Capítulo 193 — O Fantasma de Esmeralda
William Robinson
O sangue subiu para a minha cabeça com a força de um maremoto.
O meu coração martelava na garganta, misturando raiva, humilhação e uma dor cortante que eu nunca esperei sentir dentro daquela empresa.
A visão da mão perfeitamente esmaltada daquela mulher repousando no braço do meu homem, e o som daquele “Gu” saindo dos lábios dela com tanta intimidade, apagaram qualquer resquício de diplomacia que eu pudesse ter acumulado ao longo da vida.
Empurrei a porta de carvalho com as duas mãos. A madeira pesada bateu contra o batente com um estrondo seco que ecoou por todo o quadragésimo andar.
Adrian ergueu a cabeça da papelada no mesmo segundo, com a caneta suspensa no ar e as sobrancelhas franzidas em alerta. Karen recolheu a mão do braço de Augustus em um sobressalto, virando-se para a entrada com uma expressão de espanto polido.
E Augustus... Augustus travou a mandíbula, os olhos azuis faiscando de surpresa ao me ver parado ali, com a respiração arfante, os braços cruzados sobre o peito e o queixo empinado no meu ângulo mais bélico.
— Mas que linda reunião de reencontro familiar! — disparei, a voz saindo alta, estridente e afiada feito navalha recém-amolada enquanto eu marchava pelo carpete em direção ao centro da sala. — Que momento sublime da teledramaturgia corporativa! Só faltou um buquê de orquídeas e uma música instrumental de fundo para selar essa parceria tão emocionante!
Augustus deu dois passos rápidos na minha direção, erguendo as duas mãos espalmadas em um gesto automático de contenção.
— William... acalme-se. Não é o que você...
— Não ouse me mandar ter calma, Augustus Evans! — apontei o dedo indicador perfeitamente manicurado para o peito dele, parando a menos de um palmo da sua gravata. — Não me venha com esse tom de tribunal de júri! Você me manda mensagem dizendo que está soterrado em relatórios, me pede para vir te buscar pontualmente às seis e meia, e quando eu coloco meus pés de grife nesta sala, encontro você em um momento nostálgico com a mulher que partiu seu coração há cinco anos?!
Karen piscou os olhos grandes, ajeitando a lapela do terninho verde-esmeralda com uma pose que beirava a soberba. Ela deu meio passo à frente, cruzando os braços finos e me medindo de cima a baixo com um ar de condescendência insuportável.

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