“Camila”
Isabella definhava, afogada em uma culpa que não era dela. Minha mãe se apegava em Deus e rezava todos os dias pelo retorno da Karen. Eu tentava me manter forte pelas duas, mas os dias passavam e eu começava a esperar pelo pior.
— Ele chegou depois da meia-noite ontem, de novo — Isabella comia um pedaço de pão na marra, porque eu tinha obrigado.
— Ele deu alguma justificativa? — Não era a primeira vez que ela comentava que Augusto chegava depois da meia noite, e a minha vontade era ir até o trabalho dele e fazer um escândalo.
— Trabalho. Estão com problemas na empresa, mas esses dias chegou uma mensagem no celular dele, da tal da Juliana… amiga dele.
Todo mundo sabia que o Augusto era um cafajeste, mas isso era demais. Trair a esposa nesse momento e logo depois de casar era o cúmulo da escrotice. Além disso, ele fugia para o trabalho e deixava a ela sozinha, tendo que lidar com a dor da incerteza.
— Não deve ser nada — tentei amenizar. Não queria piorar tudo agora que ela estava tão frágil.
— Ela falou obrigada por ontem…
Desgraçado. E eu querendo acreditar que ele tinha se apaixonado e tomado jeito. Na primeira dificuldade caiu fora e largou a esposa com os próprios problemas. O homem era um lixo.
— Não pensa nisso agora. Come mais um pouco.
Minha vontade era levar ela embora para a minha casa, esquecer aquele homem, esquecer essa história absurda de contrato, mas Isabella sempre queria voltar para a casa dele.
Decidi tomar uma atitude drástica.
Desde o casamento eu não via o César, nem falava com ele. Depois da declaração dele, eu não queria machucá-lo ainda mais, ou me machucar também. Ele estava certo, nós dois não era para ser.
Mas eu não imaginava que a saudade doía tanto. Às vezes me pegava procurando ele na Lush, olhando o celular, querendo mandar alguma mensagem. Eu esperava que, em algum momento, ficasse mais fácil, mas existiam dias bem mais difíceis do que outros.
E agora eu tinha que falar com ele. Ouvir a voz dele, chegar perto, sentir o cheiro dele. Parecia que eu ia enlouquecer. Não sabia que era possível amar alguém assim. Mas naquele momento quem importava era Isabella.
Engoli meus sentimentos, guardei em uma caixinha e fui até o escritório dele, esperando que me recebesse. Mas César era César: autorizou minha entrada imediatamente. Quando entrei na sala, meu coração disparou. Ele me olhou e sorriu.
Eu devia proibir ele de sorrir na minha presença.
— Desculpa vir aqui, mas precisamos conversar.
— Você pode vir quando quiser — ele se levantou e veio até mim. — Quer sentar? Quer alguma coisa? Uma água, um café?
— Uma água só, obrigada.
Minha voz estava formal demais. Eu me sentia estranha, sem jeito.
Ele pegou um copo, me serviu. Tomei um gole para tentar me acalmar.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido