Capítulo 184 — O voo dos sonhos
Victoria Foley
Um murmúrio de espanto e surpresa varreu o salão. Dubai!
— Dubai, Victor?! — tia Marie arregalou os olhos, claramente surpresa com o anúncio público, embora um brilho deslumbrado tenha cruzado o rosto dela. — Você me disse que nós iríamos para a costa sul descansar!
— Descansar coisa nenhuma, mulher! — ele rebateu ao microfone, arrancando gargalhadas do salão inteiro. — Você passou a vida inteira presa entre máquinas de costura e cuidando de tudo para todo mundo! Agora você vai andar de helicóptero no deserto, se hospedar na suíte presidencial do Burj Al Arab com banheira de ouro e fazer compras naquele emirado até o limite dos meus cartões de crédito chiar! E se o Adrian achar ruim o rombo na conta corporativa, ele que trabalhe dobrado neste porto para pagar a conta do avô dele!
Adrian caiu na risada ao meu lado, balançando a cabeça em pura rendição.
— Ele é inacreditável... simplesmente incorrigível!
— Pois eu achei o máximo! — Evie gritou da mesa do lado, aplaudindo com entusiasmo. — Leva ela para gastar tudo mesmo, Vovô Victor!
— Pode deixar, minha querida Evie! — o velho gritou de volta, entregando o microfone e estendendo a mão para tia Marie. — Vamos subir, trocar essa roupa de gala e partir, que o piloto não gosta de esperar e eu não tolero atraso no meu próprio voo!
A movimentação para a saída dos noivos começou em clima de euforia e corre-corre.
Enquanto a maioria dos convidados continuava desfrutando do banquete e da pista de dança nos jardins, nosso círculo íntimo se mobilizou para acompanhá-los até o hangar privativo. Adrian e eu seguimos no sedã principal, ladeados pelos carros do Alexander com Evie, Henry com Sara, Lucas com Natalie, e William no carona com Augustus. Duas equipes secundárias do Alex também nos acompanharam. O restante do pessoal ficou na mansão, com os convidados.
Meia hora depois, as portas automáticas do hangar do aeroporto executivo se abriram, revelando a silhueta imponente do Gulfstream da família Foley iluminado pelos holofotes da pista de pouso.
A brisa fria da madrugada na baía soprava suave. Vovô Victor agora usava um terno de linho claro confortável, sem gravata, e tia Marie vestia um conjunto sofisticado de calça e sobretudo em tom bege, carregando uma bolsa de mão de couro macio.
Assim que os noivos desceram do carro que os transportou pela pista, Natalie foi a primeira a se adiantar com passos rápidos. Os olhos da garota brilhavam em puro carinho ao parar na frente do velho.
— Tio Victor... — ela o abraçou com força ao redor do pescoço, quebrando qualquer protocolo. — Por favor, toma cuidado naquele calor de Dubai, viu? Não vai querer subir nas dunas achando que tem vinte anos.
O velho soltou uma risada rouca e retribuiu o aperto com uma ternura paterna.
— Fica tranquila, minha menina doce. A Marie tem um remédio certeiro para cada teimosia minha na bolsa. Mas me promete que quando eu voltar, você e o Lucas vão jantar na mansão comigo para me contar tudo sobre os seus novos projetos. Combinado?
— Combinadíssimo! — Natalie assentiu, beijando as bochechas dele e em seguida abraçando minha tia demoradamente. — Boa viagem, tia Marie. Cuida bem desse coração dele.
— Pode deixar, minha princesa. — tia Marie sorriu, afagando os cabelos da garota.
Aos poucos, os amigos se despediram com abraços e votos sinceros de felicidade. William fez questão de conferir se as malas da minha tia estavam bem acomodadas no bagageiro, enquanto Augustus trocou um aperto de mãos respeitoso com o vovô.
Por fim, restamos apenas os quatro junto à escada de embarque.
Tia Marie deu dois passos na minha direção. Nossos olhares se cruzaram sob as luzes brancas da pista, e o nó da emoção voltou a travar a minha garganta. Ela estendeu os braços e me envolveu em um abraço quente, apertado, daqueles que parecem abrigar a alma inteira de volta para casa.
Enterrei o rosto no pescoço dela, sentindo o perfume familiar de alfazema que marcou cada momento da minha vida desde a infância.
— Tia... cuida de vocês dois. — sussurrei com a voz embargada, sentindo as lágrimas molharem a pele do sobretudo dela. — Não esquece de me ligar assim que o avião pousar. Se você sentir qualquer frio na barriga naquele deserto, me manda mensagem a qualquer hora.
Tia Marie se afastou apenas o suficiente para segurar meu rosto com as duas mãos, olhando fundo nos meus olhos com os olhos dela banhados em água cristalina.
— Eu vou ligar, minha filha. Eu vou estar bem, você vai estar bem. Promete para mim que você vai descansar, que vai obedecer a tudo o que o Patrick mandar e que vai deixar esse homem mimar você e o nosso bebê o tempo todo.
— Eu prometo, mãe — respondi com o coração transbordando, deixando a palavra sagrada selar mais uma vez o nosso elo indestrutível.
Ela desceu a mão direita até pousá-la com infinita doçura sobre a minha barriga, sentindo o relevo do netinho.
— A vovó… — ela começou, mas o vovô Victor a interrompeu.

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