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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 190

Capítulo 190 — Duas Linhas e um Destino

Sara Olsen

Depois de uma noite em que a nossa cama parecia ter se transformado em um campo de batalha e de redenção ao mesmo tempo, eu tinha certeza absoluta de que nada no mundo seria capaz de abalar o que eu sentia por esse homem.

Henry era intenso, turrão, possessivo até o limite da sanidade quando o ciúme o cegava, mas a verdade mais pura da minha existência era que eu o amava com cada célula do meu corpo. Amar Henry Reeves não era uma escolha racional; era uma força da natureza. A forma como ele tinha me despido de cada receio, a entrega dele, o pedido sincero de perdão e a promessa de se policiar para não me sufocar provavam a sua devoção por mim.

O coração dele era inteiramente meu, assim como o meu era dele.

Depois do nosso momento, tomamos um banho juntos sob a água morna, rindo, trocando carícias lentas e cúmplices, até ele insistir em pedir o nosso jantar para comemorar a nossa trégua.

O problema é que o meu estômago parecia ter outros planos para a nossa noite romântica.

Agora, eu estava sentada no chão de porcelanato gelado do banheiro, encolhida no colo dele, com as pernas dobradas e o rosto enterrado na curva quente do seu pescoço largo. O cheiro cítrico e amadeirado do sabonete do Henry misturado à pele limpa dele era a única coisa que me impedia de desmaiar de puro cansaço físico.

Minha garganta ardia, meus olhos queimavam pelo esforço brutal e a humilhação de ter vomitado tudo na frente dele ainda me fazia querer cavar um buraco e sumir.

Henry, é claro, tinha feito piada da desgraça, segurado os meus cabelos, limpado o meu rosto, me dado água para enxaguar a boca e ainda ria alto ao me lembrar de que "necessidades fisiológicas são normais em um casal".

Mas a risada dele tinha morrido no ar com aquela única pergunta. Uma pergunta simples, direta, lançada quase por acaso enquanto ele afagava meus ombros:

— Sara, não era para você ter ficado menstruada esta semana?

As três piscadas que dei antes de o mundo parar de girar pareceram durar uma eternidade inteira.

Minhas pálpebras travaram abertas. Minha espinha gelou como se tivessem despejado um balde de nitrogênio líquido na minha nuca. Meu cérebro começou a rodar o calendário dos últimos trinta dias em uma velocidade alucinante.

O problema com o Samuel... a correria do casamento do senhor Victor e da tia Marie... os dias de atraso que eu simplesmente ignorei achando que era apenas o estresse acumulado da transição para a filial...

— PUTA MERDA!! — o grito rasgou a minha garganta com tanta força que ecoou pelas paredes azulejadas do banheiro.

Pulei do colo do Henry como se tivesse levado um choque elétrico de alta voltagem. Fiquei de joelhos no piso, apoiando as duas mãos trêmulas na cabeça em puro desespero.

— Não, não, não! Puta merda, Henry! Não é possível! Não pode ser!

Henry continuava sentado no chão, encostado no armário da pia, vestindo apenas a calça de moletom cinza. Ele franziu o cenho por um milésimo de segundo, mas, em vez de pânico, um brilho estranho, luminoso e quase perigoso começou a nascer no fundo daqueles olhos azuis profundos.

Os cantos da boca dele começaram a se curvar para cima, lentamente, até se abrirem em um sorriso largo e provocador.

— Olha para você... — ele soltou uma risadinha baixa, rouca, achando a coisa mais divertida do universo. — Parece que acabou de ver um fantasma saindo do ralo.

— Não ri, Henry! Pelo amor de Deus, para de rir! — esbravejei, batendo com a palma da mão na minha própria coxa, à beira de um ataque de nervos. — Isso é sério! É seríssimo! A minha menstruação está atrasada há quase dez dias! Dez dias, Henry! Como é que eu não percebi isso antes?!

— Calma, amor. Respira — ele pediu, mantendo o tom suave e calmo que contrastava de forma bizarra com o meu estado de loucura iminente.

— Como calma?! — me levantei em um salto, começando a andar de um lado para o outro naquele espaço de três metros quadrados, gesticulando no ar feito uma desmiolada. — Eu acabei de conseguir um bom emprego! Nós estamos juntos há pouquíssimo tempo! Se eu estiver grávida agora... meu Deus, se eu estiver grávida, como vai ser?

Henry se levantou com a agilidade silenciosa de sempre. Ele não parecia nem um pouco abalado pelo meu discurso histérico. Com dois passos largos, ele fechou a distância entre nós, segurou meus dois pulsos no ar com firmeza doce e me puxou contra o peito dele, obrigando meu corpo a parar de tremer contra o seu calor.

— Sara, olha para mim — ele ordenou, a voz saindo grossa, firme, mas carregada de uma ternura que fez o meu estômago despencar.

Ergui os olhos marejados para ele, o peito subindo e descendo em arfadas descompassadas.

— Henry, você não está entendendo a gravidade...

— Eu sei exatamente o que está acontecendo, meu amor. — ele me interrompeu com calma, soltando meus pulsos e subindo as mãos grandes até emoldurar o meu rosto com carinho infinito. O polegar dele secou uma lágrima quente que eu nem percebi que tinha rolado pela minha bochecha. — Eu sei que você está assustada, sei que seu emprego é importante e que parece tudo fora de hora. Mas escuta o que eu vou te dizer.

Ele colou a testa na minha.

— Se tiver uma sementinha nossa crescendo aí dentro dessa barriga... você vai estar realizando o maior sonho da minha vida. Você vai me fazer o homem mais feliz e realizado que já pisou nesta porra de mundo.

O ar simplesmente sumiu dos meus pulmões. As palavras dele travaram o meu pânico como um freio de mão puxado a duzentos por hora.

— Henry... — sussurrei, sentindo o queixo tremer.

— É sério, Sarinha — ele continuou, os olhos azuis brilhando em pura devoção. — Você não vai perder o seu emprego, você não vai deixar de ser a mulher brilhante que é, e nada neste mundo vai faltar para vocês dois. Eu tenho dinheiro suficiente para sustentar dez gerações e tenho dois braços fortes para carregar você e esse bebê no colo se for preciso. Nós vamos dar um jeito em tudo. Juntos.

Fiquei encarando aquele rosto forte, o homem que horas antes parecia pronto para matar um colega de trabalho por puro ciúme, agora me olhando como se eu fosse a criatura mais sagrada do universo. Meu coração deu um solavanco tão doloroso e doce no peito que enterrei o rosto na clavícula dele, soluçando baixinho.

— Mas a gente nem sabe ainda... — murmurei contra a pele dele. — Pode ser só estresse. O enjoo pode ser gastrite por causa do salmão.

Henry soltou uma risada baixa e me apertou contra o seu corpo com força.

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