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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 182

Capítulo 182 — O Espetáculo da Vida

Adrian Foley

O sol do fim de tarde dourava os jardins da propriedade com uma luz quente, quase mágica. Centenas de rosas brancas, orquídeas e lírios se espalhavam pelo pergolado de madeira maciça, criando uma nave a céu aberto diante da vista deslumbrante da baía de São Francisco.

No altar, montado sobre o tablado de carvalho, nós estávamos a postos.

Como os padrinhos principais daquela união improvável e grandiosa, Victoria e eu ocupávamos o lugar de honra bem ao lado do celebrante e dos noivos. Eu estava em pé, vestindo meu smoking sob medida, ladeando o meu avô a menos de dois passos de distância. E, colada a mim, Victoria resplandecia no vestido longo verde-oliva que delineava a curva evidente do nosso filho.

Mantive o braço esquerdo firme ao redor da cintura dela, oferecendo apoio constante para que ela não se cansasse sobre o salto baixo. Nossos dedos estavam entrelaçados com força, e o polegar dela acariciava o dorso da minha mão a cada minuto.

No centro do tablado, o patriarca da família Foley parecia um leão enjaulado em traje de gala.

Vovô Victor vestia um smoking chumbo impecável, mas as mãos dele, sempre firmes e inabaláveis nos negócios, tremiam de leve enquanto ele ajeitava pela décima vez o cravo branco preso na lapela.

Os olhos azuis do velho, idênticos aos meus, varriam o início da nave de flores com uma impaciência impagável.

— Se aquela mulher demorar mais dois minutos, eu mesmo desço desse tablado e trago ela pelos cabelos! — Vovô Victor rosnou baixo, virando o pescoço na nossa direção. O padre, parado ao lado do púlpito, apenas pigarreou com um meio sorriso resignado.

— Fica quieto, vovô — repreendi em um sussurro baixo, segurando a risada. — A noiva tem o direito sagrado de atrasar uns minutos. Faz parte do cerimonial.

— Cerimonial uma ova, Adrian! — ele retrucou em um tom nada discreto que fez as primeiras fileiras de convidados prenderem o riso. — Esperei anos de viuvez para achar uma mulher com juízo suficiente para me aturar. Não vou perder mais nenhum milésimo de segundo nesta vida por causa de pó de arroz!

Victoria soltou um risinho gostoso contra o meu ombro, inclinando-se para sussurrar com autoridade doce para o noivo.

— Tenha modos, vovô. Se a minha tia ouvir esse escândalo daqui, ela dá meia-volta e o senhor vai ter que casar sozinho com o padre.

O velho estreitou os olhos azuis para a minha mulher, resmungando algo inaudível entre dentes, mas a menção à Marie foi o suficiente para fazê-lo engolir o orgulho e travar a postura no centro do altar. O respeito e o medo reverente que ele já tinha por ela eram fascinantes de assistir.

Apertei a cintura da Victoria, colando meus lábios na têmpora dela.

— Como está a barriga, meu amor? Quer sentar um pouco antes da entrada?

— Estou perfeita, amor — ela sussurrou de volta, erguendo o rosto com os olhos castanhos brilhando de pura expectativa. — Não perco a cara dele por nada neste mundo.

De repente, o quarteto de cordas interrompeu a melodia ambiente.

Um acorde límpido e imponente de violoncelo quebrou a brisa do jardim, abrindo passagem para as notas clássicas e emocionantes da marcha nupcial. A plateia inteira se colocou de pé em um farfalhar elegante de tecidos finos.

Sob o arco de rosas na entrada da nave, surgiu Marie.

O impacto da imagem arrancou um suspiro coletivo da plateia. O vestido marfim de seda e renda francesa parecia ter sido esculpido exclusivamente para ela. O véu flutuava suavemente ao vento da costa, e o buquê de flores brancas repousava seguro em suas mãos.

Mas era o olhar dela, marejado, sereno e transbordando a dignidade de quem venceu a vida, que roubava o ar de qualquer um.

Olhei para o meu lado.

A carcaça de homem duro, indomável e temido de Victor Foley simplesmente ruiu em uma fração de segundo.

A mandíbula do velho amoleceu. Os lábios dele se entreabriram em um suspiro mudo e os olhos azuis se encheram de lágrimas tão grossas que transbordaram pelas rugas do seu rosto sem cerimônia nenhuma. Ele levou a mão ao peito, bem em cima do coração, engolindo em seco enquanto Marie avançava a passos lentos pelo tapete bege.

Ver aquele homem chorar me acertou como um soco no meio do peito.

Quando meus pais morreram, o meu mundo ruiu. Eu era um garoto despedaçado pela tragédia, afundando na escuridão. E foi esse velho turrão, autoritário e implacável que me puxou do abismo pelos ombros.

Victor Foley secou o meu choro na base da força, me ensinou a nunca abaixar a cabeça para o destino e carregou o fardo do nosso império sozinho para que nada faltasse ao meu futuro. Ele abriu mão do próprio luto para ser a rocha da minha vida.

E vê-lo ali, desarmado, vulnerável e transbordando de um amor genuíno na reta final da existência, trouxe um nó ardente para a minha própria garganta.

Marie alcançou o tablado. O meu avô não esperou o celebrante dar a ordem: deu dois passos largos para a frente, desceu o degrau de madeira e segurou as duas mãos da noiva com uma devoção quase desesperada, puxando o véu dela para trás com dedos trêmulos.

— Você é... você é a mulher mais linda que já pisou nesta terra — ele soltou com a voz completamente embargada, ignorando solenemente o padre.

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