"Augusto"
Não era ciúmes, eu nunca senti ciúmes na vida.
Mas me incomodava com o fato de Isabella passar o dia inteiro em um escritório com um cara que eu mal conhecia, por mais que ela achasse ele decente, Isabella já tinha se enganado antes.
Eu queria continuar de onde tínhamos parado, mas o destino parecia se divertir às minhas custas. Até agora, tudo entre nós tinha ficado no quase — e esse “quase” me atormentava a ponto de o simples pensamento nela me deixar acesso.
Quando cheguei em casa, ela tinha deixado um recado dizendo que estava no escritório onde era sócia. Eu esperava que atuasse apenas como investidora, mas ela preferia se trancar lá com outro homem, um sujeito que, ao contrário de mim, parecia não ter um histórico de casos passageiros.
Apesar da pequena discussão que tivemos, tentei seguir com a rotina, embora Isabella ainda parecesse irritada, por causa do meu jantar com Selene. Dessa vez, porém, eu era inocente. Nada tinha acontecido entre nós.
O dia foi tomado por reuniões intermináveis, e cada vez que eu fechava os olhos, a imagem de Isabella no chuveiro voltava com força, os seios, as curvas, a tatuagem… No fim da tarde, desisti de tentar afastá-la dos pensamentos e decidi conhecer o local de trabalho da minha noiva. Afinal, eu tinha o direito de saber quem era o tal parceiro de negócios e ele precisava saber quem eu era.
Não foi difícil descobrir onde ficava o escritório. Cheguei cedo e, pela porta de vidro, vi Isabella concentrada, cercada por papéis. Então o vi, um cara alto, barba bem-feita, cabelo preso num coque. Eu não era burro e conhecia o tipo. Muitas mulheres adoravam aquele estilo, duvido que fosse o santo que Isabella achava.
Ele trouxe um papel, disse algo, e os dois riram juntos, parecendo íntimos. Senti o sangue ferver. Bati levemente na porta. Isabella levou um susto ao me ver.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou, destrancando a porta.
— Vim conhecer o lugar. Você fala tanto daqui... — respondi, estendendo a mão. — E você deve ser o famoso Ícaro.
— Prazer. E você é o famoso Augusto — disse ele, apertando minha mão com força. Retribuí o aperto da mesma forma, só pra ele entender com quem estava lidando.
Olhei ao redor, analisando o lugar, as mesas coladas uma na outra.
— Pequeno o espaço... pelo que Isabella comentou, em breve já podem mudar pra um lugar maior. Onde cada um tenha sua sala.
Isabella me lançou um olhar desconfiado, tentando entender o que eu estava fazendo ali.
— Por enquanto está ótimo assim. Não preciso de mais espaço — O cara respondeu seco.
— E sua namorada não se incomoda de você passar o dia todo com outra mulher por perto? — provoquei.
— Não tenho namorada — ele disse, sem alterar o tom.
Antes que Isabella pudesse responder, uma moça apareceu com uma bandeja.
— Pai, trouxe café fresco. — Ela sorriu. — Ah, não sabia que tínhamos visita. Quer um café?
— Por favor, adoro café fresco — respondi.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido