"Camila"
Eu nem precisava mais olhar para o balcão para saber que César estava lá. A presença dele tinha se tornado uma constante na Lush, todo mundo já conhecia e sabia que ele ficava ali no bar até a minha hora de ir embora.
— Seu namorado chegou — falou Tony, o outro bartender que dividia o trabalho comigo.
— Ele não é meu namorado.
— Ele tá aqui quase todo dia, bebendo água ou alguma invenção esquisita sem álcool, te olhando como se fosse a coisa mais interessante do bar e não é seu namorado?
— Eu sou a coisa mais interessante daqui.
— Nem se compara com aquele moreno alto na pista. Acho que vou ali levar uma bebida grátis. E, pelo amor de Deus, vai lá falar com o seu namorado, não aguento mais ver aqueles olhos tristes.
César não tinha olhos tristes, mas estava com uma aparência cansada. Nos últimos dias as coisas andavam estranhas. Isabella disse que teve uma “conversa esclarecedora” com Augusto e não falou mais nada. Pelo jeito o casamento ainda estava de pé, mas eu não sabia se eles realmente tinham se acertado.
— Mais uma água? Ou quer um novo drink? Inventei uma mistura com frutas, xarope e água com gás. Parece boa.
— Só mais uma água mesmo. Sua última invenção era doce demais, e a outra ficou amarga — respondeu, sorrindo.
— Minhas invenções são ótimas! É você que não tem paladar pra apreciar. Então o casamento vai mesmo acontecer? Pelo menos não perdi dinheiro, comprei um vestido caríssimo e quero mostrar pra todo mundo.
— Pelo que conheço do meu irmão, ele jamais cancelaria o casamento. Foi um bom plano e ele já sabe que vai colher os resultados, o Augusto é calculista e egoista, o que faz dele ótimo no trabalho e uma péssima pessoa.
— Você realmente acha que é tudo armação, não é? — Eu nunca tinha confirmado nada sobre o que ele pensava do relacionamento do irmão, até porque não podia prejudicar a minha prima.
— Você sabe melhor do que eu... afinal, é prima da noiva.
— Eu sei que às vezes as pessoas mentem pra si mesmas, inventam desculpas pra não encarar os próprios sentimentos.
César riu com vontade. Eu acabei rindo também. Filosofar no balcão de uma balada sobre o relacionamento de Isabella e Augusto era mesmo engraçado, eu tinha que admitir.
— Desculpa, eu não quis rir de você — ele disse. — Fico feliz que o casamento vá acontecer. É o primeiro entre meus irmãos, então vai ser no mínimo interessante.
— Você tem que parar de vir aqui. Já estão achando que você é meu namorado.
— Seria ruim se fosse? — Ele perguntou me dando aquele olhar de cachorro sem dono.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido