Depois de alguns dias fui até a casa de Karen ver como estavam as coisas. Minha tia tinha confirmado a versão do Carlos, dizendo que para minha irmã estava difícil, que era um momento delicado.
Eu havia jurado nunca mais voltar, e agora estava ali, outra vez, parada diante da porta daquela casa. Mais uma vez, uma empregada me recebeu, era outra diferente.
— Vou chamar a dona Karen — disse, sumindo dentro da casa, que continuava do mesmo jeito desde a última vez em que eu estivera ali, meses atrás.
Não havia sinal de um bebê recém-nascido, pelo menos na sala, nenhum carrinho, nenhum brinquedo, nada fora do lugar.
— Finalmente veio conhecer o seu sobrinho — disse Karen com um tom de censura.
Usava um roupão e, apesar da aparência cansada, parecia bem.
— A tia falou que você não estava bem.
— E quem fica bem com um bebê recém-nascido chorando de hora em hora, sem dormir mais que três horas por noite? Sinceramente, não sei por que você tinha tanto o sonho de ser mãe. É um pesadelo.
Senti meu coração disparar e minha boca ficar seca. Antes que eu pudesse responder, o som de um choro de criança ecoou de algum lugar próximo.
Minha irmã nem se mexeu, talvez soubesse que, segundos depois, a babá surgiria com o bebê no colo.
Karen pegou o bebê e começou a amamentar. Eu a observava, hipnotizada pela cena. Era meu sobrinho e ele era lindo.
— Achei que receberia um convite para o seu casamento — comentou Karen, com naturalidade.
— Você sabe que eu jamais mandaria um convite para o meu casamento.
— Ainda isso? Todos nós já superamos. E você já está em outra. Por que guardar tanto rancor?
— Já conversamos sobre isso, Karen…
— Tá bom, já entendi. Você não perdoou. Veio aqui por quê, então?
— Já falei, porque a tia disse que você não estava bem.
— E você se importa com isso? Se eu não estou bem? A minha vida é essa no momento: não consigo sair de casa, o Carlos só reclama que o dinheiro anda curto, que os clientes estão sumindo, que a concorrência está difícil. Tive que insistir para conseguir uma babá, é impossível dar conta de tudo sozinha! Eu só queria um momento para mim. Ir a uma festa, como o seu casamento, seria ótimo para distrair. Imagino que uma família rica como aquela não queira um casamento simples, como o que você provavelmente planejou. Tenho certeza de que vai ser uma coisa elegante.
O monólogo da minha irmã tinha um único objetivo, reclamar por não ter sido convidada para o casamento, queria ir apenas porque seria uma festa de uma família rica. Mais uma vez, eu estava errada em ter feito aquela visita.
— Vai ser mesmo. Agora eu tenho dinheiro para fazer a festa do jeito que eu queria — respondi, tentando não parecer abalada com aquela conversa.
— O Carlos disse que vocês até tinham algum dinheiro quando casaram, mas você quis economizar.
— Se mil reais é dinheiro para fazer um casamento, então com certeza eu errei.



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