o chão vibrar sob meus pés, arrancando novos gritos de pavor.
Forcei o caminho quase às cegas. As luzes principais haviam se apagado, e o tom avermelhado das luzes de emergência só tornava o cenário mais sinistro. E então, eu a vi. Um vislumbre do cabelo, da roupa.
— Camila! — Minha voz se perdeu no caos, mas não parei.
Empurrei quem estava na frente até finalmente alcançá-la. Ela não estava sozinha; uma mulher se apoiava nela e Lucy estava do outro lado, agarrada ao seu braço. As três estavam presas no epicentro da confusão. Meu coração despencou.
— Vem comigo! — Segurei o braço dela com firmeza.
Os olhos dela encontraram os meus. Por um breve segundo, no meio daquele inferno, o mundo pareceu parar.
— César… — ela sussurrou, a voz rouca. — Ajuda ela.
Ela me passou a mulher que estava ferida no pé. Precisei carregá-la no colo.
— Agora precisamos sair daqui!
Calculei rápido: a saída principal estava congestionada. Não daria tempo. Puxei-as na direção de uma saída lateral. O som de algo desabando ecoou às nossas costas, seguido por faíscas que caíam do teto como chuva.
— Não solta de mim! — ordenei.
Finalmente, atravessamos a porta lateral. O ar fresco da noite atingiu meu rosto. Do lado de fora, o cenário era dominado por sirenes, luzes de ambulâncias e policiais atendendo os feridos. Coloquei a mulher ferida no chão, em uma área de triagem para os paramédicos.
Mas, ao olhar em volta, o mundo desabou novamente, Camila não estava lá.
— Camila! — gritei, o desespero voltando com força total, a garganta arranhando por causa da fumaça.
— Eu me perdi dela! Alguém empurrou a gente, ela soltou minha mão! — Lucy surgiu ao meu lado, as lágrimas limpando sulcos na pele suja de fuligem.
Não pensei. Olhei para a porta de onde tínhamos saído e, aproveitando a confusão, corri de volta para o prédio. Ninguém me viu entrar. Gritei por ela na entrada, mas o lugar agora era um túmulo de fumaça escura que bloqueava qualquer visão. Entrei no meio do salão, ajudando um rapaz que cambaleava a encontrar o caminho da saída.
Formas dançavam no meio da fumaça, não sabia que se eram os bombeiros ou se estava vendo alucinações.
— Camila! — gritei de novo, tateando o vazio.
Então, vi um vulto no chão, perto da parede, com a mão na cabeça.
— Camila?
Aproximei-me. O calor era infernal, meus pulmões imploravam por oxigênio e minha vista escurecia. Era ela. Estava de olhos fechados. Sem hesitar, peguei-a no colo e corri com o que restava das minhas forças. Minhas pernas fraquejaram assim que cruzamos o portal para o lado de fora.
— César... o fogo... —Ela resgmundou baixinho.
— Estou aqui já saimos —Falei, mas ela não me ouviu, senti quando corpo ficou mole e a cabeça tombou desmaiando. —Camila?!
Não tinha voz para chamar, e meu chamado era apenas um ruido.
Os bombeiros correram em nossa direção e a tiraram dos meus braços. Camila foi levada às pressas para uma ambulância. Tentei ir atrás, tentei gritar o nome dela, mas meu corpo finalmente desistiu e eu mal conseguia ficar de pé, alguém me segurou, mas o mundo escureceu e senti que desabava no limbo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...