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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 5

Capítulo 5 — O Peso da Injustiça

Victoria Clark

O homem tentou abrir os olhos, os lábios já arroxeados movendo-se com extrema dificuldade. Ele segurou o meu pulso com os dedos trêmulos e, em um sopro de voz antes de apagar completamente nos meus braços, sussurrou:

— Vic... Victor...

— Senhor Victor! Fique comigo!

Vi quando os paramédicos finalmente apareceram na esquina com a maca.

— O senhor vai ficar bem, eu prometo… — sussurrei ao homem antes de o carregarem e o levarem direto para o hospital.

O som da sirene da ambulância ainda ecoava nos meus ouvidos enquanto eu andava de um lado para o outro na sala de espera do pronto-socorro. Minhas mãos estavam sujas com a poeira do asfalto e minhas roupas amassadas, mas eu não conseguia me importar.

Eu tinha insistido em vir na ambulância com o senhor desconhecido; dei o nome que ele me sussurrou antes de desmaiar e os paramédicos acharam seus documentos logo em seguida. Eu não podia simplesmente deixá-lo sozinho sabendo exatamente o horror que é não conseguir respirar.

— Acompanhante do senhor Victor Foley? — o médico de plantão apareceu na porta, olhando ao redor com uma prancheta em mãos.

"Foley?", pensei por um breve segundo, sentindo um estalo incômodo na mente. Aquele sobrenome me lembrava o homem que tinha pisoteado meu orgulho naquela manhã, mas ignorei. Devia ser apenas uma coincidência infeliz; o mundo estava cheio de sobrenomes iguais e aquele idoso dócil e indefeso não parecia ter qualquer ligação com o monstro de gelo do hotel.

Me aproximei do médico, hesitante.

— Eu não sou parente, doutor. Fui eu quem o encontrou na rua. Como ele está?

— Ele teve um infarto do miocárdio, mas o socorro rápido salvou a vida dele. Ele já está medicado, estável e consciente no quarto. Pode entrar por alguns minutos se quiser vê-lo, ele insistiu em agradecer à moça que o socorreu.

Soltei um suspiro longo, sentindo um alívio genuíno.

— Obrigada, doutor.

Antes que eu pudesse dar o primeiro passo em direção ao corredor dos quartos, o meu celular começou a vibrar loucamente no bolso da calça. O visor brilhava com o nome do Ricardo. Meu estômago despencou. O turno do bar já tinha acabado, mas eu deveria estar abrindo o caixa do meu segundo emprego na lanchonete parceira do mesmo grupo agora.

Apressei o passo para um canto mais reservado do hospital e atendi, tentando manter a voz o mais firme possível.

— Ricardo, oi. Me desculpa, eu...

— Nem comece, Victoria — a voz dele veio carregada de uma frieza cortante, sem qualquer espaço para diálogo. — O gerente da lanchonete acabou de me ligar dizendo que a porta está fechada e tem clientes esperando na calçada. Eu tolero sua cara de defunto no bar, mas não cumprir seu turno é inadmissível! No que você estava pensando?

— Ricardo, por favor, me escuta! — implorei, encostando a testa na parede fria do hospital, engolindo o choro. — Eu juro que não foi por irresponsabilidade. Eu acabei de salvar um senhor que estava tendo um infarto na rua. Vim com ele na ambulância, estou no hospital agora. E a minha tia... ela foi transferida para a semi-intensiva ontem à noite, eu estou desesperada, preciso desse emprego!

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