Augusto não me acordou como de costume às cinco da manhã, enviando apenas uma mensagem de bom dia, avisando que tinha uma reunião e precisava chegar cedo.
Meu corpo estava dolorido e minha cabeça, povoada pelas imagens da noite anterior. Por sorte, quando cheguei ao escritório, Ícaro não estava, ainda sentia um pouco de vergonha pela forma como Augusto apareceu querendo marcar território.
A transa com Augusto tinha sido uma loucura, profunda, íntima e intensa, uma mistura de sensações que eu ainda tentava processar. Trabalhei distraída, mas bastava fechar os olhos para que as imagens de nós dois invadissem minha mente. Precisava conversar com alguém, e a única pessoa com quem podia dividir meus pensamentos era minha prima. Trabalhei até onde pude, até que desisti e fui para a casa dela desabafar.
Minha tia estava de saída, indo visitar Karen, que estava prestes a dar à luz, e minha prima tinha ido ao mercado. Fui então para o meu antigo quartinho, que ainda estava do mesmo jeito de antes.
Minha vida havia mudado de forma drástica desde o dia em que Augusto cruzou o meu caminho, mas eu não podia esquecer que tudo podia dar errado, nada na vida é certo.
— O que aconteceu, que você está aí encarando essa parede suja? — minha prima perguntou. Nem tinha percebido que ela tinha chegado. — Que cara é essa?
— Transei com Augusto.
— Imaginei que isso fosse acontecer mais cedo ou mais tarde. Você já estava bem balançada lá no hospital. E aí, como foi? Ele é tudo isso mesmo que dizem por aí?
— Foi incrível, mais do que eu podia imaginar, mas acho que é só isso, só sexo.
— Mas não é só isso, Isabella, não adianta se enganar. Você mora com ele, dorme na cama dele… agora dorme com ele. Não conheço ninguém que consiga dividir assim os próprios sentimentos. Sinto te dizer, mas se você ainda não está, vai ficar apaixonada por Augusto e não sei se há alguma forma de impedir isso.
— Eu não sei o que fazer, está tudo confuso. Nós temos um contrato, assinado e guardado por advogados. Em dois anos, isso acaba, eu recebo um dinheiro e sigo minha vida. Como posso me permitir me apaixonar? O que a pessoa faz depois com todo esse sentimento?


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