Eu queria ligar para Augusto e gritar. No contrato havia uma cláusula sobre humilhação pública e eu estava sofrendo uma.
Ainda não era uma traição, mas eu tinha certeza de que a “amiga” conseguiria o que queria. Era só uma questão de tempo, era só os dois ficarem sozinhos.
Para tentar controlar meu impulso de falar com Augusto, fui para a casa da minha tia. Era cedo. Depois de encher meu celular de mensagens, minha prima já estava dormindo, mas acabei acordando a coitada, porque eu precisava conversar.
— E o que ele falou? — perguntou assim que abriu os olhos, ainda com voz de sono.
— Nada, porque eu não perguntei.
— Como assim não perguntou?
— É uma foto velha. Eu estava com ele ontem em uma festa, e a mulher da foto, uma tal de Juliana, apareceu. Eles são amigos da época da faculdade, curtem pegação juntos e, pelo que me disseram, eram almas gêmeas. Parecem perfeitos juntos, sintonizados, bonitos... E depois de ficar escondida no banheiro, acabei ouvindo uma conversa entre os dois.
— Que história é essa de banheiro?
Contei todos os detalhes da festa anterior, até o momento em que acordei e vi a foto espalhada para todo mundo.
— Isinha do meu coração, no momento eu tô confusa. Com tudo que foi acertado entre vocês, incluindo que vocês transam também, agora, com essa foto, essa amiga, a ex esquisita... e provavelmente outras mais que vão aparecer por aí... Eu te avisei que era um acordo perigoso.
— Eu não sei por que ele não fez um acordo com ela. Eles são perfeitos juntos, olha isso. Ela é linda, espontânea, falsa igual a uma cobra. A louca da Aline disse que eles fizeram um pacto de ficarem juntos depois dos quarenta. Tenho certeza de que ela gosta dele. Aquela maldita foto foi pra mostrar que ela chegou primeiro. Tenho a sensação de que esse casamento não vai acontecer, o Augusto vai perceber que devia se casar com ela, e eles vão ter o casamento dos sonhos, ter filhos e viver felizes para sempre...
— Isa! Respira um pouco.
— Eu não sei o que está acontecendo comigo.
— O que está acontecendo é que você gosta do Augusto.
— Eu sei que estava um pouco apaixonada...
— Não tô falando de paixão carnal. Você gosta dele de verdade. Lembra que eu disse que você podia descobrir que ele é um cara legal? Pois é, você descobriu. Augusto Salvatore é humano, gosta de animais, curte sua lasanha, se preocupa com você... Sinto te dizer, mas você gosta dele.
Eu queria dizer pra minha prima que ela estava louca, que eu só tinha uma paixonite, nada grave, mas seria me enganar, eu não conseguia nem dormir na cama sem ele.
— O que eu faço? Não era pra isso acontecer.
— Sinceramente, não sei. Pode abrir o jogo, lutar, não deixar essa piranha se intrometer... Mas tem que ver se vale a pena. Caso contrário, vai ser um caminho de dor e sofrimento.
Valia a pena? Eu queria uma família, filhos. E Augusto? Pra ele, esse casamento era apenas uma escada rumo ao poder. Será que ele gostaria de algo mais?
A foto dele enroscado com a outra vinha à minha mente cada vez que eu fechava os olhos. Eu precisava falar com ele. Resolver tudo de uma vez.
— Eu vou falar com ele — disse, pegando minha bolsa e saindo.
Fui direto para o escritório dele, o prédio da empresa. Nunca mais tinha ido lá. Fui liberada direto para a sala dele.
Senti os olhares do pessoal por onde passava. Todo mundo devia estar fofocando sobre a foto, pensando o quanto eu era idiota e enganada.
Dessa vez, Augusto não me recebeu na porta. Continuou sentado atrás da mesa. Estava com uma cara estranha. Eu o conhecia o suficiente para saber que alguma coisa tinha acontecido, algo além da foto.
— Você me disse que seu projetinho de vingança estava em andamento, mas pelo jeito mudou de ideia. Quer se acertar com seu ex-marido? — o tom de voz de Augusto era pesado, venenoso.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido