Eu não sabia como me sentir.
Não sabia como lidar com o fato de Augusto estar com ciúmes de Ícaro.
Não esperava ouvi-lo dizer que não tinha saído com nenhuma mulher desde a noite na boate, ainda mais quando tudo indicava o contrário.
Não esperava me importar com nada disso.
Não esperva sentir desejo e vontade de Augusto.
Era para ser simples, direto, sem espaço para confusões. Agora, tudo estava embaralhado, e para piorar, ainda dormíamos na mesma cama. Isso não fazia o menor sentido. Eu precisava colocar um fim nessa situação.
Quando chegamos em casa, fui direto para o banho e, em seguida, preparei o jantar em silêncio, tentando reorganizar meus pensamentos. O tempo estava passando depressa. Nosso casamento seria em dois meses, e a empresa que contratei já tinha quase tudo pronto, só faltava escolher o vestido.
Mas, por dentro, tudo parecia um caos.
— Acho que não devemos mais dormir no mesmo quarto. — Falei, tentando manter a voz firme. — Posso perfeitamente dormir no quarto de hóspedes. Minhas coisas continuam aqui, e assim que acordar deixo tudo organizado para ninguém desconfiar.
— Por que isso agora? — ele perguntou, visivelmente incomodado. — Até então estava tudo bem. Por que quer dormir em outro quarto?
— Porque é melhor assim, Augusto. Não faz sentido... era apenas para ser um contrato, lembra?
— Eu não esqueci que é um contrato.
— Então sabe que a nossa representação como casal é apenas em público...
— Isso é por causa do Ícaro? — interrompeu, com o tom seco.
— O quê? O que o Ícaro tem a ver com isso? Sério mesmo? — respondi, sem acreditar no que estava ouvindo.
Ele me olhava de um jeito que misturava desconfiança e algo que eu não conseguia decifrar.
— Até agora estava tudo bem — continuou. — Essa ideia surgiu depois que começou a trabalhar com ele.
— Meu Deus, Augusto, que conversa é essa? — explodi. — Eu só quero manter as coisas definidas e sem confusão. O que você quer? Que eu durma na mesma cama que você até o fim do contrato?
— Eu quero você — Ele disse se aproximando — Quero continuar o que começamos, fazer você gemer até ficar rouca e sem força nas pernas.


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