Desde o desaparecimento da Karen, John passou a trabalhar dobrado. Não era obrigação dele — era chefe de segurança, não detetive — mas eu pagaria qualquer coisa para ter respostas.
Quando ele entrou no meu escritório, fui direto ao ponto:
— Alguma notícia?
John respirou fundo antes de responder, e isso já dizia tudo.
— Por enquanto, nada. Tanto a polícia quanto nós achávamos que, com a quebra do sigilo telefônico, surgiria alguma novidade. Mas apesar dela ter trocado mensagens com uma amiga dizendo que estava com medo do marido, que ele estava estranho, não tinha mais nada. A amiga também não tinha muita coisa para contar, e o marido tem álibi. Não consta mais nada contra ele, nenhuma mensagem estranha, nada.
O silêncio ficou pesado. A gente precisava de alguma resposta, caso contrário, Isabella definharia cada vez mais na incerteza.
— Qual é a sua teoria?
Ele hesitou um segundo.
— Se eu for frio, bem frio… e pensar como alguém que quer desaparecer, existe um jeito. Ela aparece nas câmeras, o carro também. Não chega à clínica. Em algum trecho ela pode ter parado em um ponto cego — mesmo que hoje isso seja raro. Sai do carro, troca de veículo, muda o visual… e some. Seria premeditado. Mas aí estamos falando de uma pessoa que planejou muito bem como sumir, tem que ser muito bom para fazer isso.
— Mas todo esse tempo… tem notícias do desaparecimento, fotos dela em todos os lugares. Como ninguém reconheceria? Parece improvável. Eu ainda acho que o Carlos é culpado. Mas também não é possível que seja o rei do crime.
— Sinceramente? O marido parece limpo. Se ele tivesse feito alguma coisa, já teríamos achado. Ninguém é tão bom assim, sempre aparece um rastro. Mas, no caso dele, fica em casa ou no trabalho, e sempre com cara de quem perdeu tudo. Claro… pode ser teatro.
— Você acha que ele seria capaz de uma coisa dessas? Sumir com a própria família?
— Com base no dossiê que você me enviou, não, parece ser só um estelionátario. Sumir com a mulher e a criança é chamar atenção demais. É burrice. E esse tipo costuma ser covarde, não burro.
Passei a mão no rosto. Minha cabeça ardia.
— Às vezes acho que não foi ele. A Isabella tem certeza absoluta, mas…
— Se eu fosse irmão dela, também teria. — John respondeu. — Mas olhando de fora… ninguém é santo. Estamos cavando a vida da Karen inteira. Se ela descobriu que a irmã ia colocar as mãos em provas contra o marido, pode ter fugido antes. Pode ter culpa. Pode ter medo.
A pior parte era que fazia sentido. Mas seria uma crueldade enorme fazer isso com a própria família.
Isabella sabia que a irmã tinha uma lista de erros, mas nada disso impedia a dor. Ela sentia culpa pelo sobrinho. Culpa por não ter feito nada.
— Prefiro acreditar que ela fugiu — murmurei. — Qualquer coisa diferente disso… destrói a Isabella.
— Nós vamos descobrir — John afirmou com firmeza. — Em algum lugar tem um registro. Ninguém desaparece completamente. Sempre fica um rastro.
John era confiável. Um homem frio quando precisava. Mas naquele dia, por algum motivo, parecia preocupado comigo também.
— Você é casado? — perguntei sem pensar. Conhecia o lado profissional dele, mas nunca tinha perguntado nada pessoal.
— Quase vinte anos. Dois filhos, três cachorros mimados, uma casa financiada e dor nas costas — respondeu com meio sorriso. — Por quê?
Não respondi. Não sabia como elaborar.
— Claro que não! De onde você tirou isso?
— A Camila veio falar comigo. A Isabella falou que você chega tarde e viu mensagens da Juliana no seu celular. Ela tem certeza de que você está traindo. Vocês acabaram de casar, sua esposa está passando por tudo isso, e você tem coragem de fazer uma coisa assim? Eu achei de verdade que você tinha mudado, que esse casamento era de verdade.
— Eu já falei que não estou traindo a Isabella! Você sabe muito bem que chego tarde por causa do trabalho. E sobre a Juliana: eu a encontrei um dia no restaurante e conversamos, foi só isso. Eu sei muito bem pelo que a minha esposa está passando. Estou todo dia ao lado dela…
— Não. Você está todo dia aqui, se escondendo dentro desse escritório.
— Você sabe muito bem que preciso estar aqui no momento.
— Eu sei o que está acontecendo, mas você não precisa se enfiar aqui dia após dia durante quinze horas, enquanto a Isabella fica em casa sozinha.
— Ela não fica sozinha.
— Se você não está lá, ela fica — César falou com um tom desprezo na voz.
— César, por que você não vai cuidar da sua vida? Não preciso de conselhos sobre casamento. Você não é exemplo pra ninguém.
— Nem você. Pelo menos eu sei que não deixaria a pessoa que amo em casa sofrendo sozinha enquanto me escondo dentro de uma planilha, pensa bem no que esta fazendo, relacionamento não é apenas curtir e transar, que é unica coisa que você fez esses anos todos. É também comprometimento, e isso acho que você não aprendeu a ter. O recado está dado — César saiu batendo a porta.
Ele não estava completamente errado. Mas também não era do jeito que ele imaginava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...