"César"
O sol mal havia nascido quando meu celular vibrou na mesa de cabeceira. Com cuidado para não acordar Camila, tateei o aparelho. Era José.
Saí do quarto com passos de gato e atendi na cozinha, mantendo a voz baixa.
— Fala.
— Fala? — José praticamente explodiu do outro lado da linha. — É só isso que você tem para me dizer, César? Você tem noção da bomba que deixou no meu colo?
A irritação na voz dele era quase palpável.
— Eu tenho um lugar no meio do nada parecendo uma zona de guerra. Tem corpo espalhado, sangue, mercenário ferido, cápsula de bala para todo lado... e ninguém consegue me dar uma versão minimamente decente do que aconteceu. O que diabos aconteceu lá?
Suspirei, não podia falar tudo por telefone e na verdade nem sabia até onde podia confiar em José para explicar em detalhes como tinha resgatado Camila.
— Eu fiz o necessário. Levaram a Camila, você queria que eu ficasse sentado esperando autorização judicial?
José soltou uma risada curta, amarga, óbvio que ele estava frustrado.
— Claro. Porque, na sua cabeça, invadir um cativeiro com uma equipe particular armada até os dentes é completamente razoável.
— Funcionou.
— Funcionou? — ele rebateu, incrédulo. — César, eu estou aqui tentando impedir que isso vire um escândalo. A cena do crime está destruída, mas isso nem é o importante, toda a investigação foi para o inferno.
— Exatamente por isso contratei profissionais. Eles fizeram o serviço sem deixar nada que ligasse a mim ou à Camila. A polícia vai encontrar o suficiente para prender os culpados. Nem mais, nem menos.
Houve silêncio por um segundo.
Então José murmurou algo que poderia ser um xingamento, do tipo de quem já perdeu a paciência há muito tempo.
— Você é um desastre caro, sabia? Homens ricos com pressa são o pior tipo de problema, acham que podem fazer qualquer coisa, que a lei não importa.
Quase pude imaginá-lo passando a mão no rosto, frustrado.
— Tenho certeza de que, a esta altura, Viktor já está do outro lado do oceano. Romeo então... esse desapareceu antes mesmo de a poeira baixar.
— Camila disse que Júlia estava lá. Foi ela quem ajudou no sequestro.
Dessa vez, a voz dele mudou. Ficou mais focada.
— Isso já é alguma coisa. Pelo menos temos um nome e um rosto. Vou atrás dela, mas, sinceramente? Depois de tantas horas, ela provavelmente já está bem longe com o noivo.
— Eu também queria todos eles atrás das grades.
— Quem bom que você quer alguma coisa que não seja resolver com as próprias mãos. É um alívio. Agora que resgatou ela, faça o favor de ficar bem longe e não tentar nada.
Olhei para a porta do quarto.
— Pode deixar, o importante é que ela está segura.
Do outro lado, ele soltou um palavrão baixo e desligou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...