— Depois que abri os olhos, descobri que ela devia para um monte de gente, outras pessoas também achavam que ela roubava coisas, mas não havia como provar. E sabe o pior? Ela dormia com o meu pai e tinha um namorado, acho que o nome dele era Miguel, Gabriel, uma coisa assim, a fofoca que fiquei sabendo bem depois era que ele sabia de tudo e ajudava, depois que brigamos eu ainda os vi juntos por um bom tempo.
— Gente, que loucura.
— De quem vocês estão falando? — perguntou outra mulher que chegou um pouco depois.
— Da Karen, lembra dela?
— Que babado esse sumiço dela com o filho. Olha, eu acho que ela fugiu, deve ter dado um golpe no marido e fugido com um amante. Lembra daquele cara com quem ela saía? Nas redes sociais pareciam tão juntos; tinha umas conversas sobre ele também.
— O namorado? — Perguntei querendo saber mais sobre esse namorado que nunca ouvi falar.
— Não, o outro, um que era ricaço, drogado e encrenqueiro. Eu vi os dois juntos por muito tempo, acho que foi depois desse namorado. Depois ela sumiu, achei que finalmente tinha zerado a lista e mudado de cidade.
— Ela casou, teve filho, talvez tenha mudado, virado outra pessoa — Ponderou uma das mulheres, nem todas conheciam Karen.
— Duvido. Quando vi as fotos do casamento imaginei que ela tinha achado um cara rico para casar, esse povo não muda.
Elas falavam todas ao mesmo tempo; eu nem conseguia distinguir quem falava no meio do barulho. Karen foi tópico por um momento até que passaram para outra coisa. Precisava olhar as fotos e as redes sociais de novo para localizar o ex-namorado.
Como já tinha conseguido o que procurava, fiquei ali pensando que o melhor era sair de fininho, sem que percebessem.
— Vamos dançar um pouco, elas só querem ficar aqui bebendo — disse a minha amiga de porta de banheiro, cujo nome eu tinha esquecido, mas que me deu a excelente oportunidade de encerrar a noite. Eu poderia despistar e ir embora.
Fomos para a pista, a casa estava ainda mais cheia, se é que era possível. Eu até gostava de balada, mas naquele momento não estava no clima e a música do lugar era ruim, o melhor era fingir algum entusiasmo ao lado da minha nova amiga.
— Sai fora. — Ela empurrou um cara bêbado; eu vinha logo atrás e não tinha visto o que tinha acontecido, mas quase tinha certeza de que ele a havia abraçado sem autorização.
— Que isso, gata, não precisa se fazer de difícil...
— Se chegar perto de novo eu te chuto. — falou a mulher.
Ele tentou abraçá-la de novo, ela empurrou outra vez. Eu conhecia o tipo, um escroto qualquer que não aceitava um “não”. Empurrei para afastá-lo, já que ele parecia ter dificuldade de ouvir um pedido de recuo, e eu não tinha paciência para caras assim.
— Quem é essa puta? Ele tem namorada...
Uma loira apareceu, abraçando o cara e brigando com a minha amiga, como se ela tivesse agarrado ele e não o contrário. Minha paciência acabou, empurrei sem dó. As pessoas ao redor reagiram, e eu cheguei à frente da loira, que estava a ponto de agredir minha nova amiga para defender o namorado lixo.
— Esse bosta aí estava agarrando ela sem consentimento, é melhor parar de fazer palpel de trouxa— Berrei no ouvido dela para me fazer ouvir no meio daquele barulho e confusão.
— Essa vagabunda estava dando em cima do meu namorado...
A loira estava furiosa.
— Seu namorado é um merda. — Gritei.
Eu tinha experiência suficiente para saber o que vinha a seguir. As duas se agarraram pelos cabelos; eu dei um chute na canela do cara, que tentou sair de fininho mas voltou com raiva, xingando todo mundo e querendo arrancar a namorada de lá. Gritos, t***s e socos, os seguranças apareceram e nos levaram para a rua, inclusive o namorado.
— Olha o que você fez, sua vagabunda! Rasgou meu vestido! — gritou a namorada iludida.
Poderia ter acabado ali, mas as duas travaram uma guerra; no processo o namorado começou a brigar com um segurança. Fui ajudar minha amiga tentando afastá-la da confusão, mas era impossível, ela tinha entrado no modo briga.
Uma outro moça, mais nova estava apoiada no posto passando e mal e quase foi agredida de graça, precisei apoiar a coitada que estava completamente bêbada e nem conseguia entender o que estava acontecendo.
— Isso é para aprender a não ficar dando em cima dos namorados dos outros.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido