Capítulo 172 — Em Chamas
Adrian Foley
Mantive a palma da mão direita espalmada sobre a barriga dela por baixo da blusa de algodão. A pele morna do ventre da minha mulher era o meu ponto de equilíbrio, a âncora que me impedia de perder a razão diante de qualquer ameaça que rondasse a nossa família.
— Ainda está sentindo aquela pontada de cólica, amor? — perguntei em um sussurro baixo, colando os lábios na têmpora dela.
Victoria se mexeu devagar no meu colo, afastando o rosto apenas o suficiente para me encarar. As bochechas ainda estavam avermelhadas e os olhos castanhos brilhavam com as lágrimas recentes, mas a postura desfeita pelo pânico deu lugar àquela centelha de fogo e firmeza que eu tanto amava nela.
— Passou — ela murmurou, a voz ligeiramente rouca. — Foi só o susto. O ódio subiu tão rápido que pareceu um soco no estômago... mas passou. O bebê está quietinho.
Soltei o ar com força pelos pulmões, sentindo o peso de um edifício inteiro saindo das minhas costas. Curvei o tronco e deixei um beijo demorado, quase devocional, na ponta do nariz dela, descendo em seguida para a curva da mandíbula.
— Você quase me matou de susto quando levou a mão à barriga, Victoria — confessei, sustentando o olhar dela com uma intensidade crua. — Ver você passar mal por causa daquela desgraçada quase me fez voltar àquele restaurante e quebrar a cara de quem cruzasse o meu caminho.
Ela soltou um risinho soprado, um som que quebrou a rigidez do quarto.
— Se você fizesse isso, quem ia te quebrar no meio era eu por ter saído de perto de mim de novo.
— Eu não saio do seu lado por nada nesta vida, minha mulher teimosa. — Segurei o queixo dela com os dedos, acariciando os lábios macios com a ponta do meu polegar. — Escuta bem o que eu vou te dizer e grava cada palavra no fundo da sua cabeça: a Diana é um pedaço de lixo enterrado no meu passado. Ela não tem espaço na minha vida, não tem poder sobre mim e nunca, em nenhuma hipótese ou universo paralelo, vai chegar aos seus pés. O meu corpo, a minha mente e a porra da minha alma inteira pertencem a você.
Victoria engoliu em seco. O peito dela subiu e desceu sob o tecido fino, e o modo como ela me encarou, com uma fome silenciosa e uma vulnerabilidade desarmada, fez meu sangue acelerar nas veias.
— Fala de novo — ela pediu baixinho, levando as mãos para o meu colarinho, desabotoando o botão da minha camisa social com dedos firmes. — Fala que você é meu.
— Eu sou seu, Victoria — sussurrei contra a boca dela, sentindo a respiração quente se misturar com a minha. — Inteiramente seu. Da cabeça aos pés. Para sempre.
Ela não esperou que eu dissesse mais nada. Puxou a minha nuca com urgência e colou os lábios nos meus com uma avidez que me pegou desprevenido. O beijo não foi tímido nem contido; foi faminto, possessivo, carregado de todo o ciúme, a raiva e a paixão que haviam sido reprimidos durante aquela noite inteira.
A língua dela invadiu a minha boca com uma segurança que me fez soltar um gemido rouco contra a garganta dela. Minhas mãos apertaram a cintura macia da minha esposa, erguendo o corpo dela ligeiramente para acomodá-la melhor contra o meu quadril.
Senti o volume da minha ereção pulsar contra a barra da calça social, e ela pareceu notar no mesmo instante, esfregando-se contra mim com um gemido abafado que ecoou pelas paredes da suíte.
— Adrian... — ela sussurrou quando nos separamos por um instante em busca de ar, os lábios inchados e brilhantes. — Tira isso. Tira essa roupa agora.
Não precisei ouvir duas vezes. Deslizei minhas mãos pelas laterais do corpo dela, segurei a barra da sua blusa e a puxei pela cabeça em um único movimento fluído, jogando a peça no chão. Meus olhos desceram pelo sutiã rendado claro, apreciando o contorno dos seios mais cheios e sensíveis por conta das semanas de gestação. O decote subia e descia em um ritmo apressado.
Victoria desceu as mãos pelos meus ombros, empurrando as mangas da minha camisa para baixo até que eu me livrasse do tecido, expondo o meu peito. Antes que eu pudesse me mover, ela inclinou o tronco e mordeu de leve o meu trapézio, deixando um beijo úmido e quente bem no ponto onde a pele encontrava o pescoço.

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