“Camila”
Às vezes, as minhas ideias eram perigosas.
Depois da minha conversa com César, vi saindo do prédio um cara que já tinha visto na casa da Isabella. Pelo que entendi, ele era o chefe de segurança da família, e Augusto tinha incluído ele na investigação.
Resolvi arriscar e perguntar algumas coisas. Tudo que eu sabia vinha pela boca da Isabella ou da polícia.
— Com licença, meu nome é Camila. Sou prima da Isabella e acho que já nos vimos na casa dela.
Ele parou e me olhou, analisando.
— Sim, eu me lembro de você e da sua mãe.
— Desculpa parecer invasiva, mas... tem alguma notícia?
— Acabei de vir do escritório do Augusto para falar das últimas atualizações e, infelizmente, não temos nada de novo.
— Certo. Não sei se você pode me responder, mas eu preciso perguntar. Minha tia e a Isabella estão sofrendo muito com isso e eu preciso saber o que esperar. Tem alguma chance de encontrar ela viva? Quer dizer, já passaram três semanas e nada... — Talvez ele achasse um pouco frio perguntar isso, mas eu realmente queria saber qual era a projeção de futuro.
— Sendo sincero, e sem querer dar falsas esperanças, como não encontramos nada até agora, e dadas as circunstâncias do desaparecimento, é mais fácil pressupor que ela esteja viva.
— Porque se tivesse acontecido o pior, vocês já teriam descoberto — conclui. — Então ela pode simplesmente ter fugido?
— É uma possibilidade, mas não quero dar falsas esperanças.
— Entendi. Muito obrigada.
Tentei analisar por outra perspectiva. Tinham revirado a casa, a rua, o trabalho, a vida de Carlos, e não acharam nada que o ligasse ao desaparecimento, exceto algumas brigas. E se Karen só estivesse se escondendo? Se fosse medo de Carlos, ela poderia pedir ajuda para Isabella, que tinha mais recursos e dinheiro.
Sabia que já tinham investigado tudo da Karen. Mas eu era família, conhecia a minha prima. Então resolvi ir onde eles não foram, para o passado.
Passei o dia todo procurando nas redes sociais fotos antigas da Karen. Sempre em baladas, sempre com amigos muito mais ricos e poderosos do que ela. Encontrei alguns nomes, algumas pessoas que ainda frequentavam os mesmos lugares. E foi aí que entrou a minha péssima ideia.
Agora, eu estava em uma balada caríssima. Gastei uma fortuna para conseguir entrada, porque uma amiga antiga da Karen estava fazendo uma festa de despedida de solteira.
Eu lembrava dela — eram amigas há uns cinco anos, sempre juntas, milhares de fotos, viagens… e do nada sumiram uma da vida da outra. O que eu esperava conseguir de uma mulher que eu nunca tinha visto, e que era amiga da Karen mais de cinco anos atrás? Não sei.
Mas eu tinha um instinto. Era melhor procurar do que não fazer nada.
E ela era só o primeiro nome da lista. Eu tinha outras pessoas que pretendia procurar.
O problema era falar com a criatura, que estava em uma área privada, cercada de amigas bêbadas. Resolvi que a melhor estratégia era ser “a amiga de porta de banheiro”.
Fingi que tinha bebido e esperei alguma delas ir ao banheiro. O plano funcionou com a terceira, que era muito mais aberta e expansiva. Começamos uma conversa sobre a minha profissão, contei fofocas de balada, histórias que tinha ouvido, falei que estava sozinha porque minha amiga tinha arranjado um cara.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido