Capítulo 170 — A Voz no Silêncio
Victoria Foley
O som seco do clique na linha ainda ressoava no meu tímpano como um zumbido estridente.
Afastei o telefone da orelha devagar, encarando a tela escura que acabara de encerrar a chamada . Pisquei uma, duas, três vezes, tentando entender se o sinal simplesmente havia caído pela oscilação da rede do restaurante ou se Adrian realmente tinha tido a audácia inacreditável de desligar na minha cara.
Ainda há meio minuto nós estávamos rindo. Ele brincava com a história do tiramisù, a voz dele estava doce, tranquila, solta de um jeito que só ficava quando estávamos a sós. E então duas batidas soaram na porta. Uma voz feminina arrastada, melosa e venenosa ecoou no fundo, chamando-o de querido com uma intimidade que revirou o meu estômago de ponta a cabeça.
E, no segundo seguinte, nada. Apenas a linha morta.
— Não... ele não fez isso — sussurrei para o quarto vazio, sentindo o calor começar a subir do meu peito direto para o meu pescoço.
Toquei na tela iluminada e apertei o botão verde para discar de volta. O aparelho chamou uma vez. Duas vezes. Três vezes. Quatro vezes.
Caixa postal.
— Atende essa porcaria, Adrian! — esbravejei com o quarto silencioso, jogando as pernas para fora do colchão.
Disquei de novo.
Chamando... Chamando... Chamando... O número que você ligou está ocupado ou fora da área de cobertura.
Ele havia recusado a chamada.
O sangue ferveu nas minhas têmporas. A pontada de tontura que me acompanhou a tarde inteira ameaçou voltar com o movimento brusco, fazendo o quarto balançar ligeiramente por dois segundos.
Pousei a palma da mão sobre o meu ventre, respirando fundo pelo nariz e soltando pela boca com lentidão para tentar conter a queimação que tomava conta de mim.
— Calma, meu amor... mamãe está calma — murmurei em um sussurro trêmulo, sentindo os batimentos cardíacos baterem descompassados contra as minhas costelas. — O seu pai só é um idiota que não sabe usar um celular. É só isso.
Mas não era só isso. A porra daquela voz… ninguém entra na sala de um CEO em um jantar corporativo chamando o homem de querido daquele jeito a menos que queira provocar, desestabilizar ou esfregar uma intimidade inexistente na cara de quem estiver por perto.
Levantei da cama de vez, ignorando a ordem expressa da Aline de manter repouso absoluto. Calcei as minhas pantufas macias e comecei a andar de um lado para o outro sobre o tapete da suíte, com o telefone apertado com tanta força na mão direita que a ponta dos meus dedos estava dormente.
Disquei mais uma vez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo