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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 4

Capítulo 4 — Preço da Dignidade

Victoria Clark

O silêncio que se instalou no quarto de hotel era tão denso que eu conseguia ouvir o som do papel do cheque balançando entre os dedos de Adrian. Minha mente tentava, desesperadamente, conciliar o homem que tinha me tratado como porcelana poucas horas atrás com essa estátua de terno que me encarava como se eu fosse uma mancha no tapete caro.

— O que você disse? — perguntei, a voz saindo mais baixa do que eu gostaria. Forcei meu corpo a se sentar na cama, puxando o lençol de linho contra o peito com força extra.

— Você me ouviu — Adrian deu dois passos na minha direção, o rosto completamente impassível. — Não costumo repetir minhas ordens, muito menos minhas propostas. Ponha o preço que quiser nesse papel e suma da minha vida. Estou pagando pelo seu silêncio e pelo seu incômodo.

A ficha caiu com o impacto de uma bigorna.

A noite maravilhosa, o cuidado, a gentileza... tudo não tinha passado de uma alucinação causada por um homem drogado ou bêbado demais para lembrar quem era. E agora, o CEO implacável estava de volta, tentando comprar o que restava do meu orgulho.

— Você acha que tudo tem um preço, não é? — senti o sangue subir para o meu rosto, mas não de vergonha. Era ódio puro. — Você me olha e só consegue enxergar um número?

— No meu mundo, Victoria, tudo tem um preço — ele respondeu, a voz gélida, os olhos fixos nos meus sem um piscar sequer. Ele jogou o cheque em cima do colchão, perto dos meus pés. — Inclusive a sua encenação de garota inocente. Não sei como você armou para que eu estivesse naquele beco, nem me importa. Só quero o problema resolvido. Pegue o dinheiro.

Eu encarei o papel timbrado ali na cama. Aquele pedaço de papel provavelmente resolveria a conta do hospital da minha tia em dois minutos. Mas o gosto da humilhação na minha boca era tão amargo que eu preferia queimar no inferno a aceitar um centavo daquele homem.

Afastei o lençol com cuidado para não me expor, peguei o cheque e me levantei. Meus pés descalços afundaram no tapete macio enquanto eu caminhava até ele. Adrian não recuou um milímetro, mantendo a postura erguida, os braços cruzados.

— Eu estive com você porque eu quis, seu idiota — disparei, parando a centímetros dele. Minha respiração batia no peito dele. — Eu não quero o seu dinheiro podre.

Antes que ele pudesse responder, juntei o cheque na palma da mão, amassei até virar uma bolinha de papel insignificante e joguei direto na cara dele.

Os olhos azuis de Adrian se estreitaram, uma faísca de surpresa e raiva genuína cruzando seu rosto perfeito.

— Você enlouqueceu? — ele rosnou, dando um passo à frente, a aura ameaçadora tentando me encolher.

— Você ainda não viu nada — respondi.

Apressei o passo pela calçada movimentada do centro, mas um tumulto logo à frente me fez parar.

Pessoas começaram a se aglomerar ao redor de um banco de praça. Um senhor de cabelos brancos, vestindo um sobretudo de caxemira extremamente elegante, estava caído de lado no chão. A mão dele apertava o peito com força, enquanto ele tentava, em vão, puxar o ar. O rosto dele já estava ganhando um tom arroxeado e assustador.

— Alguém chame uma ambulância! Ele está tendo um infarto! — uma mulher gritou, mas ninguém se movia. Alguns apenas olhavam, chocados, e dois adolescentes começavam a filmar a cena com os celulares.

Esqueci o Adrian, esqueci o cheque, esqueci a minha própria desgraça. O instinto de quem passou os últimos dois anos monitorando crises respiratórias e cardíacas da tia Marie assumiu o controle do meu corpo de forma avassaladora.

Corri em direção ao homem caído, empurrando a multidão inútil da minha frente.

Me ajoelhei no asfalto sujo ao lado dele, ignorando a dor nos meus joelhos. Segurei o rosto do idoso, tentando fazê-lo focar em mim enquanto sua respiração falhava drasticamente.

— Senhor? Olhe para mim! Tente puxar o ar devagar — gritei, enquanto minha mão já tateava o pescoço dele em busca do pulso fraco. — Eu vou te tirar daqui, aguente firme!

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