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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 187

Capítulo 187 — Não me protege… ele me sufoca

Henry Reeves

Sara virou o rosto na minha direção, os olhos faiscando de raiva.

— Aquilo era trabalho, Henry! Trabalho! Ele estava me mostrando uma folha com uma dúvida sobre a rubrica da diretoria!

— Trabalho uma ova! — bati com a palma da mão contra o aro do volante, fazendo o couro estalar. — Eu conheço o tipo de cafajeste que aquele alemão é! Ele passou a porra do jantar de negócios inteira jogando charme para cima de você na minha cara! E hoje, no primeiro dia em que pisa naquela filial, ele já está enfiado na sua mesa depois do expediente, quase te encoxando na divisória?!

— Ninguém estava me encoxando! — ela gritou de volta, gesticulando com as mãos trêmulas de indignação. — Eu estava parada na minha mesa, encerrando o sistema, quando ele apareceu com uma dúvida! Você tem ideia do papelão que acabou de fazer lá em cima?! Você me desrespeitou na frente de um parceiro comercial da empresa! Me tratou como se eu fosse incapaz de lidar com uma situação profissional!

— Eu te desrespeitei?! — freei com violência diante de um sinal vermelho, encarando-a com os olhos em chamas. — Aquele desgraçado estava pronto para te convidar para jantar, Sara! Não se faça de cega! Eu vi o jeito que ele olhava para você! Se eu não tivesse entrado naquela sala naquele exato segundo, onde é que essa conversinha mole de rubrica ia parar?!

— Ia parar na calçada, Henry! Porque eu ia recusar, como recusei o café que ele tentou me dar de manhã! — ela soltou em um desabafo furioso, os olhos marejados de revolta.

Pisei no acelerador assim que o sinal abriu, cortando o trânsito com raiva.

— Ele te ofereceu café?! E você não me falou nada por quê?!

— Porque não tinha relevância nenhuma! Porque eu joguei o copo na lata do lixo no segundo em que ele deu as costas! — Sara passou a mão pelo rosto, respirando fundo, a voz embargada por um cansaço que parecia ir muito além daquela discussão. — Mas é exatamente por isso que eu não te conto, Henry. Olha para você! Você está completamente cego! Não consegue raciocinar, não consegue separar as coisas!

— Eu estou protegendo o que é meu! — rosnei, entrando na avenida que dava acesso ao nosso prédio residencial. — Eu avisei ao Adrian que colocar vocês dois naquele andar era uma péssima ideia! Aquele canalha não tem limites e eu não vou aceitar ele rondando você feito um cão no cio! Você vai pedir para o William te colocar em outra ala ou eu mesmo falo com o Foley amanhã cedo!

— Você não vai falar nada com o Adrian! — Sara disparou, a voz saindo firme, carregada de uma mágoa profunda que me atingiu em cheio. — Você não é meu dono, Henry. Você é meu namorado! Eu te amo, me mudei para a sua cobertura, divido a minha vida inteira com você, mas eu não sou uma propriedade sua para você ditar com quem eu falo ou em qual sala eu trabalho!

Engoli em seco, manobrando o carro para dentro da garagem do nosso condomínio. A palavra propriedade bateu pesado na minha garganta, mas o ciúme que ardia dentro de mim não me deixava ceder nem um milímetro.

Estacionei na nossa vaga privativa e desliguei a chave. O silêncio voltou a cair pesado sobre a cabine do carro.

Virei o tronco para ela, tentando controlar o tom de voz, mas a amargura ainda estava viva em cada sílaba.

— Eu só estou exigindo que você mantenha esse cara longe, Sara. Ele não quer saber do trabalho da filial. Ele quer você. E você parece não entender o perigo disso.

Sara me encarou na penumbra da garagem, lágrimas silenciosas escorrendo pelas bochechas. O olhar dela não tinha raiva; tinha exaustão.

— O problema não é o Luka, Henry. O problema é que você não confia em mim — ela sussurrou, a voz quebrando. — Eu disse a você, com todas as letras, que nenhum homem neste mundo me tiraria de você. Que você é o meu tudo. Mas parece que nada do que eu digo é suficiente para essa sua insegurança doentia. Esse seu ciúme não me protege, Henry... ele me sufoca. Está me esmagando. E eu não sei quanto tempo eu aguento viver me sentindo vigiada dentro da minha própria profissão. Você tem ideia do quanto esse emprego é importante pra mim? Do que essa oportunidade que o Adrian me deu significa?

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