— Mas somos obrigados a ir? — perguntei, desanimada.
— Infelizmente, sim. Meu pai praticamente fez uma intimação. Temos um cliente importante patrocinando o evento. Isabella, tudo bem? — Augusto perguntou assim que me viu de frente.
— Tá sim, é só uma dor de cabeça. — Eu não tinha vontade de explicar como estava me sentindo depois da visita à casa da minha irmã. Considerava Augusto quase um amigo... um ficante, talvez. Mas algumas coisas simplesmente não cabiam na nossa dinâmica de relacionamento.
— Tem certeza? Você está pálida, com cara de quem chorou.
— É só a dor de cabeça mesmo, já tomei remédio, não se preocupe. Então, temos que ir para a festa? Qual vestido devo usar?
— Se você não puder ir, não se sinta obrigada... — disse ele, preocupado.
— Eu posso sim, não precisa se preocupar. Então, qual vestido devo usar?
— Algumas mulheres se vestem como se fosse a cerimônia do Oscar.
— Isso não ajuda, Augusto. Vou dar uma olhada na internet pra ver o que o povo usa. — Falei, subindo para o quarto.
Um banho quente, maquiagem e um penteado meia-boca, e eu parecia nova em folha.
Augusto não mentiu quando disse que as mulheres se vestiam com belíssimos vestidos de gala. Eu não tinha um, então escolhi um vestido vermelho sem alça, com duas fendas laterais. Era simples, talvez, mas com uma sandália de salto agulha e um par de brincos mais chamativos, o visual ficou bonito.
Augusto me analisou de cima a baixo, descaradamente, o que significava que tinha aprovado o look. O reflexo no espelho mostrava um casal perfeito.
— É a primeira vez que vamos a um evento que não seja da sua família.
— Nunca gostei muito dessas festas — disse ele. — Pouca diversão e muito negócio. E, nos últimos meses, o objetivo era mostrar ao mundo meu lado “caseiro”.
Eu não podia esquecer que Augusto representava um papel ao meu lado, porém no dia a dia era fácil se perder no personagem.
— Tem alguma coisa que eu deva saber? Sobre as pessoas, regras de etiqueta, sei lá?
— Vai ter muita gente que me conhece lá. Vou ser sincero: inclusive mulheres com quem já tive alguma coisa. Meu pai vai me arrastar junto com o César pra alguma conversa interminável com o cliente, mas a minha mãe vai estar lá.
Resumindo: eu ia ficar sozinha em um lugar onde não conhecia ninguém, cercada pelas ex do Augusto.
Sem muito ânimo, me esforcei para parecer simpática. O lugar era enorme, todo iluminado, cheio de gente rica e bem vestida, sendo servida por garçons impecáveis.
Logo na entrada, senti os olhares sobre nós. Tentei não focar em ninguém em especial e manter minha imaginação quieta.
Andamos pelo salão, eu sentia o calor das mãos dele nas minhas costas enquanto Augusto cumprimentava todo mundo, me apresentando como noiva. Até que o pai dele apareceu com a mãe e a irmã, só pra azedar de vez o meu humor.
— Vocês estão muito lindos — disse minha sogra, com um sorriso que só podia ser interpretado como falso.
— Obrigado, mãe.
— Vamos conversar com o Tadeu — disse o pai de Augusto. — Ele disse que tem um novo cliente em potencial pra nós. Quero que você fale do setor de tecnologia.
Ele ainda olhou pra mim, pedindo desculpas com o olhar, e seguiu com o pai.
Fiquei ali. Eu não tinha o que conversar com elas, e acho que elas também não tinham muito o que dizer pra mim.



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