Úrsula apareceu com um médico quinze minutos depois. Ele me examinou com pressa, fez um curativo e disse que eu estava bem, apenas abalada, mas que deveria ir ao hospital assim que tudo terminasse, para um check-up.
Eu só pensava em uma coisa, chegar no altar. Podia parecer loucura, mas adiar era dar vitória para Aline, e isso eu jamais faria.
Depois de um banho rápido, a maquiadora e a cabeleireira trabalharam em tempo recorde. Me deixaram com cara de noiva outra vez, mesmo com o corte e o hematoma latejando como um lembrete de tudo que tinha acontecido. Faltava o vestido. Esse era o problema. E eu não fazia ideia de onde a assessora arrumaria outro em tão pouco tempo que servisse sem ajuste.
— Ainda acho que é loucura, já pensou se você passa mal? E se desmaiar? — minha prima disse, cruzando os braços.
— O médico disse que está tudo bem, não vou desmaiar, pelo menos não antes do sim.
— Isso já passou do estágio da loucura...
— Ela não está louca — Diana retrucou. — Está apaixonada pelo Augusto, o que pensando bem dá no mesmo. E como toda mulher apaixonada vira um pouco maluca, a Aline e sua prima é só mais um exemplo. Eu trouxe seu vestido.
Falei antes mesmo de pensar.
— Você foi buscar o vestido?
Eu realmente não acreditava. Ela era a primeira da família a torcer para que esse casamento não acontecesse, tinha colocando um detetive atrás de mim.
— Minha avó me mata se eu estragar o casamento do netinho preferido. Só de pensar já sinto a herança indo embora. Não quero nem imaginar para onde ela vai mandar a Aline depois de tentar estragar o casamento. Fui na mesma loja que você escolheu o outro, não tinha nada igual e nem do seu tamanho… então trouxe esse.
Camila abriu o embrulho, viu o vestido e soltou um:
— Meu Deus…
Era um modelo sereia, branco liso, decote profundo e uma fenda quase indecente, ousado, sensual, lindo, não sei se adequado para um casamento.
— É branco, é de noiva, e vai arrancar suspiros. Agora veste, porque já estamos atrasadas e, segundo o César, daqui a pouco o Augusto invade o lugar achando que você fugiu ou foi sequestrada — Diana pressionou.
Não era o vestido dos meus sonhos… mas, ficou perfeito. Colado ao corpo, marcando minhas curvas, me transformando em uma noiva de capa de revista.
— Sua cunhada pode ser um porre, mas fez uma escolha ótima, isso vai deixar o Augusto de quatro por você — Camila falou tirando várias fotos.
No caminho a dor de cabeça desapareceu, não sei se por causa do remédio ou porque a cabeça mudou de foco. Até a raiva da Aline desapareceu. Tudo sumiu.
Minha entrada seria sozinha. Apenas eu, já que não tinha mais meu pai. Tapete vermelho, luzes, violinos e estranhos me observando, meus convidados eram poucos perto de todo aquele povo que eu não conhecia e estava ali apenas para ver Augusto casar.
Minha assessora me posicionou, tentei controlar a respiração, mas as minhas pernas tremiam e senti o coração bater como louco.
— Relaxa, vai dar tudo certo, é o seu momento, sorriso no rosto, foca no noivo e segue em frente, nem muito rápido nem muito devagar — A assessora falou dando os últimos toques.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido