Capítulo 169 — A Audácia do Fantasma
Adrian Foley
O ar na sala privativa pareceu congelar em uma fração de segundo.
Parada sob o batente da porta, envolta em um sobretudo de corte impecável e com um sorriso debochado desenhado em lábios carmim, estava Diana Hohenzollern. Ou melhor, Diana Bowers.
Ela sustentava os olhos cravados nos meus com uma calma doentia, enquanto a voz melosa com que havia acabado de me cumprimentar ainda flutuava pelo ambiente fechado.
Foi então que um som mínimo me trouxe de volta à realidade: uma respiração curta e entrecortada saindo do alto-falante do meu telefone.
Victoria.
A chamada ainda estava ativa. Minha esposa estava do outro lado da linha, em casa, esperando que eu dissesse qualquer coisa sobre o doce que havia prometido levar.
— Adrian? — a voz doce e confusa da Victoria soou baixa contra o meu ouvido. — Quem está aí?
Diana deu um passo lento para dentro da sala, os saltos finos batendo no piso de madeira com um estalo ritmado e proposital. Ela ergueu uma sobrancelha perfeitamente delineada, encarando o aparelho na minha mão antes de inclinar a cabeça de lado.
— Falando sozinho, querido? Ou já estava tão ansioso pela minha chegada que começou a ensaiar as boas-vindas?
Minha gargalhada de pura raiva morreu na garganta. Não hesitei um milésimo de segundo: apertei o botão vermelho na tela do celular e encerrei a chamada bruscamente, enfiando o aparelho no bolso do paletó.
Victoria certamente ficaria furiosa com o desligamento na cara dela, mas mantê-la ouvindo a voz dessa cobra no estado delicado em que estava seria empurrá-la direto para uma crise de ansiedade.
— Você tem exatamente dez segundos para sair por essa porta antes que eu chame a segurança do restaurante e mande te jogarem na sarjeta — soltei com a voz gélida, sem me mover um milímetro de onde estava, encostado na mesa.
Diana soltou uma risadinha suave, teatral, e fechou a porta atrás de si com um empurrão elegante. Ela caminhou na minha direção sem demonstrar o menor medo, deslizando a ponta dos dedos sobre a toalha de linho branco.
— Menos drama, Adrian... Você nunca foi um homem de perder a compostura dessa maneira tão deselegante — ela parou a dois passos de mim, o perfume adocicado e enjoativo invadindo meu espaço. — Eu atravessei o oceano para fechar um negócio que vai render centenas de milhões de dólares à sua holding. Você deveria, no mínimo, me agradecer por ter articulado o consórcio bávaro até a sua mesa.
— Você não articulou nada. Você se escondeu atrás de laranjas e de um sobrenome falso porque sabia que, se eu visse o seu nome real em qualquer documento, a sua comitiva nem cruzaria a porta de entrada da minha empresa.
Diana sustentou meu olhar sem piscar, os olhos brilhando em pura diversão.
— Detalhes burocráticos, Adrian. O mundo corporativo é feito de máscaras e manobras. O que realmente importa é o resultado final. E admita... Você sentiu a minha falta. Aquela sua frieza calculada sempre foi a coisa que eu mais admirei em você. Nós dois juntos somos imbatíveis quando queremos.
Ela deu mais meio passo à frente, diminuindo a distância entre nós a ponto de erguer uma das mãos na direção da lapela do meu paletó.
Dei um tapa seco no ar, afastando a mão dela com um movimento brusco e cortante.
— Não encosta em mim, Diana. Nunca mais.
Ela recolheu os dedos devagar, o sorriso diminuindo ligeiramente, mas sem perder o tom descarado.


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