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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 37

Fiquei um momento encarando a foto de Augusto com uma ruiva bonita, vestida de forma provocante.

Ele tinha avisado que havia retornado da viagem, mas que passaria na empresa primeiro. Eu não tinha contado que estava trabalhando e que passaria o dia fora. Por isso, deixei um bilhete na cozinha e fui para o escritório de Ícaro mais uma vez.

Mas minha cabeça estava em outro lugar, mais precisamente na foto de Augusto em um restaurante chique, jantando com uma ruiva de roupa provocante. A imagem era meio de lado, mas dava para ver o decote profundo. Aquilo não parecia um jantar de negócios, a mulher sorria, bebendo uma taça de vinho. Pareciam à vontade.

Eu estava confusa e perdida. Nosso relacionamento era de fachada, mas eu sentia desejo por ele e estava pronta para querer algo a mais. Tinha certeza de que não havia sentimentos maiores envolvidos, mas aquela foto me causava ciúmes e um mal-estar difícil de disfarçar.

Augusto era Augusto, e sempre seria assim. Homens como ele não mudam. Minha prima estava certa: se eu me envolvesse demais e confundisse as coisas, não saberia lidar com tudo o que envolvia o passado dele.

Tentei me dedicar ao trabalho. Valentina tinha ido à escola de manhã e, à tarde, percebendo meu desânimo, tentava me distrair com histórias da aula. Ela me fazia lembrar do meu sonho de ser mãe, eu queria criar uma filha assim, feliz, alto-astral, dedicada. Mas esse sonho parecia cada vez mais distante.

— Eu queria arrumar uma namorada pro meu pai — disse de repente. — Você tem alguma amiga solteira?

— O seu pai quer uma namorada? — perguntei, achando graça.

— Ele diz que não quer, mas está sozinho há anos. Desde que a minha mãe foi embora, nunca mais namorou. Eu sei que meu pai é bonitão, as mulheres ficam todas derretidas perto dele, mas ele finge que não vê. E, no fim de semana, fica no sofá sozinho assistindo filmes.

— Talvez ele seja feliz assim.

— Ninguém é feliz assim, é solitário. — Valentina era jovem demais para entender que alguns adultos gostavam de paz.

— Tá bom, vamos fazer assim, eu vejo se tenho alguma amiga solteira e podemos tentar marcar um encontro.

Val pulou de alegria. Será que a minha prima se interessaria por Ícaro?

Mas eles eram muito diferentes. Tentei imaginar minha prima, que trabalhava de madrugada numa balada, com um cara como Ícaro, que passava as sextas à noite vendo filmes. Não daria certo.

Fiquei no escritório até tarde. Augusto mandou mensagem, mas eu apenas respondi que estava ocupada. A verdade é que estava adiando o momento, não queria olhar para ele, falar da foto e acabar tendo uma cena de ciúmes, sendo que eu nem deveria ter ciúmes dele.

Ícaro percebeu que eu estava enrolando, mas não disse nada. Quando deu oito da noite, não havia mais desculpas para continuar ali. Fui para casa. Depois de pensar muito, decidi que não queria saber se Augusto tinha dormido com a ruiva. Não era da minha conta. Não falaria nada.

Quando cheguei, ele estava de moletom — uma calça ridiculamente justa — e sem camisa, jogado no sofá com a Pipoca do lado. A cachorrinha veio toda feliz me receber na porta.

— Tudo bem? — ele perguntou. — Você não me disse que estava trabalhando no escritório. Pensei que fosse atuar apenas como investidora.

— Eu gosto de trabalhar. Além do mais, Ícaro e a filha são legais e precisam de ajuda pra tocar a empresa. Como eu roubei alguns clientes do meu ex-marido, eles estão cheios de serviço.

— Quantos anos tem o Ícaro?

— Sei lá, acho que nem quarenta. Por quê?

Capítulo 37. A primeira briga 1

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