— Seu sobrinho vai nascer — minha prima ligou um dia, às oito da manhã.
Quando eu era mais nova, imaginava que um dia teria filhos, sobrinhos e meus pais seriam aqueles avós babões. Nada disso se realizou.
Eu não falava com a minha irmã, aquela que me traiu e me apunhalou pelas costas. Depois da nossa última conversa, ela sumiu por um tempo; às vezes mandava alguma mensagem que eu simplesmente ignorava.
A criança, no entanto, não tinha culpa de nada. Era um ser inocente, vindo ao mundo em meio a uma confusão que não era dele. Eu não conseguia imaginar minha irmã como uma mãe zelosa, mas diziam que um filho mudava a vida. Esperava, sinceramente, que fosse verdade.
— A tia foi ao hospital? — perguntei.
— Não. A Karen ligou avisando, mas disse que não precisava. A família toda do traste está lá. Falou que é um parto de risco, mas que me ligaria quando nascesse.
— Ela disse qual é o hospital?
— O mesmo onde o teu cunhado ficou internado.
— Pra quem dizia que podia perder a casa, está podendo pagar o hospital mais caro da cidade... Mas obrigada por avisar.
Mais tarde, minha tia também mandou mensagem dizendo que a situação de Karen era delicada, o que me deixou preocupada. Até então, era fácil ignorar, mas, conforme minha tia me atualizava, eu ficava cada vez mais nervosa.
Decidi ir até o hospital. Podia só dar uma passada, ver a situação de perto. Aquele era um hospital de referência, e eu sabia que ela estava sendo bem cuidada.
Avisei Ícaro que não iria ao escritório e fui. A ideia era não ser vista pela família de Carlos, por isso estacionei o carro longe e segui a pé, observando se havia alguém conhecido por perto.
Por sorte não encontrei ninguém. No hospital, consegui entrar pedindo para não ser anunciada. A ala da maternidade ficava em um andar diferente daquele em que César tinha ficado internado.
Na sala de espera, não vi nenhum familiar de Carlos. Perguntei a uma enfermeira e ela me indicou um quarto que não era privativo, só olhei de longe pela fresta da porta, Karen estava deitada, assistindo televisão, com o barrigão à mostra. Estava sozinha — nem sinal de Carlos ou da família dele — e parecia tranquila.
Chamei uma enfermeira de canto.
— Pode me falar sobre a paciente Karen? — perguntei.
Ela me olhou desconfiada, mas precisei insistir um pouco até conseguir alguma informação.
— Ela vai fazer cesariana à tarde.
— Mas é uma cesárea de risco?
— Não, é uma cesárea eletiva. A paciente e o bebê estão bem de saúde. A previsão é para as quatro da tarde.
Karen estava mentindo, claro. A essa altura, não era novidade.
— Tem alguém como acompanhante?
— O marido chegou com ela, ficou um pouco e foi embora. Disse que voltaria para o parto, mas ninguém mais veio.
— Entendi... Então, por favor, avise casualmente que a irmã veio visitar.
A enfermeira entrou no quarto para dar o recado. Eu precisava testar uma coisa. Karen mentia para minha tia, assim como mentiu no dia em que fui à casa dela e o fato de Carlos nem ficar com ela só reforçava o tipo de lixo que ele era.
Quando a enfermeira voltou, fez um sinal com a cabeça para eu entrar.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido